ver novamente
Luiz Nascimento

Vice-presidente de um conglomerado com mais de 60 mil funcionários e faturamento anual próximo dos R$ 20 bilhões

Luiz Nascimento
29

Luiz Nascimento

Influência

  • Política
  • Econômica
  • Social
  • Midiática

Enquete

O que você achou deste personagem?
  • GOSTEI

    VOTOS
  • NÃO GOSTEI

    VOTOS

Luiz Nascimento

29

Um dos três genros de dona Dirce de Camargo, morta em abril, ele sempre se notabilizou pelas conexões junto a outros líderes empresariais e autoridades

Só os incautos se deixariam enganar pelo cartão de apresentação de Luiz Roberto Ortiz Nascimento. Não obstante ser um dos vice-presidentes do Conselho de Administração da Camargo Corrêa, Nascimento consolidou-se como a grande liderança do grupo - não apenas intramuros, como também na interlocução com outros empresários e o próprio governo. Por onde passa, carrega consigo o poder que emana de um conglomerado com mais de 60 mil funcionários, atividades em quase 20 países e um faturamento anual próximo dos R$ 20 bilhões.

Desde a morte de seu fundador, Sebastião Camargo, em 1994, a Camargo Corrêa passou a ser vista por muitos como um gigante sem face, por mais contraditório que possa parecer: não pela ausência de um rosto, mas pela diversidade deles. A partir de então, o poder passou a ser repartido - não necessariamente compartilhado - entre a matriarca Dirce Navarro de Camargo (morta em abril deste ano) e seus três genros, Luiz Nascimento, Carlos Pires Oliveira Dias e Fernando Botelho (falecido em 2012), casados, respectivamente, com Renata, Regina e Rosana Camargo.

Desde 1996, este mosaico passou a contar também com a figura de um executivo profissional. O primeiro foi o ex-Bradesco Alcides Tápias, que deixou o grupo três anos depois para assumir o Ministério do Desenvolvimento. Posteriormente, foi a vez de Raphael Antonio Nogueira de Freitas. Desde 2006, Vitor Hallack acumula o comando do Comitê Executivo e a presidência do Conselho de Administração da holding Camargo Corrêa S.A.

A presença de um "forasteiro" na cadeia de comando ajudou a turvar ainda mais a visão em relação à hierarquia administrativa da Camargo Corrêa, o que, diga-se de passagem, serviu também para alimentar as intrigas sobre as relações entre os herdeiros de Sebastião Camargo. Falar em um clima de guerra fria talvez seja exagero. A relação entre Dona Dirce Camargo e seus genros - que avançaram no grupo à medida que as filhas de Sebastião Camargo demonstraram seu pouco pendor para a gestão empresarial - sempre foi respeitosa, mas cheia de anteparos.

Economista, formado pela Universidade Mackenzie, Luiz Roberto Nascimento ingressou na Camargo Corrêa em meados da década de 70. Desde então, seja diretamente em funções executivas ou como conselheiro acumula passagens pelas principais empresas do grupo, como Camargo Corrêa Energia, a têxtil Tavex, Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI), a cimenteira argentina Loma Negra, além, claro, do braço de construção civil.

Após a morte do marido, Dona Dirce Camargo chegou a assumir o comando das companhias. Mesmo após a profissionalização da gestão, reza a lenda que a viúva de Sebastião Camargo seguiu manejando os condões do grupo, sempre com a última palavra. Neste caso, restava aos demais dirigentes duelar pela penúltima.

Tem canal aberto com Lula e Dilma - faz parte do círculo restrito convocado pela presidente para discutir assuntos de interesse do empresariado


No organograma, Luiz Roberto Nascimento, Carlos Pires e Fernando Botelho sempre figuraram na mesma linha, sem distinções explícitas de funções ou hierarquia. Mas Nascimento sempre se notabilizou por suas conexões junto a outros líderes empresariais e autoridades. Tem canal aberto com Lula e Dilma - faz parte do círculo restrito regularmente convocado pela presidente para discutir assuntos de interesse do empresariado.

Nascimento é um dos artífices do processo de diversificação da Camargo Corrêa nas últimas duas décadas. Em 1995, o grupo entrou nas áreas de energia e de concessões rodoviárias - quatro anos depois, surgiria a CCR, a maior administradora de estradas do país, uma sociedade com a Andrade Gutierrez e outros investidores.

Em 2003, ingressou no setor imobiliário, com a criação da CCDI. Em 2007, costurou a fusão entre a Santista Têxtil, sua controlada, e a espanhola Tavex, dando origem à maior fabricante de tecido denim do mundo. No ano seguinte, pôs um pé na indústria naval com a inauguração do Estaleiro Atlântico Sul, em parceria com a Queiroz Galvão. No mercado de cimento, foram dois grandes saltos, com a compra da argentina Loma Negra e da portuguesa Cimpor, respectivamente em 2005 e em 2012.

Coube a Luiz Nascimento conduzir as articulações corporativas e políticas para o ingresso na construção das hidrelétricas de Belo Monte e Jirau, os dois grandes projetos de geração em curso no país.

Condutor de um dos maiores conglomerados corporativos do país, que se prepara para estender seus tentáculos em grandes negócios na área de infraestrutura


Nascimento carrega uma característica nata de empreiteiros e afins. Discreto, raramente aparece na mídia. Não concede entrevistas - buscar uma declaração sua é como procurar uma agulha no canteiro das obras de Belo Monte. Uma das poucas menções ao empresário fora do noticiário corporativo e institucionalizado ocorreu em dezembro de 2009, por ocasião do casamento entre seu filho, Luiz Eduardo Nascimento, e a marroquina Naima Bennani. Colunas sociais bradaram a festança para 400 convidados, com menu sob a responsabilidade do chef francês Phillippe Marc, braço direito de Alain Ducasse, enviado pelo hotel Plaza Athénée especialmente para a efeméride.

Por mais paradoxal que possa parecer, o low profile Nascimento costuma dar pitacos na comunicação corporativa da Camargo Corrêa. Foi dele, por exemplo, a proposta de produção de um documentário, em parceria com o Discovery Channel, sobre a construção da hidrelétrica de Itaipu. A ideia veio quase como epifania. Em 2009, no quarto de um hotel nos Estados Unidos, o empresário assistiu a um vídeo similar sobre a instalação da hidrelétrica de Hoover Dam, no estado do Nevada.

O distanciamento da mídia não livra Luiz Roberto Nascimento de ser exposto. Todo grande líder empresarial atravessa seu deserto. Não seria diferente com Luiz Roberto Nascimento. Ainda assim, nada que abale o prestígio do condutor de um dos maiores conglomerados corporativos do país, que se prepara para estender seus tentáculos em grandes negócios na área de infraestrutura, como concessões aeroportuárias.
Dados Pessoais
  • Empresário
  • Graduado em Economia pela Universidade Mackenzie
  • São Paulo (SP)
  • Casado