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Marcelo Odebrecht

Empresário mostrou ter carapaça de rinoceronte para encarar eventuais trepidações financeiras e questões delicadas

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Há apenas cinco anos na presidência de um dos grandes grupos do país, Marcelo Odebrecht se cristalizou como uma das lideranças empresariais mais respeitadas por seus pares e pelo próprio governo

“Viaje mais, presidente”! A recomendação surgiu como o estampido de uma Glock num festejo de São João. Um único e certeiro tiro foi o suficiente para abafar o foguetório de críticas à agenda internacional do ex-presidente Lula. Nem tanto pela força da munição, mas, sobretudo, pelo calibre do autor do disparo. O artigo com o título desafiador, publicado no jornal “Folha de S. Paulo” no auge dos ataques às viagens de Lula, é um exemplo bem talhado do poder de fogo de seu autor, Marcelo Odebrecht. Ao defender sua própria bandeira – a Odebrecht era uma das empresas bombardeadas por patrocinar deslocamentos do ex-presidente no exterior –, e trafegar na contramão da oposição, de parte da mídia e da própria opinião pública, Marcelo mostrou toda a força do sobrenome que carrega e da patente que ostenta. Pouco mais de 60 linhas depois do provocativo enunciado, tornara-se ainda maior do que já era. Há apenas cinco anos na presidência de um dos grandes grupos do país, Marcelo Odebrecht se cristalizou como uma das lideranças empresariais mais respeitadas por seus pares e pelo próprio governo. 

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O CEO de uma das maiores corporações do país pode, perfeitamente, ser chamado de Odebrecht III. Marcelo Odebrecht representa a terceira geração de uma das mais importantes dinastias empresariais do País. A cada passo, leva sobre os ombros o desafio de suceder o avô, Norberto Odebrecht, que fundou o grupo em 1944 e o comandou por quase meia década, e o pai, Emílio, presidente da companhia entre 1991 e 2001. Ressalte-se que, logo após a saída de Emílio da gestão executiva, o executivo Pedro Novis foi nomeado para o cargo de CEO. Como o tempo haveria de mostrar, seria um planejado interregno na dinastia familiar. Naquele momento, já havia um Odebrecht sendo preparado para ocupar o trono em um futuro não muito distante.  

“Energia tem de ser muito trabalhada, assim como a questão da infraestrutura, da competitividade, da produtividade. É saneamento, logística, portos, aeroportos"
 

A metáfora monárquica não é gratuita. Desde cedo, Marcelo Odebrecht já despontava na linha sucessória do grupo. Por longo tempo foi cuidadosamente esculpido para o cargo, polimento que passou por uma sólida formação acadêmica e pelo por um rigoroso processo de imersão em todos os negócios da Odebrecht. Antes de percorrer as demais ramificações desta árvore, Marcelo deteve-se à raiz, ao início de todo o grupo. Sua entrada na empresa se deu pelos canteiros de obra. Em 1992, após concluir o curso de engenharia na Politécnica da Bahia, Marcelo foi trabalhar na construção de um prédio em Salvador. Dois anos depois, lá estava ele entre os tapumes de uma hidrelétrica em Goiás. 

Do Cerrado partiu para a Inglaterra, onde, ainda na década de 90, a Odebrecht montava duas plataformas de petróleo. Pouco depois, Marcelo ingressou no mestrado do International Institute for management Development (IMD), em Lausanne, na Suíça. Após uma curta passagem pelos Estados Unidos, o empresário teve seu primeiro grande teste: desembarcou na área petroquímica em meio ao grande processo de consolidação do setor liderado pela própria Odebrecht. Em 2001, o grupo comprou o controle da Copene. No ano seguinte, a partir da costela da antiga Odebrecht Petroquímica (OPP) nascia a Braskem, uma das maiores petroquímicas da América Latina. 

Em 2002, Marcelo Odebrecht assumiu a área de engenharia e construção do conglomerado. No posto, mostrou sua disposição para o risco – calculado, mas ainda risco. Um exemplo extremamente representativo é o da usina de Santo Antônio. No momento da chegada de Marcelo à presidência da construtora, o projeto hibernava havia dois anos. O lançamento de novos empreendimentos hidrelétricos no Amazonas era visto com ressalva por investidores e pelo próprio governo. Marcelo bancou a aposta. Ao todo, o grupo desembolsou mais de R$ 200 milhões nos estudos de viabilidade do projeto – até aquele momento sem qualquer garantia de contratação. Em 2007, ao lado de outros investidores, a Odebrecht venceu o leilão da Aneel para a construção e operação da usina. 

