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Sergio Andrade

Empresário tem planos de entrar em gestão aeroportuária no Brasil - grupo tem concessões em Quito e San José

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Sergio Andrade usou sua habilidade de tecelão corporativo não apenas para juntar os fios dos novos negócios da Andrade Gutierrez, mas também para costurar a reestruturação administrativa do grupo

No fim dos anos 90, a Andrade Gutierrez enfrentava dilemas existenciais dos quais não estão livres um personagem sartriano ou mesmo uma grande corporação. Não obstante ser uma das maiores e mais tradicionais construtoras do País, espreitava o futuro com dúvida, inquietação e uma certa dose de aflição. O setor de infraestrutura vivia no ocaso. As grandes obras públicas haviam ficado nos arquivos de jornais, nas gavetas das décadas de 70 e 80. O porvir apontava para queda de receita e dificuldade de manutenção do ritmo de crescimento histórico da companhia. A Andrade Gutierrez decidiu, então, partir para um processo de diversificação estratégica que permitisse reduzir sua dependência em relação ao setor de construção pesada. 

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À frente desta transmutação estava Sergio Andrade. Filho de um dos fundadores da companhia, Roberto Andrade, ele assumiu o desafio de comandar a complexa migração da construtora para mares nunca dantes navegados. Hoje, passada mais de uma década, a Andrade Gutierrez é um conglomerado com participações em diversos setores, mais de 200 mil funcionários e um faturamento anual na casa dos R$ 17 bilhões. Sergio Andrade, por sua vez, tornou-se um dos mais influentes e prestigiados líderes empresariais do País. Pela manhã pode estar em sua sala, de frente para a enseada de Botafogo, no Rio; à tarde, no gabinete da presidente Dilma Rousseff. 

Antes de submergir na reestruturação da Andrade Gutierrez, Sergio Andrade deu suas primeiras braçadas como empresário fora do grupo. Praticante de mergulho, montou uma empresa de prestação de serviços submarinos. Tanto ao mar quanto ao céu. Guiado por outra paixão pessoal, seu ato seguinte seria a abertura de uma fábrica de ultraleves. Anos mais tarde, pilotaria um boeing chamado Andrade Gutierrez. 

Na primeira metade da década de 90, antes de assumir a gestão executiva do grupo, Sergio Andrade notabilizou-se como um dos artífices do processo de diversificação do grupo. Conseguiu convencer duas gerações de acionistas de que o futuro da companhia não estava apenas nos canteiros de obra. O primeiro passo para além da engenharia apontou na direção do setor de telecomunicações, com a criação da AG Telecom. O grupo comprou uma empresa de sistemas, a Proceda, e criou a Pegasus, fornecedora de infraestrutura de fibras ópticas para operadoras de telefonia. 

A partir daí, esticou seus tentáculos para a área de saneamento, com a paranaense Sanepar, de concessões rodoviárias, por meio da CCR, e o setor elétrico, com a participação na Cemig. Em 2008, com a fundação da Logimed, a Andrade Gutierrez entrou na área de logística, mais precisamente no segmento de equipamentos médicos e hospitalares. Os números comprovam o faro de Andrade. Hoje, todas os demais negócios do grupo já respondem por um faturamento superior ao da construtora. Entre 2007 e o ano passado, a receita consolidada mais do que duplicou, passando de R$ 7,8 bilhões para R$ 16,8 bilhões. 

O principal capítulo da diversificação estratégica da Andrade Gutierrez e um dos fatos mais marcantes na trajetória de Sergio Andrade se deu em 1998. Ao lado da La Fonte, de Carlos Jereissati, o grupo liderou o consórcio que arrematou a concessão da Tele Norte Leste, que daria origem à Telemar/Oi. A operação foi cercada de controvérsias, a começar pelo questionamento ao pedigree do consórcio. Ao fim do leilão do Sistema Telebrás, o mercado se perguntava como uma das mais cobiçadas concessões havia ficado nas mãos investidores sem qualquer experiência no setor. O tempo mostraria que aqueles temores do mercado eram infundados. 

Logo depois, Sergio Andrade se viu no meio de um turbilhão. O escândalo dos grampos do BNDES trouxe à tona supostas articulações sobre o leilão da Tele Norte Leste. Andrade, que sempre guardou calculada distância dos holofotes, estava no centro do palco. Neste roteiro, havia espaço para a aposta quase generalizada de que Andrade, Jereissati e cia. não passavam de companheiros de uma curta viagem e logo cumpririam seu destino, ou seja, a venda da operadora para “alguém do ramo”. Andrade e seus sócios não apenas ficaram com a empresa como protagonizaram, anos depois, uma das maiores negociações do setor: a fusão entre a Oi e a Brasil Telecom. Sergio Andrade foi um personagem fundamental na costura da operação. Posteriormente, teve também papel central nas gestões para a entrada da Portugal Telecom no capital da Oi. 

O excelente trânsito junto ao governo é um de seus maiores trunfos. Amigo pessoal do ex-presidente Lula, Andrade mantém interlocução permanente com Dilma Rousseff. 

Homem discreto, de gestos contidos – ele próprio costuma dizer, quase como um cartão de visitas, que é “no profile” – Sergio Andrade usou sua habilidade de tecelão corporativo não apenas para juntar os fios dos novos negócios da Andrade Gutierrez, mas também para costurar a reestruturação administrativa do grupo. Um trabalho extremamente complexo, levando-se em consideração o desafio de harmonizar os interesses das três famílias acionistas. Desde 2007, quando Otavio Azevedo assumiu a presidência, os sócios saíram por completo da gestão executiva. Os acionistas passaram a se aninhar no Conselho de Administração e um comitê executivo. Cada família está agrupada em uma empresa ligada à holding. Se o êxito de uma operação delicada como esta pode ser medido pelos decibéis da indiscreta voz da intriga, Andrade terminou seu bordado sem qualquer ponta solta. Durante todo o processo de redesenho da estrutura de poder do grupo, não se registrou qualquer caso de divergência explícita. 

Sempre que perguntado sobre os novos passos da Andrade Gutierrez, Sergio Andrade não arreda pé da mesma resposta: infraestrutura. O empresário tem planos firmes de entrar em gestão aeroportuária no Brasil – o grupo já tem concessões dos aeroportos de Quito, no Equador, e San José, na Costa Rica. De olho no pré-sal, o grupo vem também ampliando sua atuação na prestação de serviços para o setor de exploração e produção de petróleo. No ano passado, comprou o controle da Aratu Óleo e Gás. Tudo com altíssimas doses de planejamento estratégico, certo? Mais ou menos. Andrade é adepto da ideia de que os grandes negócios surgem nas oportunidades e não a partir de estratégias pré-elaboradas. 

Andrade também cuida com esmero da expansão internacional da companhia, presente em 44 países. Na América Latina, mantém obras na Venezuela, República Dominicana, Peru, Colômbia e Panamá. Na África, está à frente de projetos em países como Angola, Guiné Equatorial, Argélia e Moçambique. No mapa de negócios da Andrade Gutierrez, o Brasil ainda é responsável por maior parte da receita: 58% em 2012. No entanto, o mercado internacional tem uma fatia cada vez maior do bolo. A América Latina, por exemplo, respondeu por 21% do faturamento no ano passado.
Dados Pessoais
  • Empresário, com atuação no setor de construção civil e telecomunicações, entre outros
  • Graduado em Engenharia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
  • Nasceu em Belo Horizonte (MG)
  • Casado