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Para núcleo ligado a ex-ministra, partido pode ser formalizado no começo 2015; plano é manter proximidade com o PSB

Marina Silva agradeceu Eduardo Campo após apuração das urnas
Vagner Campos/ MSILVA Online
Marina Silva agradeceu Eduardo Campo após apuração das urnas

O núcleo mais próximo da ex-senadora Marina Silva é uníssono em dizer que, no que diz respeito à criação da Rede Sustentabilidade, a derrota eleitoral da candidata do PSB à Presidência não vai alterar os planos de formalização do novo partido. Alguns dizem acreditar que a saída de Marina da corrida – ela não conseguiu chegar ao segundo turno depois de alcançar 21 pontos percentuais de vantagem sobre o tucano Aécio Neves – pode até contribuir para agilizar a criação da legenda. E Marina, dizem aliados, será protagonista desse processo.

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“Vamos seguir o plano de legalizar a Rede no primeiro trimestre do ano que vem. Nada muda”, diz Pedro Ivo, vogal da Rede e um dos mais próximos articuladores de Marina. “Após as eleições, há um compromisso. Nós vamos retomar, de maneira vigorosa, a coleta de assinaturas e, no máximo no começo do ano que vem, queremos dar entrada no TSE para a criação da Rede Sustentabilidade”, declara Walter Feldman, porta-voz da Rede e um dos coordenadores da campanha de Marina.

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O vereador paulistano Ricardo Young (PPS) é mais ousado na análise, e apesar de concordar com seus aliados, acredita que a derrota eleitoral poderia até ajudar a apressar o processo de criação da Rede. “Acho até que (a derrota) só acelera o desejo (de criar a Rede)”, arrisca Young.

Marina idealizou a Rede Sustentabilidade depois de deixar o PV, mas não conseguiu cumprir os requisitos legais para tirar a sigla do papel a tempo de disputar a eleição deste ano. A saída foi ingressar no PSB como vice do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos.

A articulação da Rede acabou sendo deixada de lado desde que Marina assumiu a cabeça da chapa presidencial com a morte do socialista e esfriou ainda mais no momento em que Aécio começou a avançar nas pesquisas. O argumento dos articuladores do partido era o de que a prioridade, naquele momento, era intensificar a campanha presidencial da ex-verde.

Enquanto Marina ainda disputava o primeiro turno, sua permanência no PSB era dada como certa. Havia um acordo entre as partes para evitar que, depois da eleição, a criação da Rede pudesse ser a causa de uma sangria de quadros do PSB rumo ao partido de Marina. Os socialistas chegavam a dizer, nos bastidores, que consideravam mínimas as chances de Marina de fato criar o novo partido, caso tivesse um bom desempenho nas urnas.

O resultado adverso na votação de ontem, porém, deve encurtar a permanência dela nas fileiras socialistas. A opinião é de Young. “O acordo estratégico entre Rede e PSB deverá se consolidar, mas esse processo não passa pela permanência de Marina lá”, afirmou o vereador paulistano.

Feldman aproveitou para criticar os adversários pela campanha negativa e reforçar o ímpeto de criação da Rede. “A Rede veio para ficar e terá muito a contribuir para a produção de um novo sistema político, que renove as práticas, que tenham campanhas com clareza de propostas e uma exposição de ideias e não com a violência e o conjunto de mentiras que infelizmente foi o que vimos nesta eleição", diz ele.