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Incomodado com o monitoramento, o presidente da Câmara pediu há 15 dias a retirada de câmeras da residência oficial

Depois de ter seu gabinete vasculhado pela Justiça, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem aumentado os cuidados com a privacidade e dado trabalho ao Departamento de Polícia Legislativa (Depol), instituição responsável pela segurança da Câmara e do Senado.

Há 15 dias, incomodado com a presença ostensiva de câmeras na residência oficial, onde mora desde que tomou posse, em fevereiro, Cunha pediu a retirada dos equipamentos. A direção do Depol se posicionou contra à retirada, já que no entender dos policiais, não havia como garantir a segurança do chefe de um dos poderes sem o monitoramento por meio das imagens.

Diante do impasse, os policiais tiveram de fazer um “redirecionamento” das câmeras de vigilância, apontando os equipamentos para pontos cegos da residência oficial, localizada no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, em um local conhecido como Península dos Ministros.

Cunha tentou tirar as câmeras de segurança da residência oficial
J.Batista/ Câmara dos Deputados
Cunha tentou tirar as câmeras de segurança da residência oficial

As câmeras são espalhadas pelas áreas internas da Casa, pelos jardins, piscinas e na frente da casa.

Trata-se de uma área de segurança, já que abriga além da casa oficial da Câmara, as residências oficiais do Senado, hoje ocupada por Renan Calheiros (PMDB-AL), além de casas de ministros e embaixadas.  

O chefe da Polícia Legislativa, Paulo Marques, nega o impasse com o presidente, mas confirma a mudança. “Só mudamos a angulação”, disse Marques que assumiu a autoria da ordem de alteração em entrevista ao iG .

“Havia pessoas estranhas passando ali por perto, tanto na frente, quanto na parte de trás da casa, onde há uma pista de cooper”, justificou o policial.

Além de se incomodar com as câmeras, que registram quem entra e sai da casa e toda movimentação interna, Cunha também tem tomado cuidados para não ser monitorado e tem pedido varreduras nos cômodos da Câmara onde costuma se reunir. Todos os espaços frequentados por Cunha estão sendo ostensivamente vigiados.

Nesta semana, a sala de reuniões da Secretaria Geral da Mesa Diretora, que sempre foi usada para reuniões de frentes parlamentares ou grupos de trabalho, passou a ser fechada. Nenhum grupo, além do próprio presidente, poderá usar o espaço.

Citado pela Operação Lava Jato , Cunha teve seu gabinete revistado em uma ação de busca e apreensão autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, relator do inquérito que apura o esquema de propina instaurado na Petrobras.

Eduardo Cunha teve a casa revistada pela a pedido de Rodrigo Janot, procurador-geral da República
Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Eduardo Cunha teve a casa revistada pela a pedido de Rodrigo Janot, procurador-geral da República

A busca foi pedida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a quem Cunha acusou de ter uma “querela pessoal” com ele. A justificativa de Janot para no pedido era de apreender registros de informática da Câmara dos Deputados em busca de provas contra Cunha.

O peemedebista é citado pelo doleiro Alberto Youssef como autor de um requerimento para pressionar a empresa Mitsui a voltar a pagar propinas. Ele nega.

O procurador, no entanto, já constatou que o requerimento, formalmente apresentado pela então deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), aparece no nome de Cunha como nos registros de informática. Ou seja, o documento teria sido escrito e registrado em um computado do gabinete do então líder do PMDB, Eduardo Cunha.

Em viagem à Israel, Cunha  e seus assessores não atenderam às ligações da reportagem durante a tarde e noite de terça-feira (2). O diretor-geral da Câmara, Sérgio Sampaio, informou que as ações do Depol e o pedido de Cunha não passaram por ele. A assessoria de imprensa da Presidência da Câmara informou que respostas sobre este assunto só poderiam ser dadas por assessores pessoais do presidente da Câmara, que o acompanham na viagem.

Veja os políticos denunciados por Rodrigo Janot na Operação Lava Jato:


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