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Divulgação / Corpo de Bombeiros
Cabos Moraes e Batalha morreram soterrados tentando salvar vítimas de chuvas fortes da Baixada Santista, nesta terça-feira

Um dos lemas do Corpo de Bombeiros é a proteção à vida. Seja diante de incêndios, enchentes, ou deslizamentos, a adrenalina, a técnica e o risco seguem lado a lado quando se trata da rotina dessa categoria militar que encara difíceis missões como heróis. Mas nem sempre é possível sair com vida diante das situações de salvamento.

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Na tentativa de ajudar mãe e bebê do deslizamento que aconteceu no Morro do Macaco, localizado na Baixada Santista nesta terça-feira (3), morreram soterrados os cabos Marciel de Souza Batalha, de 46 anos, e Rogério de Moraes Santos, de 43, atuavam no 6º Grupamento Marítimo, no Guarujá. Junto com eles, dezenas de pessoas morreram no local devido as fortes chuvas que atingiram a região. 

As duas vítimas que eles tentaram salvar Thatiana Lopes de Lima Gomes, de 25 anos e o filho, Arthur Rafael de Lima, um bebê de 10 meses, também morreram no local. O cabo Moraes foi resgatado com vida por moradores da região, mas entrou em parada cardiorrespiratória durante o trajeto ao hospital. Até o fim da tarde da terça (3), o corpo do cabo Batalha estava entre os desaparecidos.

Soldado Batalha trabalhava arrow-options
Reprodução / Facebook
Soldado Batalha trabalhava no Guarujá.

Sustentados à base de pão com mortadela, banana, marmita de arroz, feijão e frango, os bombeiros escavavam sem descanso a encosta que veio abaixo com a chuva. Ao longo de 12 horas, o acúmulo de chuva no Guarujá chegou a 282 mm, segundo a Defesa Civil. Esse nível de água é superior ao esperado para todo o mês de março na região de Santos. 

 Duas décadas de corporação


A unidade do Corpo de Bombeiros onde trabalhava o cabo Moraes celebrava no último sábado (29) os 20 anos de serviço de dois integrantes da corporação. A tragédia aconteceu no primeiro dia de serviço de Moraes na equipe que atendeu a ocorrência. A vaga foi ocupada antes do cabo Nogueira, que foi parceiro de Batalha durante oito anos. O turno dos dois havia sido trocado por uma decisão de chefia. 

Ao jornal O Globo, o bombeiro Nogueira lamentou a morte dos companheiros de farda. "Era pra ser eu no lugar de Moraes". O bombeiro chegou ao local da tragédia de forma voluntária assim que soube que o colega de trabalho foi soterrado. 

Ironia do destino

Os heróis que tinham como lema salvar vidas sofreram um primeiro acidente juntos há dois anos. Batalha e Moraes foram atropelados enquanto tentavam resgatar um gato de um bueiro. A dupla teve traumatismo e antes de retornar às ruas para cumprir as missões de salvamento, passaram por atendimento psicológico. 

Despedida

Nas redes sociais , a morte dos militares está sendo lamentada. Amigos e familiares tem escrito no perfil de ambos as últimas palavras virtuais por não conseguirem se despedir em vida. No perfil de Vanessa Alonso, esposa do cabo Batalha, pessoas desejam conforto e consagram a bravura do militar. “Meus sentimentos a toda família . Um herói o céu agora”, escreveu uma amiga no facebook. O casal estava junto há dois anos. 

Viaturas do Corpo de Bombeiros e da Polícia militar realizaram nesta quarta-feira (4) o cortejo aos corpos dos cabos Rogério de Moraes Santos e Marciel de Souza Batalha. O trajeto aconteceu por avenidas do Guarujá e foram escoltadas pelos oficiais. 

O Corpo de Bombeiros de São Paulo lamentou a morte dos militares em uma publicação feita na conta oficial do Twitter. "Uma Corporação em luto, a Família Corpo de Bombeiros de São Paulo sente o pesar desta triste fatalidade. Imagens do cortejo de nosso irmão de farda Cb PM Rogério de Moraes Santos. Que o coração de cada familiar seja confortado".

A corporação de bombeiros da Bahia prestou homenagens os dois cabos que morreram no cumprimento da missão. Sirenes foram acionadas e colegas de profissão fizeram sentido, com um minuto de silêncio. O vídeo foi compartilhado nas redes sociais e viralizou.

Até o momento, mais de 30 pessoas estão desaparecidas no local onde os militares morreram.

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