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Otávio Azevedo

Executivo da categoria "os poderosos dos poderosos", é a voz de um dos mais influentes empresários do País

Otávio Azevedo
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Otávio Azevedo

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Empresário comanda um colar de empresas com negócios nas áreas de construção civil, telecomunicações, saneamento, concessões rodoviárias e energia e atuação em mais de 30 países

Há os poderosos. E também os poderosos dos poderosos. Otávio Marques de Azevedo se enquadra nesta categoria. Azevedo é não apenas um executivo de inegável prestígio, comandante de um grande grupo, mas, acima de tudo, braço direito e voz de um dos mais influentes empresários do país, Sergio Andrade. Há quem diga que os dois são apenas um. Diante de uma decisão de Azevedo, o interlocutor sabe que está ouvindo a palavra de Andrade, tamanho o mimetismo. Em duas décadas na Andrade Gutierrez, o executivo conduziu a consolidação da companhia na área de telecomunicações, atuou na linha de frente de um dos maiores negócios do setor – a fusão entre Oi e Brasil Telecom – e se transformou em contumaz interlocutor entre a iniciativa privada e o governo, independentemente dos inquilinos do poder instalados em Brasília. 

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Difícil acreditar que Otávio Azevedo não seja um Andrade ou que não tenha feito toda a sua carreira no conglomerado que hoje comanda. Azevedo é tão ou mais low profile do que Sergio Andrade ou do que o próprio grupo. Poucos executivos ostentam um grau de exposição tão inversamente proporcional ao seu status pessoal e ao peso do cargo que ocupa. Aparições na mídia são espaçadas. Dificilmente concede entrevistas. Quando o silêncio é quebrado, suas declarações primam por um tom razoavelmente formal, como se cada palavra tivesse sido previamente calculada. Coisa de mineiro, que se comunica por entrelinhas. Otávio Azevedo costuma dizer que foi “privatizado” por Sergio Andrade. Antes de chegar à Andrade Gutierrez, o executivo já levava quase duas décadas de experiência em empresas públicas. Em 1974, pouco depois de se formar em engenharia econômica pela Universidade Federal de Minas Gerais, entrou na Cemig. No fim da década de 70, transferiu-se para a Telemig, chegando à presidência da estatal mineira. Posteriormente, assumiu a vice-presidência da Telebrás. A esta altura, já no governo de Fernando Collor de Mello, Azevedo participou dos primeiros estudos para a privatização do setor de telecomunicações. 

“A cidade (Rio de Janeiro) renasceu. É hoje o principal polo de investimento público do País.”
 

A venda do Sistema Telebrás só ocorreria em 1998. Já a “desestatização” do executivo se daria antes, em 1992. No primeiro semestre daquele ano, recebeu o convite de Sergio Andrade – um convite que, curiosamente, rejeitou. Naquele momento, alegou estar envolvido em importantes projetos da Telebrás. Àquela altura, aos 41 anos de idade, certamente ponderou se era a hora de deixar para trás uma já sólida biografia no setor público, atravessar as montanhas das Alterosas e sair do outro lado, em um dos maiores grupos privados do país. 

A chegada de Otávio Azevedo à Andrade Gutierrez pode ser vista como um cruzamento de turning points. Se o executivo abandonava sua zona de conforto na área estatal, o grupo preparava-se para profundas e prementes mudanças estratégicas. A economia agonizava junto com o governo Collor. Ao fim de 1992, o PIB recuaria 0,5%, fechando um tenebroso triênio, ao longo do qual a atividade econômica decresceu, em média, 1,2%. O setor de infraestrutura cambaleava. Obras públicas escassearam. 

A Andrade Gutierrez, naquele momento extremamente dependente do Estado, viu-se diante da necessidade de rever seu modelo de negócio e buscar alternativas à retração do mercado de construção pesada. O grupo, então, partiu para uma drástica reestruturação, centrada na diversificação de suas operações. A Andrade decidiu focar em serviços de infraestrutura que guardassem sinergias com a atividade de construção, mais especificamente em concessões públicas. 

Nesse contexto, Sergio Andrade enxergou em Otávio Azevedo um nome mais do que talhado para dirigir a AG Telecom, a então incipiente divisão do grupo na área de telecomunicações. Azevedo detinha ativos que seriam fundamentais para a investida da Andrade Gutierrez em telefonia: conhecimento técnico, intimidade com os primeiros rascunhos traçados para a futura privatização do Sistema Telebrás e, sobretudo, notória capacidade de articulação. O executivo conhecia cada esquina, cada quebrada do insondável labirinto da telefonia nacional, formado, além da holding federal, por mais de duas dezenas de companhias estaduais, com enormes gaps estruturais e financeiros entre elas. 

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Na segunda metade da década de 1990, Otávio Azevedo participou ativamente das articulações para o ingresso da Andrade Gutierrez nos leilões do setor de telefonia. Curiosamente, Azevedo costurou, à época, uma aliança com a Portugal Telecom. O grupo integrava o consórcio que arremataria o controle da Telesp Celular, mas saiu antes mesmo da licitação em razão do alto custo do investimento. Anos mais tarde, o tempo mostraria que os caminhos da Andrade e da PT estavam fadados a se cruzar. A construtora, no entanto, não faria forfait no leilão da Telebrás. Ao lado de Sergio Andrade, Otávio Azevedo foi um dos artífices da formação do consórcio com a La Fonte e o investidor Antônio Dias Leite que ficaria com a concessão da Telemar.  

Coube, então, a Otávio Azevedo assumir a presidência da Telemar. Na época, muito se questionou a ausência de um operador no bloco de controle da empresa, o que levou o mercado a apostar suas fichas na tese de que os acionistas da companhia ali estavam de passagem e, na primeira oportunidade, se livrariam do negócio. Diante dessa ambiência extremamente hostil, Azevedo conduziu, logo na partida, um plano de expansão e modernização da empresa. Em quatro anos, a operadora saltou de oito milhões para mais de 18 milhões de assinantes. Nos anos seguintes, já como presidente do Conselho de Administração da Oi, Azevedo pontificou em duas das maiores negociações da história do setor: a fusão com a Brasil Telecom e, posteriormente, a associação com a Portugal Telecom. 

Em 2007, o executivo que um dia, mesmo que por poucos meses, disse “não” ao convite de Sergio Andrade, foi escolhido para assumir a presidência da Andrade Gutierrez. Sua nomeação marcou a profissionalização da gestão do grupo, com a saída de Sergio Andrade do comando executivo. A esta altura, a relação entre ambos já estava soldada a ferro e fogo. Como afirma um ex-executivo do grupo, Otávio Azevedo é um sócio sem ações, mas com um grande capital: a total confiança de Sergio Andrade. Em 2009, Azevedo capitaneou mais uma grande operação: a compra de 33% da Cemig, que valeu à Andrade Gutierrez o ingresso em uma das maiores empresas do setor elétrico. 

Hoje, Otávio Azevedo comanda um colar de empresas com negócios nas áreas de construção civil, telecomunicações, saneamento, concessões rodoviárias e energia e atuação em mais de 30 países. Em sua gestão, a Andrade Gutierrez consolidou seu processo de diversificação – hoje, a área de engenharia responde por menos da metade do faturamento total do grupo, em torno de R$ 17 bilhões em 2012.
Dados Pessoais
  • 61 anos
  • Empresário, com atuação no setor de construção civil e telecomunicações, entre outros
  • Graduado em Engenharia Econômica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Planejamento Estratégico pela Fundação Getulio Vargas (FGV)
  • Nasceu em Belo Horizonte (MG)
  • Casado