Tamanho do texto

Presidente rejeita denúncias feitas pelo dono da UTC, Ricardo Pessoa, sobre supostas doações ilegais à campanha da petista

BBC

Dilma no Encontro Empresarial sobre Oportunidades de Investimento em Infraestrutura no Brasil
Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma no Encontro Empresarial sobre Oportunidades de Investimento em Infraestrutura no Brasil

Em sua primeira declaração sobre o assunto, a presidente Dilma Rousseff rejeitou nesta segunda-feira as denúncias feitas pelo dono da UTC, Ricardo Pessoa, em delação premiada, de que ele teria sido pressionado a doar dinheiro para a campanha presidencial em 2014, além de supostamente ter feito doações ilegais a outras campanhas do PT.

Leia também:
Após vazamentos, governo pede acesso às investigações da Lava Jato
Empreiteiros da Lava Jato chamavam Lula de "brahma"

"Eu não respeito delator", disse Dilma ao conversar com jornalistas em Nova York, primeira parada de sua visita aos Estados Unidos. "Até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é. Tentaram me transformar numa delatora. A ditadura fazia isso com as pessoas. Eu garanto para vocês que eu resisti bravamente."

O empresário Ricardo Pessoa, da UTC, que se tornou uma das peças-chave da Lava Jato
Ivone Perez
O empresário Ricardo Pessoa, da UTC, que se tornou uma das peças-chave da Lava Jato

Em depoimento aos procuradores da Operação Lava Jato, o empresário disse ter doado R$ 7,5 milhões à campanha de reeleição de Dilma porque temia ser prejudicado em negócios com a Petrobras caso não o fizesse.

Dilma disse que sua campanha "recebeu dinheiro legal, R$ 7,5 milhões", e afirmou que seu adversário no segundo turno, Aécio Neves, teria recebido quantia semelhante.

"Na mesma época que eu recebi os recursos, pelo menos uma das vezes o candidato que concorreu comigo recebeu também, com uma diferença muito pequena de valores", afirmou. "Eu não aceito e jamais aceitarei que insinuem sobre mim ou a minha campanha qualquer irregularidade."

A presidente disse, porém, que a Justiça deve investigar as denúncias. Garantiu ainda que vai tomar providências "se ele falar sobre mim".

Clima
Dilma partiu, na tarde desta segunda-feira (29), de Nova York em direção à capital americana, Washington, onde será recebida pelo presidente dos EUA, Barack Obama, em um jantar na Casa Branca.

Durante a manhã, a presidente se reuniu com empresários e investidores americanos e participou de um evento sobre oportunidades de investimento em infraestrutura no Brasil.

Leia também:
TCU dá prazo de 30 dias para que Dilma explique contas de 2014
Mercadante confirma doações em campanha, mas diz que elas foram legais

Em um momento de crise econômica, a visita aos Estados Unidos tem como objetivo ampliar o comércio entre os dois países e reconquistar a confiança dos investidores estrangeiros no Brasil.

De janeiro a maio deste ano, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o intercâmbio comercial entre Brasil e Estados Unidos (soma das importações e exportações) caiu 22% em relação ao mesmo período de 2014.

Dilma também se reuniu com o ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger, com quem disse ter conversado sobre o papel do Brasil no cenário internacional.

Em Washington, um dos principais temas discutidos com Obama deverá ser a questão das mudanças climáticas. "Nós pretendemos fazer anúncios conjuntos com o governo americano", disse a presidente.

Veja os políticos citados na investigação da Lava Jato:


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.