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Ministros sustentam que há o vazamento seletivo das informações com o objetivo de desestabilizar o governo

Os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Secretaria de Comunicação, Edinho Silva, em entrevista coletiva neste sábado, informaram que, diante do vazamento de informações seletivas de depoimentos prestados à Operação Lava Jato, os prejudicados pedirão acesso às acusações que hoje se encontram em segredo de Justiça.

Ministros da Justiça José Eduardo Cardozo e da Secretaria de Comunicação, Edinho Silva, disseram, em entrevista coletiva, que os prejudicados por vazamento de informações pedirão acesso às acusações
Alan Sampaio / iG Brasília
Ministros da Justiça José Eduardo Cardozo e da Secretaria de Comunicação, Edinho Silva, disseram, em entrevista coletiva, que os prejudicados por vazamento de informações pedirão acesso às acusações

“Há o vazamento seletivo de uma delação premiada, portanto é algo que precisa ser provado. Não sou jurista, mas o ministro Cardozo que me corrija, acredito que ainda vale a máxima de que quem acusa tem a obrigação da prova”, disse o ministro Edinho Silva, que também reafirmou que as doações feitas pela empresa UTC para a campanha da presidente Dilma Rousseff são legais e devidamente declaradas à Justiça Eleitoral.

Cardozo informou que esta será a prática, daqui para frente de todos que se sentirem prejudicados no governo, conforme combinado nesta manhã em reunião dos dois ministros, além do chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada.

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"O governo pediu no passado e a Justiça entendeu que não concederia. A partir de agora, toda pessoa que se sentir prejudica irá pedir”, disse o ministro da Justiça.

Edinho Silva negou que o ministro da Casa Civil tenha cancelado sua viagem aos Estados Unidos devido ao vazamento de parte do depoimento do empresário Ricardo Pessoa, da UTC, que aponta a doação de recursos para a campanha de Mercadante, em 2010, ao governo de São Paulo.

“Nunca esteve certo que Mercadante iria”, disse o ministro. “É natural que ele tem ficado para que, com o vice-presidente Michel Temer, conduza a parte mais administrativa”, justificou Edinho.

O ministro ainda relatou que seus encontros com Ricardo Pessoa ocorreram como qualquer encontro de um tesoureiro de campanha com um empresário e que não havia motivos, durante a campanha para que ele rejeitasse a doação. “A UTC é uma empresa que tem história de prestação de serviços não só ao governo federal”, ponderou. “Agi dentro da legalidade, estritamente dentro da legalidade”, enfatizou.

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“Não tinha porque colocar sob suspeita apenas o que é doação para campanha da presidente sendo que outras doações ocorreram”, disse Edinho tomar medidas judiciais em relação aos vazamentos que o atingiram. “Tomarei as medidas judiciais em defesa da minha honra, já que a delação não expressa a verdade dos fatos”, disse o ministro.

Veja abaixo quem são os investigados na operação Lava Jato:

O depoimento prestado pelo empresário Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC, aos procuradores da operação Lava Jato preocupam o governo, que alega que todas as doações recebidas da empresa são legais e foram declaradas à Justiça Eleitoral. A  publicação do depoimento pela revista Veja motivou a reunião de ministro, neste sábado, com a presidente, no Alvorada, antes da presidente embarcar para a visita que fará aos Estados Unidos a partir de segunda-feira.

Pessoa é apontado como o chefe do cartel que operava na Petrobras. Seu acordo de delação premiada foi homologado na última quinta-feira (25) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga os suspeitos com foro privilegiado citados nas investigações.

O empresário disse aos procuradores que doou R$ 7,5 milhões à campanha à reeleição de Dilma no ano passado. A doação foi feita de forma legal, no entanto, a polícia investiga se houve alguma vinculação de negócios da empresa com a Petrobras como motivo do depósito. Pessoa informou que tratou da contribuição diretamente com o tesoureiro da campanha de Dilma, o atual ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Edinho Silva.

Além disso, de acordo com reportagens da revista Veja, o empresário também revelou repasses R$ 15 milhões para o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e R$ 750 mil ao ex-deputado federal José de Fillipi (PT-SP), tesoureiro da campanha de Dilma em 2010 e hoje é secretário da administração do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT).

Segundo o jornal "O Estado de S. Paulo", Pessoa indicou aos procuradores que os repasses para Vaccari e Fillipi foram feitos de maneira ilegal, e não por meio de doações oficiais. Em nota, a assessoria de imprensa do PT afirmou que "todas as doações recebidas pelo partido aconteceram estritamente dentro da legislação vigente e foram posteriormente declaradas à Justiça".

Na sexta, o jornal Folha de S.Paulo informou que Pessoa também detalhou em um de seus depoimentos a maneira como foi negociada uma contribuição feita à campanha do petista Aloizio Mercadante ao governo do Estado de São Paulo, em 2010. Segundo a prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral, Mercadante recebeu uma doação de R$ 250 mil da UTC em 2010.

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O depoimento de Pessoa está em segredo de Justiça, assim como todo processo da Lava Jato. No entanto, de acordo com informações vazadas para a imprensa, mm seu depoimento, o empresário teria citado 18 políticos como beneficiários do esquema instalado na Petrobras.

Entre os favorecimentos estariam as campanhas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2006; a campanha do prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) em 2012; o tesoureiro da campanha da presidenta Dilma Rousseff (PT) em 2010, José Di Fillipi; a campanha de Dilma em 2014, bem como seu tesoureiro, o atual ministro Edinho Silva; o ministro Aloizio Mercadante; o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, preso na Lava Jato; e o ex-ministro José Dirceu (PT).

Também foram citados o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), um dos principais líderes da oposição atualmente e vice na chapa presidencial de Aécio Neves (PSDB-MG), segundo colocado nas eleições presidenciais de 2014.

Estariam na nova delação, também, os senadores Fernando Collor (PTB-AL), Edison Lobão (PMDB-MA), Gim Argello (PTB-DF), Ciro Nogueira (PP-PI) e Benedito de Lira (PP-AL), os deputados Arthur Lira (PP-AL), Júlio Delgado (PSB-PE) e Eduardo da Fonte (PP-PE) e o ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado.

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