Justiça decide manter Deolane Bezerra presa

Decisão também mantém outras cinco prisões preventivas em investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa

Deolane Bezerra foi presa em sua casa em Alphaville, no município de Barueri (SP), no dia 21 de maio de 2026, durante a Operação Vérnix
Foto: Reprodução/redes sociais
Deolane Bezerra foi presa em sua casa em Alphaville, no município de Barueri (SP), no dia 21 de maio de 2026, durante a Operação Vérnix

A Justiça de São Paulo manteve, nesta quinta-feira (27), a prisão preventiva da influenciadora digital Deolane Bezerra Santos e de outros cinco réus investigados por suspeita de lavagem de dinheiro e organização criminosa . As informações são do SBT News.

A decisão ocorreu após o Ministério Público de São Paulo (MPSP) pedir, na quinta-feira (20), a manutenção das prisões dos réus da Operação Vérnix . Deolane seria a principal integrante do núcleo financeiro de um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) .

Também continuam presos Marco Willians Herbas Camacho (Marcola), Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, Everton de Sousa, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.

O que levou a Justiça a manter as prisões

Deolane está presa desde 21 de maio , quando foi alvo de uma ação do Ministério Público e da Polícia Civil que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

Em junho, a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou Deolane, Marcola e os outros acusados réus por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A revisão das prisões aconteceu porque a legislação determina que a Justiça avalie a cada 90 dias se uma prisão preventiva ainda é necessária.

No caso, a decisão cita relatórios da Polícia Civil de São Paulo, e informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontam movimentações de grandes quantias de dinheiro por meio de depósitos divididos em valores menores, empresas de fachada, entre outros indícios.

A decisão afirma que os motivos usados para determinar as prisões continuam presentes.

A defesa de Deolane Bezerra afirmou ao iG que recebeu com surpresa a decisão que manteve a prisão preventiva.

A defesa de DEOLANE BEZERRA, patrocinada pelos advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes recebe a decisão de manutenção da prisão preventiva com surpresa, já que a prisão é manifestamente desnecessária, ilegal e desproporcional. Informa que sua cliente é inocente, não possuindo vínculo nenhum com organização criminosa, e que sua movimentação financeira é decorrente de atividades empresariais lícitas e de honorários advocatícios, conforme será devidamente comprovado durante a instrução probatória. A defesa reitera sua confiança nas instituições e continuará adotando todos os instrumentos cabíveis para restabelecer a liberdade de DEOLANE BEZERRA.
Defesa de Deolane Bezerra.


O caso dos irmãos Camacho

Entre os presos estão os irmãos Marco Willians e Alejandro Juvenal Herbas Camacho. Segundo a acusação, eles teriam ligação com o comando da organização criminosa e controle da Transportadora Lado a Lado .

A empresa é apontada no processo como um dos pontos de partida para a movimentação de dinheiro investigada.

O juiz também citou conversas encontradas em um celular apreendido e anotações escritas à mão encontradas na Penitenciária II de Presidente Venceslau .

Segundo a decisão, mesmo depois de serem transferidos para o sistema penitenciário federal, os irmãos continuariam exercendo influência sobre pessoas ligadas a eles e sobre negócios que, de acordo com a acusação, seriam usados para lavar dinheiro.

A Justiça também manteve a prisão preventiva de Everton de Sousa, conhecido como "Player" e "Temer". Segundo a decisão, ele teria trabalhado como intermediador financeiro, fazendo a ligação entre pessoas e operações envolvendo dinheiro, além de fiscalizar atividades dentro da estrutura investigada.

Os seis continuam presos preventivamente enquanto o processo segue em andamento.


Justiça já negou pedidos de liberdade

Deolane permanece presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.

Desde maio, a defesa tentou derrubar a prisão ou substituí-la por prisão domiciliar. Em junho, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou por unanimidade um pedido de liberdade.

Em julho, o Tribunal de Justiça de São Paulo também negou um novo habeas corpus. A relatora, desembargadora Renata Cantello, entendeu que não havia ilegalidade capaz de justificar a soltura ou a transferência para prisão domiciliar. 

O iG  procurou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para confirmar a decisão desta quinta-feira (27). Em resposta, o tribunal informou que o processo "tramita sob segredo de justiça e, portanto, as informações dos autos são restritas às partes e seus advogados".