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Legenda foi citada por executivo da Toyo Setal como beneficiária de um esquema de desvios na Petrobras; plano é trazer PSDB e outras legendas para perto do escândalo

Citado como beneficiário do esquema de desvio de recursos da Petrobras, o PT estuda ingressar com uma representação no Ministério Público Federal (MPF) do Paraná ou na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo um “processo de investigação ampla” sobre doações de campanha das empresas investigadas na Operação Lava Jato.

Fachada do diretório estadual do Partido dos Trabalhadores, na região central da capital paulista
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Fachada do diretório estadual do Partido dos Trabalhadores, na região central da capital paulista

Em depoimento prestado na Polícia Federal (PF), no dia 29 de outubro, o empresário Augusto de Mendonça Neto, diretor da Toyo Setal, declarou que empresas controladas por ele foram obrigadas a pagar até R$ 60 milhões a título de propina para manter contratos com a Petrobras.

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Ele disse que os valores eram pagos por meio de “parcelas em dinheiro”, “remessas em contas indicadas no exterior” e “doações oficiais ao Partido dos Trabalhadores”. Foi a primeira vez que algum executivo investigado na Lava Jato admitiu que fez doações a um partido político como forma de pagamento de propina. O depoimento veio a público na quarta-feira (3).

O iG apurou que o setor jurídico do PT já estuda formas de pedir uma investigação ampla das doações de campanha. Integrantes do partido dizem, nos bastidores, que as declarações de Mendonça Neto tinham o intuito de “desviar o foco da investigação”. Na visão dos petistas, ao apontar o PT como beneficiário de um esquema, Neto quis “transformar uma apuração do crime de cartel em crime eleitoral”.

Dessa forma, o PT quer que sejam apurados indícios de corrupção em outras obras, como na construção do Metro de São Paulo, ocorrido durante a gestão do PSDB. Os integrantes do partido acreditam que, se executivos de algumas empreiteiras afirmaram que pagaram propina para conseguir obras da Petrobras, eles também denunciariam práticas semelhantes em grandes obras de governos tucanos ou de outros partidos. Para um interlocutor do PT, “o pau que bate em Chico, também bate em Francisco. Não?”

Com os avanços das investigações da Operação Lava Jato, a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal começaram a levantar indícios de que uma forma de pagamento de propina por obras na Petrobras era justamente a doação para campanhas eleitorais. Ao todo, 12 partidos já foram citados por executivos como beneficiários de doações eleitorais de donos de empreiteiras investigadas pela Lava Jato. No entanto, até o momento, as testemunhas da Lava Jato falaram em repasses ilegais apenas para PP, PMDB e PT.

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A intenção do PT ao tentar ampliar a investigação sobre doações de campanha é, diretamente, atingir o PSDB, tido pelos petistas como maior beneficiado da divulgação de informações referentes à Lava Jato. O senador Aécio Neves (PSDB), presidente do partido e candidato derrotado á Presidência da República, por exemplo, aproveitou a denúncia de Mendonça Neto para tecer críticas ao PT na noite de quarta-feira. “Essa organização criminosa, que segundo a Polícia Federal se instalou no seio da Petrobras, participou da campanha eleitoral contra nós”, disse o tucano.