ver novamente
Eduardo Paes

Político desde os 23, conquistou o "mandato de ouro", que será coroado com os primeiros Jogos Olímpicos do Brasil

Eduardo Paes
21

Eduardo Paes

Influência

  • Política
  • Econômica
  • Social
  • Midiática

Enquete

O que você achou deste personagem?
  • GOSTEI

    VOTOS
  • NÃO GOSTEI

    VOTOS

Eduardo Paes

21

Prefeito do choque de ordem, trabalha desde o primeiro dia de governo para deixar ainda mais maravilhosa a capital do Rio de Janeiro

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, tem um sonho e uma fixação que se conjugam num só alvo: 2016. Não se trata, como de praxe, do cálculo de médio e longo prazos que os políticos costumam forjar suas ações no presente em busca de dividendos eleitorais no futuro. Ele sabe que os benefícios nas urnas virão a seguir, mas 2016, no caso, é um foco não-eleitoral - pelo menos por ora. Desde que o Rio ganhou a disputa para ser a sede dos Jogos Olímpicos, Paes impôs a si o mérito e o desafio de ser o prefeito olímpico: ao reeleger-se em 2012, rechaçou na primeira hora a possibilidade de desistir da gestão municipal para candidatar-se ao governo do Estado. Não era daquelas habituais frases de prestidigitação dos políticos, destinadas a ganhar tempo e deixar para o amanhã a revisão do seu projeto. Este carioca bem nascido da zona sul do Rio sabia que aquele triunfo era bem maior do que querelas eleitorais. Seus ganhos poderão ser muito mais robustos, compatíveis com o tamanho da pedreira que tem pela frente.

"Pensem em um homem feliz, pensem em Eduardo Paes"


As urnas garantiram a Eduardo Paes não só a permanência no poder municipal por mais quatro anos como o "mandato de ouro" – o luminoso período em que a cidade receberia a Jornada Mundial da Juventude, a Copa das Confederações, a Copa do Mundo de 2014 e, para fechar o ciclo, a primeira Olimpíada do Brasil. Para a vida de um político que não pensa pequeno, esse é um privilégio que acontece raríssimas vezes - se acontece. "Pensem em um homem feliz, pensem em Eduardo Paes", tem repetido desde então, com o sorriso de boa praça que costuma conceder a interlocutores quando está de bom humor. Paes sempre afirma que os governos no restante do país têm inveja dele, afinal é o prefeito da cidade mais maravilhosa do País, carregou a bandeira olímpica em Londres e fará questão de passá-la para Tóquio em 2016, no Maracanã.

Confira o ranking Os 60 mais poderosos do País

Entenda o ranking dos poderosos

Até os cariocólogos mais empedernidos, no entanto, sabem tratar-se de uma trilha tão privilegiada quanto arriscada. Dois dos quatro eventos, como se sabe, já são passado (não sem polêmicas, louros, dúvidas e inquietações, como se lerá a seguir). O grande teste ainda está por vir, e os olhos de todo o mundo e dos eleitores e adversários de Paes se voltarão para o Rio e seu prefeito na Copa e na disputa olímpica. Até lá, ambos - prefeito e cidade - precisam mostrar continuamente que tem mais a oferecer do que a reconhecida e única exuberância natural. E têm. Também enfrentarão as cassandras habituais, os dotados da síndrome de vira-latas que atinge o Brasil de tempos em tempos e aqueles que, movidos por bairrismo ou política, torcem o nariz para a condição de sede olímpica. O prefeito sabe que vencê-los, só com especial competência.

Bem nascido

Eduardo da Costa Paes nasceu no verão de 1969, precisamente no dia 14 de novembro. Passou boa parte da infância no privilegiado bairro do Jardim Botânico, antes de a família se mudar para São Conrado - a meio passo da zona oeste da cidade, para onde o Rio se expandiria fortemente. Chegou a fazer figuração em novelas da TV Globo na juventude e se formou em direito na PUC-Rio, mas a entrada precoce na vida pública o afastou das duas coisas.

