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Para Desembargador, ser presidente da Odebrecht indica que Marcelo tinha ciência "dos fatos ilícitos que vinham ocorrendo”

Marcelo Odebrecht foi preso pela 14ª fase da Operação Lava Jato
Reprodução/Youtube
Marcelo Odebrecht foi preso pela 14ª fase da Operação Lava Jato

A Justiça do Paraná negou habeas corpus em favor do presidente da Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, preso preventivamente em 19 de junho, durante a 14ª fase da Operação Lava Jato. A decisão foi tomada no sábado (27) pelo desembargador federal João Pedro Gebran Neto, que responde pelos processos da Lava Jato no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).

A defesa de Odebrecht impetrou habeas no tribunal alegando que o empresário “não foi objeto de nenhuma acusação veiculada nos depoimentos dos delatores, nem há notícia de que tenha praticado crimes, ameaçado testemunhas, suprimido provas, fugido ou tentado fugir do País”.

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Sobre uma troca de e-mails entre Odebrecht e outros executivos, nos quais o empresário fala a respeito de “sobrepreço” em contratos – uma das provas que levaram a sua prisão –, os advogados afirmam ter ocorrido má interpretação de termos técnicos por parte da Polícia Federal e da Justiça.

Segundo Gebran Neto, as alegações da defesa não bastam para desmerecer a decisão do juiz Sérgio Moro pela prisão preventiva. O magistrado entende que a manutenção da prisão se faz necessária pois “mesmo afastado da direção da construtora, Marcelo Bahia Odebrecht permaneceria atuando e comandando negociações de contratos com a Petrobras”. 

Para o desembargador, as provas apresentadas são contundentes e implicam a participação da empreiteira no cartel de contratos investigado pela Lava Jato. “O fato do paciente ser presidente da holding Odebrecht é indiciário de que, ocupando cargo de tamanha importância, tivesse ciência dos fatos ilícitos que vinham ocorrendo”, apontou Gebran Neto.

Desse modo, o magistrado decidiu por não conceder o habeas refletindo que a “cessação das atividades ilícitas somente ocorrerá com a segregação dos principais atores. Eventual soltura permitirá a reorganização das atividades ilícitas”.

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