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Planalto tinha esperança de votar o último texto do pacote de contenções ainda hoje, mas oposição usou episódio para obstruir sessão, cobrando uma posição do governo brasileiro

O incidente envolvendo a comitiva de senadores brasileiros em missão a Venezuela acabou repercutindo no Congresso Nacional. A reação de congressistas acabou acertando em cheio no esforço do governo em votar o último item do ajuste fiscal, uma vez que deputados de oposição passaram a usar o incidente como forma de obstruir a sessão enquanto cobravam uma posição do governo brasileiro.

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Reprodução
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O governo tinha esperança de votar o Projeto de Lei que retira as desonerações de diversos setores da economia. A pauta já era polêmica e parecia difícil de ser votada nesta quinta-feira em função de desacordo na base. A situação dos senadores acabou dificultando ainda mais a tarefa, já que o Plenário deixou de apreciar o texto e passou a debater o incidente.

Deputados aprovaram uma moção de repúdio ao governo local pelo incidente. O debate acerca da moção não teve unanimidade. Enquanto o campo à direita cobrava uma posição mais enérgica do governo, partidos ligados à base na esfera mais à esquerda pregavam calma com a questão para que as informações pudessem ser avaliadas com mais cuidado. Apesar disso, a moção foi aprovada.

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), chegou a telefonar ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para perguntar o que teria acontecido com a delegação brasileira. Segundo o relato de Cunha atribuído ao chanceler, a delegação brasileira deixou o aeroporto num micro-ônibus alugado pela embaixada rumo ao presídio em que fariam uma visita a opositores do presidente Nicolás Maduro.

“Gritantes de qualquer natureza que tentaram agredir o ônibus e a proteção policial funcionou para impedir qualquer desdobramento de natureza mais grave, reconhecido, segundo o chanceler, pelo próprio senador Aloisio Nunes Ferreira, que estava na delegação”, disse Cunha. “É claro que um episódio dessa natureza provoca uma tensão e a delegação decidiu retornar ao aeroporto”, acrescentou ele.

No Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) criticou a agressão ao grupo. ”Qualquer agressão à nossa delegação é uma agressão ao Legislativo. Estou telefonando à nossa presidente e vou cobrar uma reação altiva do governo brasileiro a essa agressão sofrida pelos senadores”, disse ele. O presidente do Senado divulgou ainda uma nota.

Senadores voltaram ao aeroporto depois de encontrarem via bloqueada por manifestantes
Reprodução
Senadores voltaram ao aeroporto depois de encontrarem via bloqueada por manifestantes

A nota diz que Renan “recebeu relatos apreensivos da delegação de senadores brasileiros em viagem a Venezuela através dos senadores Cássio Cunha Lima, Aloysio Nunes Ferreira, Ronaldo Caiado e Aécio Neves. Há relatos de cerco à delegação brasileira, hostilidades, intimidações, ofensas e apedrejamento do veículo onde estão os senadores”, diz a nota.

O grupo de senadores brasileiros em visita à Venezuela diz ter sido hostilizada ao tentar deixar o aeroporto. As informações foram divulgadas pelo twitter de senadores que compõem a comitiva. O grupo é formado pelos senadores Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Aécio Neves (PSDB-MG), José Medeiros (PPS-MT), Sérgio Petecão (PSC-AC) e Ronaldo Caiado (DEM-GO).

“Estamos em Caracas, sitiados em uma via pública. Nossa van foi atacada por manifestantes”, disse Aécio por meio de seu twitter. “Não conseguimos sair do aeroporto. Sitiaram o nosso ônibus, bateram, tentaram quebrá-lo. Estou tentando contato com o presidente Renan”, publicou Caiado.

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