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Ministro do Supremo afirmou que quem perde com a briga é a própria Corte e defende que se acenda o "cachimbo da paz"

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello disse nesta sexta-feira (19) estar “perplexo” com a troca de acusações dos também ministros do Supremo Joaquim Barbosa e Cézar Peluso, que até ontem presidia a mais alta Corte do País. “Tal qual toda a sociedade em geral estou estarrecido, perplexo”. Sem querer entrar no mérito das acusações, Mello afirmou que quem perde mais com o episódio é o Supremo e disse que é hora de “acendermos o cachimbo da paz”. Mello foi presidente do STF entre 2001 e 2003. “Vão-se os cargos, mas ficam as pessoas”, ressaltou sobre a crise institucional vivida atualmente pelo Supremo.

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O ministro do STF Marco Aurélio Mello disse estar
Divulgação
O ministro do STF Marco Aurélio Mello disse estar "perplexo" com troca de acusações na Corte

Nesta sexta-feira, o ministro do STF Joaquim Barbosa atacou Cézar Peluso em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta sexta-feira (20). Peluso foi acusado pelo colega de manipular o resultado dos julgamentos de acordo com seus interesses. Barbosa assumiu ontem a vice-presidência do STF ao lado de Ayres Britto, que também tomou posse na presidência da Corte na última quinta-feira.

Ao jornal, Barbosa afirmou que “Peluso inúmeras vezes manipulou ou tentou manipular resultados de julgamentos, criando falsas questões processuais simplesmente para tumultuar e não proclamar o resultado que era contrário ao seu pensamento. Lembre-se do impasse nos primeiros julgamentos da Ficha Limpa, que levou o tribunal a horas de discussões inúteis”.

Barbosa também partiu para ataques pessoais contra Peluso. Chamou o ministro de caipira, tirânico, conservador, desleal etc.

Dias antes de deixar a presidência do STF, Peluso fez críticas a Barbosa em entrevista à revista eletrônica Consultor Jurídico. Disse que ele tem um “temperamento difícil”, é “inseguro”e que teria medo de ser qualificado como alguém “que foi para o Supremo não pelos méritos, mas pela cor”. “Dá a impressão que de que tudo aquilo que é absolutamente normal em relação a outras pessoas, para ele, parece ser uma tentativa de agressão. E aí ele reage violentamente”, afirmou na ocasião.

O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, também considerou lamentável a troca de acusações entre os ministros do STF. “Esse tipo de discussão pública contribui apenas para a queda de credibilidade do Poder Judiciário”.

Outros fatos mostram claramente esse clima de tensão no Supremo. Na última sessão como presidente do STF, Peluso não foi homenageado pelos colegas. Celso de Mello, decano da Corte e responsável por esse tipo de iniciativa, não compareceu à sessão de quarta-feira. O novo presidente do STF, Ayres Britto, tentou apaziguar os ânimos em seu discurso de posse ressaltando a qualidade dos dois ministros. Nos bastidores, fala-se que essa foi a primeira ação de uma frente que Britto pretende encabeçar para tentar arrefecer os ânimos entre os dois ministros.