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Pagamento a agentes públicos e políticos era feito por meio de contas no exterior, o que exigiu aprofundamento da operação

Alvos da 14ª fase da Operação Lava Jato, as empreiteiras Otávio Odebrecht e Andrade Gutierrez usavam um esquema "mais sofisticado" de pagamento de propina a agentes públicos e políticos por meio de contas no exterior, o que exigiu maior aprofundamento das investigações antes do pedido de prisão dos diretores das empresas.

De acordo com a investigação da Polícia Federal, há provas de que os presidentes das empresas participaram de negociações. Eles "tinham pleno domínio de tudo. Há indícios bem concretos de que essas pessoas que estão à frente das empresas não só tinha o domínio de tudo que acontecia nas empresas de uma forma geral, mas que em algum momento tiveram contato ou participaram de atos que levaram a formação de cartel, favorecimento de licitações e mesmo a destinação de recursos para pagamento de corrupção", disse o delegado Igor Romário de Paula à imprensa, em Curitiba.

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Mais cedo: Lava Jato prende presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez

Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, foi preso na nova fase da Lava Jato em sua casa em São Paulo
Reprodução/Youtube
Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, foi preso na nova fase da Lava Jato em sua casa em São Paulo

Essas informações, divulgadas pelo procurador do Ministério Público Federal (MPF) Carlos Fernando dos Santos Lima durante coletiva nesta sexta-feira (19), foram fundamentais para a prisão dos presidentes Marcelo Odebrecht, da Odebrecht, e Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez.

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De acordo com o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, três colaborados, entre eles os ex-diretores da Petrobras – presos em fases anteriores da Lava Jato –, Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco, disseram que receberam propina da Odebrecht no exterior, por meio de empresasoffshore. Esses pagamentos, segundo Lima, foram identificados pela PF e pelo MPF após colaboração com autoridades estrangeiras.

“Observou-se que, nas empreiteiras que foram denunciadas até aqui, o contato era diretamente com o [doleiro] Alberto Youssef e as empresas dele, em um esquema relativamente simples e fácil de comprovar. Entretanto, o esquema de lavagem que deparamos agora é de depósito no exterior”, explicou Lima.

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“Uma série de colaboradores nos indicaram os caminhos dos valores no exterior e isso reforçou, nesse momento, a necessidade do pedido da prisão dos executivos dessas empresas”, acrescentou o procurador.

“Esses colaboradores indicam que essas empresa fizeram pagamentos no exterior, então identificamos as empresas offshore que intermediaram os pagamentos. Quando temos três colaboras, o nível de confirmação aumenta consideravelmente”.

Além do esquema de fraudes na Petrobras, as investigações que resultaram na deflagração da operação Erga Omnes identificaram que a Odebrecht também pode ter fraudado contratos para as obras da usina nuclear Angra III, no Rio de Janeiro.

Nova fase

Além deles, outros 11, dos 12 a serem presos, haviam sido detidos pela PF na operação Erga Omne, termo jurídico indicando que decisão valerá para todos. Entre eles os empresários da Odebrecht Márcio Faria, Rogério Araújo, Alexandrino Alencar, Marcelo Odebrecht e Cesar Ramos Rocha. 

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Marcelo Odebrecht anuncia investimento de até R$ 40 bilhões durante evento econômico em SP (2014)
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Marcelo Odebrecht anuncia investimento de até R$ 40 bilhões durante evento econômico em SP (2014)

A PF cumpre desde a madrugada desta sexta-feira (19) a 14ª fase da Operação Lava Jato. São 59 mandados judiciais em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Esta fase da operação, chamada de "Erga Omnes", tem como alvo as empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez, segundo a PF.

A Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 17 de março de 2014, desmontou um esquema de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas que movimentou algumas centenas de milhões de reais.

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As investigações indicam a existência de um grupo brasileiro especializado no mercado ilegal de câmbio. No centro das investigações, estão funcionários do primeiro escalão da Petrobras, a maior empresa estatal do Brasil.

Queda das empreiteiras

Em novembro, a Operação Lava Jato entrou em uma nova fase. Desta vez, por determinação da Justiça Federal, foram presos alguns presidentes e diretores das maiores empreiteiras do País, como Camargo Corrêa, OAS, Mendes Junior, Engevix, Engesa, UTC e Queiroz Galvão e Iesa.

Os especialistas em Justiça relacionaram a Operação Lava Jato a Operação Mãos Limpas, da Itália. Nos anos de 1990, o trabalho da Justiça italiana ajudou a acabar com vários esquemas envolvendo o pagamento de propina por empresas privadas que tinham interesse em garantir contratos com órgãos públicos e estatais com o objetivo desviar recursos para o financiamento de campanhas políticas.

Buscas da Polícia Federal

Já duram quatro horas as buscas da PF no prédio da construtroa Alberto Odebrecht  em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, na manhã desta sexta. O procedimento faz parte dos mandados de busca e apreensão e acontece nos quatro andares do imóvel. A empresa tem ainda outro prédio na Praia de Botafogo que também está sendo investigada após denúncias sobre corrupção com a Petrobras.  

Apesar da operação, as atividades foram mantidas na companhia e funcionários chegaram para trabalhar normalmente.  Veja abaixo as notas das construtoras sobre as averiguações policiais:

Norberto Odebrecht

"A Construtora Norberto Odebrecht (CNO) confirma a operação da Polícia Federal em seu escritório em São Paulo e no Rio de Janeiro, para o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Da mesma forma, alguns mandados de prisão e condução coercitiva foram emitidos.

Como é de conhecimento público, a CNO entende que estes mandados são desnecessários, uma vez que a empresa e seus executivos, desde o início da operação Lava Jato, sempre estiveram à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. 

Construtora Norberto Odebrecht" 

Andrade Gutierrez 

"A Andrade Gutierrez informa que está acompanhando o andamento da 14ª fase da Operação Lava Jato e prestando todo o apoio necessário aos seus executivos nesse momento. A empresa informa ainda que está colaborando com as investigações no intuito de que todos os assuntos em pauta sejam esclarecidos o mais rapidamente possível.

A Andrade Gutierrez reitera, como vem fazendo desde o início das investigações, que não tem ou teve qualquer relação com os fatos investigados pela Operação Lava Jato, e espera poder esclarecer todas os questionamentos da Justiça o quanto antes."

*Com Agência Brasil

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