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Nesta semana, governo deverá enviar ao Senado a mensagem da presidente Dilma Rousseff com os nomes escolhidos para presidir a ANTT, ANA e Anatel

Quatro meses depois do início do segundo mandato e na semana de maior embate no Congresso pela aprovação do ajuste fiscal, o governo pretende finalizar as indicações para os cargos mais cobiçados de segundo e terceiro escalões. 

Os nomes já estão sob análise da área jurídica da Casa Civil e a previsão é de que sejam enviados até sexta-feira (8), ao Senado, os indicados para dirigir agências reguladoras como a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Agência Nacional das Águas (ANA) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). 

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No geral, o governo tem 22,6 mil cargos nas estatais. Alvo de cobiça de todos os aliados, 4,8 mil cargos tem salários mais altos e são indicados por critérios políticos. 

O grande contemplado com o novo desenho será o PMDB. Após tomar o controle da articulação política do governo, o partido já emplacou vários nomes na direção. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), por exemplo, emplacou indicado seus na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com a escolha de Fernando Mendes e conseguiu reconduzir o atual diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Jorge Luiz Macedo Bastos. 

Além de Fernando Mendes, Dilma também indicou para a Anvisa, Jarbas Barbosa da Silva Júnior. Os nomes, no entanto, precisam ser apreciados pelos senadores. 

Pressão 

Renan, no entanto, deu sinais de que quer mais, ao se mostrar indócil com a presidente Dilma no final da semana passada. 

Segundo colegas de partido, o presidente do Senado ainda alimenta o desejo de voltar a controlar a Transpetro, subsidiária da Petrobras que Renan perdeu o controle com a saída de Sérgio Machado da direção da empresa, no ano passado, devido a envolvimento com o esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. 

Embora negue o desejo, segundo colegas de partido, Renan quer colocar na direção da empresa o ex-ministro do Turismo Vinícius Lages, seu apadrinhado político, desbancado da pasta pelo ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). A articulação para colocar Alves no Turismo contou com a participação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). 

Negociações 

A liberação dos cargos de segundo e terceiro escalões só desmanchou após Temer assumir o controle da articulação política, retirando a negociação das mãos do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante. 

O chefe da Casa Civil é acusado pelos peemedebistas de represar as definições. Mercadante passou a se ocupar mais da parte administrativa do governo, atribuição real de sua pasta, e menos da relação com os aliados, como ocorria no início do segundo mandato. 

As conversas, passaram a ser realizadas por Temer, pelo atual ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha e, do lado do PT, pelo ministro da Defesa, Jaques Wagner. 

O PMDB conseguiu também emplacar a direção do Banco do Nordeste (BNB) com a oficialização do economista Marcos Holanda, ligado ao líder do PMDB no Senado, Eunício de Oliveira (CE). Holanda foi coordenador da campanha de Eunício ao governo do Ceará no ano passado. Eunício, no entanto, perdeu a disputa para o petista Camilo Santana. No BNB, Holanda vai substituir Nelson de Souza, ligado ao PT. 

A direção de Furnas, hoje presidida por Flavio Decat de Moura, apadrinhado do ex-senador José Sarney (PMDB-MA) ainda é uma incógnita. 

Além da indicação de Alves para o Turismo, Eduardo Cunha emplacou um aliado em secretarias subordinadas a pastas já comandadas pelo PMDB. Um dos cargos a ser preenchido nos próximos dias será o do ex-deputado Júnior Coimbra (PMDB-TO) na Secretaria Nacional de Infraestrutura Turística, do Ministério do Turismo. 

Coimbra, que perdeu as últimas eleições, acabou cobrando a fatura por ter apoiado Cunha em sua campanha à Presidência da Câmara no ano passado. Ele acabou levando o cargo depois de ter conseguido assinaturas de mais de sessenta deputados em apoio ao seu nome, uma lista que entregou ao líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ) e ao próprio presidente da Câmara.

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