Streamers chineses vão para debaixo de pontes. Entenda

Em 11/3, a influencer chinesa Naomi Wu fez uma live mostrando streamers, um do lado do outro, numa rua rica do país (a cidade não foi revelada). Todos eles também faziam transmissões ao vivo.

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Em outros momentos, foi possível ver que os streamers e influencers vão até para debaixo de pontes. Tudo isso, segundo Wu, é para burlar o serviço de geolocalização. Os profissionais acreditam que mais dinheiro em locais ricos, como com maiores gorjetas.

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Até o fechamento desta galeria, foram mais de 17 milhões de visualizações, ou seja, praticamente o somatório das populações de Rio de Janeiro e São Paulo. Foram ainda cerca de 22 mil curtidas.

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A estratégia é marcar que está em um local rico. Assim, as lives aparecem mais para os moradores da região. Estes, algumas vezes, buscam por conteúdo produzido apenas nos arredores.

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"O que está acontecendo é que elas estão jogando com o recurso de localização. As plataformas de streaming permitem que os usuários pesquisem conteúdo local. Bairros mais ricos significam contribuições maiores", conta Wu.

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Wu também comentou que os streamers se sentem seguros fazendo as lives, mesmo a maioria sendo feita à noite. Este é o horário que o público relaxa e acessa o celular após o trabalho.

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Aliás, muitos dos streamers também precisam trabalhar durante o dia para complementar a renda. Ela conta que a movimentação, ainda mais em áreas ricas e com tudo sendo filmado, inibe a movimentação de bandidos.

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"Não é inseguro, são tantas transmissões ao vivo que um pervertido seria pego instantaneamente. Pessoas sentadas confortavelmente sob abrigo e trabalhando com segurança ao ar livre para dicas? Que tipo de distopia horrível é essa?", contou.

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"Motoristas de entrega na China e em outros lugares são os que trabalham em condições verdadeiramente terríveis, mas a linda e-girl que ganha dinheiro de colarinho branco pode pegar um resfriado", completou, ao Grupo Globo.

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A China é um país que tem algumas redes sociais censuradas. Assim, as lives costumam ser feitas em plataformas e sites desenvolvidos no próprio país. Algumas plataformas são Douyin e o Kuaishou, concorrentes do Tik Tok. Outra muito usada é a Huajiao.

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A exposição feita por Wu levantou um debate para dentro e fora do país, além de inspirar pessoas, especialmente jovens, que são a grande maioria dos profissionais que trabalham com lives.

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A China também limita alguns tipos de conteúdo, como falar de política e ostentar. O governo também quer impedir sonegações dos streamers. As autoridades começaram a interferir nesse ramo da economia em junho do ano passado.

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Um pouco antes, porém, no final de 2021, a China deu uma grande multa no então maior streamer do país, Huang Wei, também conhecido como Viya. Ele se desculpou publicamente, mas perdeu algumas de suas redes sociais.

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Já o influencer Austin Li Jiaqi recebeu uma censura de alguns meses em 2022 após criticar o governo.

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Naomi Wu tem 28 anos e tem um conteúdo voltado para ensinar as pessoas fazerem coisas por conta própria, na técnica "Do it Yourself" ("Faça isso você mesmo").

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Um streamer é o nome dado ao profissional que trabalha fazendo lives. O termo vem do inglês "streaming". Este, por sua vez, é o nome dado para a tecnologia de transmissão de dados pela internet, principalmente aúdio e vídeo, sem a necessidade de baixar o conteúdo, ou seja, fazer download.

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O Spotify, a Netflix, o Amazon Prime, a Globoplay e o Deezer são alguns exemplos de plataformas de streaming. No entanto, para fazer lives, destacam-se Youtube, Instagram, Facebook e Twitch. Este último, porém, não permite o procedimento de geolocalização.

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.A China é o país com a maior população do mundo, com cerca de 1,4 bilhões de pessoas. Ou seja, lugar tem cerca de 18% da população mundial. Além disso, o país é o terceiro mais extenso do planeta, com cerca de 9.596.960 Km², só atrás da Rússia e do Canadá.

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Portanto, é um ótimo lugar para se promover e vender produtos, até porque a China é o segundo país mais rico do mundo, só atrás dos Estados Unidos. Os dois são os únicos com mais de 10 trilhões de dólares (algo em torno de R$ 55 trilhões de PIB, o Produto Interno Bruto, o somatório de tudo o que foi produzido.

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