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Delcídio Amaral também disse ainda não ter participado de conversa sobre a recriação da CPMF, mas diz razoável ideia de que imposto incidiria apenas sobre grandes movimentações

Lula, ao lado da presidente Dilma Rousseff, durante congresso do PT em Salvador
Reprodução/Twitter
Lula, ao lado da presidente Dilma Rousseff, durante congresso do PT em Salvador

Na contramão do sentimento de grande parte dos petistas, ainda inconformados com a condução da política econômica, o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), disse que o partido precisa defender o governo da presidente Dilma Rousseff, para não sofrer a consequência de ter comprometido seu próprio projeto.

“É claro que o partido tem autonomia, independência, e teses importantes. Mas nós temos de ajudar o governo Dilma. Se o governo Dilma não for bem é nosso projeto que também caminha bem”, disse o senador ao chegar ao 5º Congresso do partido, em Salvador.

“Por mais que existam críticas, é o forte do PT a gente fazer esta discussão, isso é que dá mais energia para ao partido. Agora nós temos que trabalhar para ajudar”, disse o líder.

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O apelo do senador vai de encontro com o sentimento de repulsa à política econômica conduzida pela presidente. Ele chegou ao encontro logo depois que parte da bancada partido da Câmara lançou um documento criticando o governo e se colocando “mais à esquerda” como definiu um de seus integrantes.

Financiamento do SUS

O senador disse que ainda não participou de nenhuma discussão sobre a recriação da antiga Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF). O assunto foi levantado pelo ministro da Saúde, Arthur Chioro, que tem conversado com governadores dos Estados sobre formas de dar sustentabilidade ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Ex-presidente Lula participa da campanha de lançamento de arrecadação do PT, em Salvador
Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
Ex-presidente Lula participa da campanha de lançamento de arrecadação do PT, em Salvador

O ministro chegou a dizer que a forma cogitada para o novo imposto incidiria sobre grandes operações financeiras e deixaria de fora as movimentações das classes média e baixa. "Não deverá ser uma CPMF como foi no passado. Será uma contribuição financeira com outras características", disse o ministro ao participar do encontro que ocorre em Salvador.

A volta da CPMF é também defendida abertamente pelos petistas e chegou a constar na primeira versão da Carta de Salvador, que está sendo discutida durante o Congresso e que deverá ser finalizada e votada neste sábado.

Para o líder do governo, qualquer aumento de carga tributária causará reação popular. No entanto, Delcídio ponderou que a possibilidade de se criar o imposto somente para as grandes movimentações é uma ideia “razoável”.

“É uma proposta mais seletiva, mais razoável também”, disse o líder do governo.

“A qualquer aumento de carga tributária a população vai reagir, por mais nobre que seja a proposta. Mas nós não discutimos ainda, eu pelo menos não participei de nenhuma discussão dentro do governo sobre isso. A proposta é ver o mesmo conceito que ela existiu no governo de FHC”, disse o senador.

Além de livrar a classe média do imposto, Chioro também tem colocado na mesa de negociações com os governadores uma nova forma de partilha dos recursos da Saúde. Ele também avançado no diálogo para repactuar a divisão da receita de impostos, atualmente concentrada na União. De acordo com o ministro, a ideia é, pelo menos na área da Saúde, atender aos apelos dos governadores de dar uma parcela maior para os estados. “Os governadores estão desesperados pela falta de recursos”.

De acordo com o ministro, a maioria dos governadores tem apoiado a ideia. Ele informou que, no entanto, não conversou com todos. "Faltam só uns três ou quatro". Entre os que ele ainda não conversou está o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

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