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Grupo contava com a participação do prefeito da cidade, Júnior do Posto, que foi preso

O titualr da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), Alexandre Capote, afirnou nesta quarta-feira (5) que a quadrilha desarticulada hoje pela polícia em Guapimirim, na Baixada Fluminense, foi responsável pelo desvio de R$ 48 milhões dos cofres públicos nos últimos quatro anos. 

A operação de hoje resultou na prisão de quatro pessoas, entre elas, o próprio prefeito do município, Renato Costa Mello Júnior, o Júnior do Posto e a candidata a prefeita, Ismeralda Rangel.

A quadrilha, segundo as investigações, prometeu pagar R$ 20 mil mensais a policiais caso Ismeralda Rangel ganhasse as eleições municipais de outubro.

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Com os presos, a polícia apreendeu mais de R$ 1 milhão em dinheiro e joias, além de armas, carregadores e munição. Ainda estão foragidos, o presidente da Câmara dos Vereadores, Marcelo do Prado Emerick, o Marcelo do Queijo, além de dois laranjas do bando, “Ivan do Gazetão e Ronaldinho.”

Como era feito o desvio

Prefeito Júnior do Posto preso hoje em operação da polícia do Rio
Divulgação
Prefeito Júnior do Posto preso hoje em operação da polícia do Rio

De acordo com as investigações, o grupo roubava dinheiro público dos cofres da prefeitura por meio de diversas ações criminosas. Alguns exemplos:

· Veículos particulares em nome dos acusados eram alugados para a prefeitura a preços superfaturados, como no caso de um automóvel ano 1993 que custava R$ 7 mil por mês aos cofres municipais.

· Notas fiscais contabilizam a venda de até 60 toneladas de carnes por mês para a Prefeitura, porém essa quantidade era incompatível com a demanda do município e com o porte do fornecedor. O mesmo artifício de vendas fantasmas era usado para fraudar compras de pães e outros alimentos. Há indícios, decorrentes das investigações, de que parte dessas aquisições é destinada à merenda escolar.

· O presidente da Câmara dos Vereadores, “Marcelo do Queijo”, é proprietário de uma empresa de manutenção de ar-condicionado que prestava serviços para a prefeitura com notas fiscais superfaturadas.

Organização ofereceu propina a policiais

Durante as investigações, os políticos criminosos procuraram policiais da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas e Inquéritos Especiais) para tentar um “acerto”. A Draco pediu autorização judicial para, de forma simulada, aceitar uma propina, como forma de ganhar a confiança dos investigados e conseguir mais provas.

Assim, no dia 27 de julho, policiais se encontraram com os criminosos num posto de gasolina em Guapimirim para receber a quantia de R$ 800 mil, entregue em notas de R$ 100 e R$ 50, oferecida como propina pela organização criminosa para que as investigações fossem encerradas. O dinheiro foi entregue aos policiais pelo presidente da Câmara dos Vereadores, vereador “Marcelo do Queijo”, acompanhado de outras pessoas. Chamou a atenção dos policiais o fato de as cédulas estarem úmidas e com cheiro de esterco, o que leva a crer que estavam enterradas.

Os R$ 800 mil recebidos pela Draco na tentativa de suborno foram imediatamente depositados numa conta bancária, à disposição da Justiça.

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