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O presidente do PT reclamou da diferença de tratamento entre as doações de empresários para o PT e para outros partidos

O presidente do PT, Rui Falcão, classificou as denúncias de corrupção contra o partido como uma “tentativa de criminalização do PT”. Segundo ele, não há o mesmo tratamento para investigações que atingem outros partidos e citou o “quase prescrito mensalão tucano”, a Operação Zelotes, que investiga um esquema de sonegação fiscal e o chamado “trensalão” que investiga contratos das administrações tucanas em São Paulo.

Para Rui Falcão, oposição tentar criminalizar o PT
Divulgação PT Nacional
Para Rui Falcão, oposição tentar criminalizar o PT

“É um processo de tentativa de criminalização do nosso partido. Não é a primeira e não será a nem será a única. Não vejo uma cobertura da quase prescrição mensalão tucano”, diz Falcão, ao ser perguntado sobre a dificuldade do partido em discutir internamente os escândalos de corrupção que atingem a imagem do PT.

Falcão compara o tratamento dado às doações que são feitas por empresários para o PT. Segundo ele, as doações legais para o PT são tratadas como criminosas. Já para os tucanos, diz o presidente, as doações são tratadas como “doações da Irmã Dulce para a quermesse”.

Na Bahia, para o 5º Congresso do partido, Falcão comandou durante a tarde uma plenária com 520 delegados que aprovou o documento 'Carta de Salvador', apresentado pela ala majoritária, como ponto de partida para as discussões que ocorrem a partir desta sexta-feira (12). O documento agora será alvo de discussão e poderá sofrer emendas.

Embora o texto, por influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não expresse críticas à condução da política econômica, durante a discussão, não faltaram manifestações de repúdio ao ajuste fiscal proposto pelo governo da presidente Dilma Rousseff e ao ministro da Fazenda Joaquim Levy.

A presença de Dilma, confirmada para esta noite na abertura do evento, diz Falcão, era o que os petistas queriam ver para facilitar o diálogo dela com o partido.

“A presença dela já facilita muito. Houve uma especulação muito grande de que ela estaria descontente ou temia que houvesse alguma manifestação aqui contra o ajuste e por isso ela não viria. Não só ela vem, como alguns ministros petistas já estão aqui”, conta Falcão.

“A primeira manifestação dela, que eu ouvi, já que eu não posso advinhar o que ela vai dizer, é que o PT faça uma boa reflexão. Estamos fazendo a lição de casa na opinião dela”, avalia o presidente do partido.

Nesta quinta-feira, os preparativos em Salvador para a abertura do congresso ocorreram em meio a muita confusão. Cerca de dez manifestantes contra o governo tentaram armar um protesto em uma praça próxima ao hotel onde ocorre o evento e se depararam um grupo bem maior de militantes petistas que impediram o ato.

A Polícia Militar reforçou a segurança no protesto, para impedir brigas, e nas redondezas do hotel.

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