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Práticas nos centros de tortura apontavam para a utilização de animais e estupro de mulheres ligadas à ações revolucionárias

O relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV) aponta que pelo menos 1.843 pessoas em todo o Brasil foram submetidas a tortura e que houve 6.016 denúncias de atos de desrespeito aos direitos humanos no regime militar. No entanto, o colegiado reconhece que o número de pessoas torturadas é certamente maior.

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“O número de pessoas torturadas durante a ditadura, no entanto, é certamente maior. Há, como visto, o caso de presos políticos que não conseguiram fazer um relato das torturas sofridas nos processos movidos contra eles”, explica a Comissão Nacional da Verdade.

Conforme as investigações da CNV, as torturas ocorriam “a qualquer horário do dia”, visto que as instalações de locais como a Casa da Morte, em Petropólis (RJ) ou do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI/CODI) funcionavam, inclusive, de madrugada, conforme as investigações da Comissão.

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Entre os métodos de tortura, os pesquisadores listam choques elétricos; utilização da chamada “cadeira do dragão” (uma espécie de cadeira elétrica, na qual a vítima era colocada nu e recebia choques elétricos); de palmatórias com pregos; afogamentos (derramar água ou amoníaco no nariz da vítima); corredor polonês (onde uma fileira de torturadores era disposta para espancar a vítima); técnicas de sufocamento; técnicas de enforcamento; pau de arara (no qual a vítima ficava suspensa por um travessão com os braços e pés atados e era espancado por torturadores) entre outras.

Mas uma das técnicas de tortura que mais surpreendeu os investigadores da CNV foi a utilização de animais. Segundo o relatório da CNV, as vítimas ficaram expostas aos mais diversos animais como “cachorros, ratos, jacarés, cobras, baratas, que eram lançados contra o torturado ou mesmo introduzidos em alguma parte do seu corpo”.

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As vítimas também eram submetidas a outras técnicas de tortura, como a adoção da chamada “coroa de Cristo” (consistia na colocação de uma fita de aço em torno do crânio, com uma tarraxa permitindo que fosse apertada). Conforme a CNV, a ativista de esquerda Aurora Maria Nascimento Furtado morreu após ser submetida a esta técnica de tortura.

Também foram registradas outras técnicas de tortura, como o ateamento de fogo em partes do corpo das vítimas (chamada de churrasquinho) e a queima de partes do corpo das vítimas como cigarros. Os torturadores também arrancavam com alicate comum pelos do corpo (principalmente os pubianos), dentes e ou unhas.

Há até registros de vítimas que foram obrigadas a beber salmoura e introduzir palhas de aço no ânus e ser submetido a descargas elétricas ou mesmo aqueles que tiveram seus testículos amarrados com náilon.