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No total, 13 pessoas foram denunciadas pelo MPF, todas ligadas a André Vargas, Luiz Argôlo ou Pedro Corrêa

O ex-deputado André Vargas, preso meses depois de ter tido seu mandato cassado na Câmara
Alan Sampaio / iG Brasília
O ex-deputado André Vargas, preso meses depois de ter tido seu mandato cassado na Câmara

Presos na 11ª fase da Operação Lava Jato, no mês passado, três ex-parlamentares foram denunciados pelo Ministério Público Federal por crimes relacionados à Petrobras, nesta quinta-feira (14), em Curitiba.

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Os denunciados são André Vargas, Pedro Corrêa e Luiz Argôlo, todos ex-deputados federais acusados de corrupção e desvios financeiros. Além deles, outras 10 pessoas, ligadas aos ex-parlamentares, receberam denúncias da promotoria, protocoladas na Justiça Federal nesta quinta-feira.

"Hoje é um dia emblemático, porque fechamos um ciclo e entramos pela primeira vez no núcleo dos deputados envolvidos no esquema", celebrou o procurador Dalton Dallagnol ao iniciar a coletiva de imprensa. As denúncias seguem agora ao juiz Sérgio Moro, a quem cabe a escolha de acatá-las ou não. Se aceitá-las, os denunciados se tornarão réus na Justiça.

"Teremos novos pacotes", prometeu Dallagnol em relação a futuras novas denúncias contra outros ex-parlamentares e empresários. Em março, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a abertura de 28 inquéritos para investigar 47 políticos suspeitos de envolvimento no esquema de desvios na Petrobras, desmantelado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal. 

Veja os políticos que estão na lista da Operação Lava Jato:

Núcleos dos parlamentares
A promotoria dividiu os denunciados em três núcleos, cada qual ligado a um dos ex-deputados. Em dois deles chama a atenção o fato de haver parentes dos ex-parlamentares, o que o MPF afirmou ser comum em casos do gênero, "por essas pessoas serem de confiança dos criminosos".

O núcleo de Vargas, cujo mandato de parlamentar foi cassado em dezembro passado, devido ao envolvimento com o doleiro Alberto Youssef – peça-chave na investigação da Polícia Federal –, foi composto por Leon Dênis Vargas Ilário, Milton Vargas Ilário e
Ricardo Hoffmann.

Acusado de ser o responsável por manter Paulo Roberto Costa – outra peça-chave na investigação – na diretoria de Abastecimento da Petrobras entre 2004 e 2012, Argôlo teve incluído em seu núcleo Alberto Youssef, Rafael Ângulo Lopes e Carlos Alberto Costa. O ex-deputado do PP teria recebido vantagens financeiras por sua função em ao menos dez oportunidades e ainda é investigado, além de vantagens financeiras, de ter sido operador no esquema, devido à sua proximidade de Youssef.

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Já o núcleo de Pedro Corrêa, condenado por desvios no processo do mensalão e apontado como receptor de R$ 5,3 milhões em propinas de Paulo Roberto Costa, foi formado por sua filha Aline Corrêa, Ivan Vernon, Márcia Danzi, Alberto Youssef, Rafael Ângulo Lopes e Fábio Corrêa.

Luiz Argôlo: sua relação com Alberto Youssef seria mais próxima do que a de outros parlamentares
Divulgação
Luiz Argôlo: sua relação com Alberto Youssef seria mais próxima do que a de outros parlamentares

Na terça-feira (12), os três ex-parlamentares estiveram em reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, também em Curitiba. Apesar de terem optado pelo silêncio, todos falaram um pouco em sua defesa, apelando até para a religião para isso. 

"Só posso dizer que os humilhados um dia serão exaltados", disse Argôlo ao ser questionado se estava arrependido de sua participação no esquema. "Até Jesus Cristo, que era filho de Deus, errou."

Corrêa, por sua vez, disse na ocasião que não falaria porque já estava preso por crimes em dois casos, mensalão e "petrolão". No entanto, ele rechaçou ter envolvimento nos desvios da Petrobras, justificando que o esquema começou em 2006, ano em que não era mais deputado – cumpriu mandato até o final daquele ano. 

“Se fosse verdade o conteúdo das delações premiadas do Paulo Roberto Costa e do Alberto Youssef eu teria algo entre R$ 21 e R$ 25 milhões. Então, inde está este dinheiro?”, disse ele na terça-feira. A investigação afirma que Corrêa teve papel de destaque no esquema, pois era líder partidário (do PPB) e o responsável pelas relações de sua sigla com a estatal e as empreiteiras.

Vargas, por sua vez, admitiu que conhece Alberto Youssef há mais de três décadas, mas se defendeu das acusações da investigação sobre receber dinheiro do doleiro. "Eu não reconheço nenhum repasse dele para mim porque não ocorreram”, disse ele na terça-feira.

O ex-deputado federal Pedro Corrêa: preso por envolvimento no mensalão e no
Agência Brasil
O ex-deputado federal Pedro Corrêa: preso por envolvimento no mensalão e no "petrolão"


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