A chegada de Marcelo Odebrecht à presidência da construtora representa um turning point não apenas em sua trajetória, mas para o próprio grupo. Sua ascensão ao comando de uma das áreas nevrálgicas da companhia coincide com a implantação de um novo modelo de governança, pano de fundo para a saída de Emílio Odebrecht da presidência da holding – a partir de então, ele ficaria concentrado no Conselho de Administração. Naquele momento já transcorria o que dentro da Odebrecht convencionou-se chamar de “sucessão planejada”. A indicação à presidência da construtora era apenas um rito de passagem, a última antessala a separar Marcelo do comando do grupo, porta que, finalmente, ele viria a cruzar em 2008. 

Seus primeiros passos se deram em um terreno ainda não completamente pavimentado. Ao assumir, Marcelo Odebrecht teve a tarefa de consolidar a reestruturação do grupo, que passou pela desmobilização de ativos e a saída de negócios pouco rentáveis. Marcelo moldou o atual perfil estratégico da Odebrecht, um grupo extremamente diversificado, com atuação em concessões públicas, incorporação imobiliária, petróleo e gás, gestão ambiental, produção de etanol, entre outros negócios. Em 2011, o empresário de boa mira conduziu a entrada do grupo em um novo setor, com a criação da Odebrecht Defesa e Tecnologia. Este emaranhado de empresas, presentes em 25 países, somou R$ 85 bilhões de receita no ano passado. 

Neste momento, Marcelo Odebrecht tem outros desafios no front que vão além da consolidação do grupo. No ano passado, a corporação teve um prejuízo de R$ 1,5 bilhão. Sua dívida chegou à casa dos R$ 60 bilhões. Parte do aumento do passivo se deve aos investimentos ainda em fase de maturação. Um dos principais casos é o da Odebrecht Agroindustrial, antiga ETH, na qual o grupo já aportou mais de R$ 10 bilhões. Marcelo tem trunfos para desatar esse nó. Muitos destes projetos estão começando a gerar caixa. Além disso, algumas das principais empresas do grupo têm apresentado resultados positivos. A construtora, por exemplo, teve lucro de R$ 800 milhões em 2012.  

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Marcelo Odebrecht já mostrou ter carapaça de rinoceronte para encarar eventuais trepidações financeiras e outras questões igualmente delicadas. Não por acaso, sua gestão é marcada pelo irrompimento de um dos mais ruidosos litígios da cena empresarial brasileira. A eventual saída da família Gradin do capital da Odebrecht transformou-se em um contencioso. Em jogo, o destino de aproximadamente 20% de um dos maiores grupos nacionais e um montante que pode chegar aos US$ 3 bilhões. No duelo com os sócios, Odebrecht empunha seu florete com firmeza e agressividade, sem, no entanto, perder a elegância. 

Marcelo Odebrecht é um dos empresários nacionais mais respeitados pelo Planalto. A admiração não veio gratuitamente. Marcelo foi buscá-la. Reza a lenda que, durante sua passagem pela Casa Civil, Dilma Rousseff não nutria a maior das simpatias pelo herdeiro da Odebrecht. Tempos passados. Em conversas com colaboradores mais próximos, Dilma já chegou a se referir a Marcelo como o maior empresário brasileiro. Talvez sejam os R$ 17 bilhões de investimentos anunciados pela Odebrecht para 2013, isso no momento em que o governo caça recursos para tocar alguns dos maiores projetos de infraestrutura do país. Talvez seja a ousadia de apontar para o mar quando todos enxergam apenas terra. Muito provavelmente, todos estes fatores entram na conta do prestígio de Marcelo Odebrecht.
Dados Pessoais
  • 45 anos
  • Empresário, com atuação no setores de engenharia, construção e petroquímica
  • Graduado em Engenharia na Politécnica da Bahia, com MBA pela International Institute for management Development (IMD), na Suíça
  • Nasceu em Salvador (BA)
  • Casado, pai de 3 filhos