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Doleiro também reafirmou em depoimento que ex-presidente Lula ordenou pagamentos a empresa ligada a Petrobras

Doleiro Alberto Yousseff segue preso por outras acusações 21 10 2014
Jeso Carneiro/Agência Senado
Doleiro Alberto Yousseff segue preso por outras acusações 21 10 2014

O doleiro Alberto Youssef disse à CPI da Petrobras que movimentou algo entre R$ 180 e 200 milhões no esquema de lavagem de dinheiro proveniente de propina paga por empresas contratadas pela Petrobras.

Youssef afirmou que operava preferencialmente para o PP, mas chegou a participar de operações para o PT, o PMDB e o PSB. Ele disse também que houve pagamento da empreiteira Queiroz Galvão para o PSDB, como maneira de abafar uma CPI para investigar o caso.

Durante quase quatro horas de depoimento à CPI da Petrobras, Youssef pediu desculpas à família por causa de seu envolvimento com desvios na Petrobras, “À sociedade brasileira também”, disse.

O doleiro disse que está disposto a colaborar e que reafirmou está falando a verdade.

Lula ordenou pagamento

O doleiro Alberto Youssef confirmou ainda o teor do depoimento feito por ele à Polícia Federal em que afirmou que o ex-presidente Lula mandou fazer um pagamento para a agência Muranno Marketing, que prestava serviços à Petrobras.

Leia mais: policial investigado admite ter entregado dinheiro a mando de Youssef

“Quem me contou isso foi o Paulo Roberto Costa”, disse Youssef, em referência ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras apontado como beneficiário de propinas de empresas contratadas pela Petrobras para o financiamento de partidos políticos.

Entenda: Doleiro e ex-diretor da Petrobras são condenados por desvios na Abreu e Lima

Youssef disse à CPI que recebeu de Costa a ordem para que procurasse os dirigentes da Muranno e que o dinheiro saiu da parte que cabia ao PT e ao PP.

“Paulo disse que, na época, foi R$ 6 milhões e pouco e que isso o PT teria que operacionalizar metade. A outra seria do PP. Em determinado momento, Julio Camargo (representante da empresa Toyo) me fez esse repasse de R$ 3 milhões para o PT”, disse.

Planalto sabia do esquema

Alberto Youssef afirmou à CPI da Petrobras, que acontece nesta segunda-feira (11) que se sentia seguro ao fazer as operações financeiras da propina paga pelas empresas contratadas pela estatal por acreditar que “o Palácio do Planalto” sabia do esquema. A afirmação foi feita ao responder pergunta do deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA). "O senhor tem certeza de que o Planalto sabia?”, perguntou o parlamentar. “O [ex-diretor] Paulo Roberto Costa sempre dizia, quando havia alguma divergência no partido sobre pagamentos, que tinha que ter o aval do Palácio do Planalto”, respondeu Youssef.

Imbassahy perguntou então se Youssef se sentia mais seguro por causa disso. "“Sim. A partir do momento em que Paulo Roberto Costa disse pra mim que Paulo Bernardo [ex-ministro do Planejamento e das Comunicações] foi pedir R$ 1 milhão a ele para a campanha da [senadora] Gleisi Hoffmann de 2010, na minha opinião, o Palácio sabia”, disse. "Mas eu não tenho como provar isso", disse.

Segundo ele, em 2011 ou 2012, houve “um racha” entre os líderes do PP e isso foi motivo de discussão dos líderes com a Casa Civil e a Secretaria-Geral Presidência da República.

De acordo com Youssef, Paulo Roberto Costa disse que o Palácio do Planalto é que iria designar o novo “interlocutor” do partido. O líder do PP, na época, era o deputado Nelson Meurer (PP-PR).

Com o racha do partido, o Palácio do Planalto, com a participação de Paulo Roberto Costa, escolheu o deputado Arthur Lira (PP-AL) para substituir Meurer. Youssef disse que a troca de líderes foi feita por intermédio da então ministra Ideli Salvatti e do ex-secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

O doleiro negou, porém, ter repassado recursos para a campanha de Dilma Roussef em 2010.

Financiamento de campanhas

O doleiro também confirmou participação direta no financiamento de campanha de políticos do PP, do PMDB e do PT. 

Veja também: Youssef revela que fez dois pagamentos ao PT por meio de empresa de fachada

Ao responder a pergunta do deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), ele disse que financiou campanhas de vários candidatos do PP a pedido do ex-deputado José Janene. 

Youssef disse que não tratou pessoalmente com a maioria dos políticos, mesmo aqueles que ele financiou. Em resposta ao deputado Júlio Delgado (PSB-MG), o doleiro disse que, na maior parte das vezes, os nomes e valores destinados aos beneficiários eram repassados a ele pelos líderes do PP: Nelson Meurer, Mário Negromonte e João Pizzolatti.

Ele diferenciou os políticos que conhecia dos que não conhecia. Ele disse ter financiando algumas pessoas que não conhecia e não ter feito o mesmo para algumas que conhecia, já que foi apresentado a muitos políticos na casa do ex-líder do PP João Pizzolatti, em Brasília.

Youssef admitiu que algum político pode ter recebido recursos destinados por ele ao partido.

Ele disse, por exemplo, que não conhece o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Mas afirmou ter feito pagamento destinado a ele, por intermédio do empresário Fernando Soares, e atribuiu a informação ao empresário Júlio Camargo. De acordo com Camargo, o dinheiro foi pago para que a Câmara não questionasse o contrato da Toyo com a Petrobras para o aluguel de sondas.

Ele disse o mesmo da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). “Não conheço pessoalmente, mas fiz repasses”, disse.

De acordo com o doleiro, o financiamento da campanha de Raupp teria sido feito através de doação oficial da empreiteira Queiroz Galvão, enquanto o da campanha de Hoffmann teria sido feito em dinheiro. O dinheiro teria sido entregue em Curitiba a pedido de Costa.

Além dos líderes do PP, os políticos que ele afirma ter ajudado com recursos, direta ou indiretamente, foram os seguintes: Aguinaldo Ribeiro, Ciro Nogueira, Dilceu Sperafico, Eduardo da Fonte, José Otávio Germano, Lázaro Botelho, Luis Carlos Heinze, Luiz Fernando Farias, Renato Molling, Roberto Brito, Roberto Balestra, Waldir Maranhão, José Mentor, Lindberg Farias, Fernando Collor, Fernando Bezerra, Aline Corrêa, João Leão, Pedro Corrêa, Pedro Henri, Cândido Vaccarezza e Luiz Argôlo.

* Com Agência Câmara

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