Tamanho do texto

Processo custava R$ 4 mil e era feito com a aplicação de hidrogel no glúteo e selado com supercola. Cerca de 60 mulheres foram vitimas em Minas Gerais

mamãe do bumbum arrow-options
Reprodução / Facebook
Conhecida como "Mamãe do Bumbum", Amanda Juliana Fernandes França aplicava hidrogel e selava buraco no corpo de clientes com supercola.

Uma esteticista conhecida como "Mamãe do Bumbum" foi presa em Contagem, Minas Gerais, nesta sexta-feira (20), acusada de realizar aplicações de silicone industrial nas nádegas de mulheres e usar supercola para fechar a pele das clientes. Além dela, Dayse Viviane Martins Lopes, dona do estabelecimento, de 34 anos, também foi detida. 

Leia mais: Funcionários impedem entrada de deficiente em mercado: "me senti desprotegida"

Identificada como Amanda Juliana Fernandes França, de 41 anos, a "Mamãe do Bumbum" realizava os procedimentos na casa da dona do salão. O local também era usado para sessões de bronzeamento artificial sem autorização.

O delegado Rodrigo Bustamante, responsável pelo caso, disse ao Uol que as vítimas ficavam deitadas na maca quando a anestesia era aplicada por Amanda. Na sequência, a " Mamãe do Bumbum " fazia um buraco na superfície da pele das clientes para introduzir as substâncias industriais nos glúteos. 

"Era uma agulha grossa, que fazia um buraco um pouco maior na superfície da pele e, após o final do procedimento, ela usava cola instantânea para tapar o buraco. O processo de infecção tem início a partir da rejeição, e surgem buracos nas nádegas, é o corpo tentando expelir a substância". 

Anestésicos que não podiam ser utilizados pela esteticista por falta de formação profissional foram apreendidos no salão. "Essa aplicação tem que ser feita apenas por profissionais da saúde. Para evitar uma possível inflamação ou rejeição do produto, ela (a esteticista ) introduzia antibióticos nessas vítimas", disse o delegado. 

As investigações apontam que a " Mãe do Bumbum " cobrava cerca de R$ 4 mil para cada procedimento. Ao menos 60 mulheres realizaram as aplicações de silicone no glúteo com a esteticista que atuava em Minas Gerais, mas é natural do Rio de Janeiro. 

Leia também: Homem invade trabalho de ex-namorada, atira em funcionários e deixa dois mortos

Os agendamentos eram feitos por Dayse, a dona do salão, que recebia uma comissão de 10% do valor pago pelas clientes. Desde novembro que a polícia estava investigando o caso. Diversas vítimas procuraram a delegacia informando denunciando a aplicação do hidrogel. "O silicone industrial serve para vedar vidros, para utilizar na limpeza de peças de avião e de navio. Nunca é recomendado para uso estético porque pode causar a embolia pulmonar e a morte", disse Bustamante.

A pena de Amanda Juliana Fernandes França pode chegar a 15 anos de reclusão por exercício irregular de profissão, estelionato e manuseio de produtos sem regulamentação Legal.