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Fernando Pimentel

Apesar das críticas, Pimentel propõe a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia

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Para sobreviver ao armamento pesado da oposição e vencer a disputa pelo governo mineiro, o ministro precisará neutralizar as denúncias que o ameaçam nos últimos anos

Mineiro que é mineiro costuma ser um bom contador de história e, ao final de um dedo de prosa, consegue convencer o interlocutor de que é dono do melhor argumento. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, espera contar com essa ajuda extra para se garantir em duas frentes de batalha pra lá de difíceis.

Em uma das trincheiras, o ministro enfrenta a resistência de quem não quer nem ouvir falar da aproximação entre Mercosul e União Europeia, que negociam há mais de uma década um acordo de livre comércio.

As conversas começaram em 2004 e, se depender do calendário mais recente acertado entre os países envolvidos, o acordo pode finalmente sair do papel no final deste ano. Se isso de fato ocorrer, Pimentel poderá ter dividendos políticos por conseguir o que os antecessores não conseguiram. Mas até que isso ocorra, permanece no ar a dúvida sobre quem se beneficia com o acordo. A aproximação entre os dois blocos, avaliam alguns especialistas em política internacional e comércio exterior, representaria um risco para as relações costuradas com Argentina e Venezuela – graças à dedicação do ex-presidente Lula e mantidas pela presidente Dilma Rousseff, a quem serve como ministro.

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Debaixo de críticas, o ministro já disse: “Não somos protecionistas nem podemos ser. Seria como dar um tiro no próprio pé. Mas o Brasil sabe de sua imensa potencialidade agrícola e mineral, conhece sua responsabilidade no concerto mundial como fornecedor de recursos que serão crescentemente demandados e que são escassos”.

Mais intimidade com a União Europeia

Enquanto compra briga nas relações econômicas internacionais, Fernando Pimentel ainda tenta se descolar das denúncias que remetem aos tempos em que ocupava o principal gabinete da prefeitura de Belo Horizonte.

O Ministério Público de Minas Gerais investiga possíveis contratos firmados sem licitação pela prefeitura de Belo Horizonte no período em que Pimentel era prefeito. Estão sob análise pelo menos 85 contratos. Juntos, eles somam cerca de R$ 55 milhões. As investigações foram deflagradas depois da revelação, feita em 2011, de que a empresa do prefeito, a P-21 Consultoria e Projetos, teria recebido R$ 2 milhões no período entre a sua saída da prefeitura da capital mineira e a sua nomeação para o Ministério do Desenvolvimento. A maior parte dessa soma teria saídos dos cofres da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e da construtora Convap. O MP tenta ainda descobrir se houve outras contratações feitas entre 2003 – quando Pimentel assumiu a prefeitura em substituição a Célio de Castro – e 2008, último ano dele no cargo.

Pimentel prefere se esquivar do tema e atribui a devassa a interesses políticos da oposição. O ministro é dos nomes do governo de Dilma que deve deixar Brasília para disputar as eleições de 2014. Fernando Pimentel é um dos pré-candidatos ao governo mineiro e sabe que não poderá sofrer mais do que alguns arranhões superficiais caso queira ter chances reais de se eleger. Sobre as denúncias, sua assessoria diz que todos os contratos firmados passaram por análise técnica e jurídica. As contas relativas ao período investigado estão disponíveis no Tribunal de Contas do Estado.

Chances políticas

Pesquisas apontam o nome do atual ministro como o favorito à sucessão do governador tucano Antonio Anastasia. Em cinco cenários pesquisados, considerando-se as candidaturas de Pimentel, do senador Clésio Andrade, do PMDB, e de possíveis apostas de nomes tucanos (Dinis Pinheiro, Renata Vilhena e Danilo de Castro), o petista lidera com quase 35% das intenções de voto. Todas as correntes ideológicas do PT o apoiam, e o deputado federal Reginaldo Lopes, presidente estadual da legenda em Minas Gerais, admitiu que a candidatura de Fernando Pimentel está mais que consolidada.

Além das investigações do MP, os adversários de Pimentel devem escarafunchar outra história dos tempos da P-21 Consultoria e Projetos. Em 2012, após intervenção de Dilma, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República arquivou dois processos em tramitação que tinham como alvo o ministro. O primeiro processo envolvia negócios da P-21 Consultoria e Projetos antes de ele assumir o ministério. O segundo caso, o fretamento de um jatinho que o levou à Europa quando ele já despachava na Esplanada dos Ministérios. A oposição via semelhanças entre o caso de Pimentel e o do ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci, que teve de deixar o governo após a denúncia de ampliação de patrimônio da ordem de 20 vezes. Mas, ao contrário do ex-ministro, o titular do Desenvolvimento rebateu os comentários dos críticos.

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Sem ter deixado até agora uma grande marca como titular do MDIC – até porque o político não teve muita chance de peitar os efeitos da crise econômica internacional –, Pimentel deverá usar a seu favor na disputa pelo governo mineiro os dividendos conseguidos nos tempos de prefeito. O site inglês “Woldmayor” apontou Fernando Pimentel com o oitavo melhor prefeito do mundo, em 2005.

Fernando Pimentel também deve contar com a chefe Dilma Rousseff no palanque – eles se conhecem desde os tempos de movimento estudantil em Minas. Ele é um dos interlocutores mais próximos da presidente com quem dá provas de estar bem afinado. Por exemplo, ao dizer que o Brasil se prepara para se tornar o quarto maior produtor de veículos do mundo. 'Caoso' de mineiro? Quem sabe.
Dados Pessoais
  • 62 anos
  • Economista e político, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
  • Graduado em Economia pela PUC-MG, com mestrado em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais
  • Nasceu em Belo Horizonte (MG)
  • Casado, pais de dois filhos