Aos 23 anos, iniciaria a fulgurante, mas errática, trajetória política - um passeio por diferentes partidos e grupos políticos, algo que até hoje ancora parte das críticas que recebe. Os ataques são justificáveis para aqueles que esperam coerência partidária. Paes esteve em cinco diferentes legendas: PFL, PTB, PV, PSDB e PMDB, onde está hoje. Integrante da Juventude Cesar Maia, foi designado subprefeito de Jacarepaguá e Barra da Tijuca, permanecendo no cargo de 1993 a 1996, durante mandato do então prefeito Cesar Maia, seu primeiro padrinho político. Em 1996 foi eleito vereador pelo PV. Como presidente da Comissão de Orçamento da Câmara, criou o chamado "orçamento cidadão", que possibilitava à população participar das decisões a respeito da utilização dos recursos da prefeitura. Dois anos mais tarde foi eleito deputado federal, cargo que largou no meio do mandato para ser o secretário do Meio Ambiente da cidade (Cesar Maia fora reeleito). Mestre e discípulo, no entanto, não tardariam a se afastar. Paes brigou com Maia e ingressou no PSDB de Fernando Henrique Cardoso e José Serra.

Foi como unha e carne de Cabral e Lula que acabou eleito em segundo turno. Foi como trio inseparável que o Rio venceu a disputa pela sede olímpica


Foi como tucano que, em 2006, em sua primeira candidatura majoritária, para o governo do Rio, obteve 5,5% dos votos válidos. No segundo turno, apoiou Sérgio Cabral. No ano seguinte seria lançado pelo partido do recém-eleito governador como o candidato à prefeitura do Rio. Mais tarde, em 2008, receberia, de braços abertos, o apoio de Luiz Inácio Lula da Silva, causando estranheza naqueles que lembraram que, ainda deputado federal pelo PSDB em 2002, atacou de forma dura e pessoal o presidente. Eram águas passadas de um entrevero de dois políticos que ignoram miudezas típicas dos cidadãos comuns. Foi como unha e carne de Cabral e Lula que acabou eleito em segundo turno, derrotando Fernando Gabeira, do PV. Foi como trio inseparável que o Rio venceu a disputa pela sede olímpica.

Em 2012, ao ser reeleito prefeito da cidade, a campanha de Eduardo Paes mostrou-se bem diferente da primeira. Quatro anos antes, Sérgio Cabral - no auge da popularidade com a política de pacificação das favelas e com a revitalização econômica do Estado - tornou-se fundamental como cabo eleitoral de Paes. (Fora o governador, sublinhe-se, o intermediário garantidor da recém-amizade do prefeito com o presidente Lula). Em 2012, porém, Paes mostrou que já não precisava de apadrinhamentos - tinha, em vez deles, orçamentos e programas com musculatura suficiente para lhe permitir visibilidade e aprovação popular. Lula e Cabral atuaram de forma tímida até. Dilma ofereceu sua imagem para engrossar os elogios feitos pelos aliados. Mas foram aparições pontuais, sem o peso da eleição anterior. Estava claro que Eduardo Paes adquirira vida e estrela próprias - com a vantagem, convém ressaltar, de ter enfrentado adversários sem peso eleitoral para ameaçar-lhe.

Choque de ordem - e de confrontos

Logo quando tomou posse a primeira vez, aos 39 anos, Eduardo Paes comprou brigas pesadas. Mandou derrubar construções irregulares em favelas e na zona sul da cidade. Tirou camelôs das ruas. Declarou guerra aos motoristas que estacionam o carro sobre a calçada. Trouxe de volta uma palavra-fantasma que assombrava muitos cariocas humildes – "remoção". A essas iniciativas batizou de "choque de ordem", evidente inspiração na política que fez reviver Nova York nos anos 1990. A bandeira saiu da comissão de frente do segundo mandato, mas o fantasma continua a existir como uma zona de sombra a tisnar a avaliação que muitos fazem sobre a gestão do prefeito. Volta e meia precisa vir a público negar que ocorram remoções forçadas por causa de obras na cidade. Recentemente assistiu à Anistia Internacional iniciar uma campanha para pedir a revisão da política de remoções de moradores das comunidades do Rio.

Paralelamente pôs mãos à obra no projeto Porto Maravilha, uma de suas novas bandeiras em seu sonho de tornar-se um segundo Pereira Passos - prefeito que mudou a face do Rio no início do século XX. O projeto prevê a modernização da região portuária com três grandes obras: a demolição do Elevado da Perimetral, a transformação da Avenida Rodrigues Alves em via expressa e a construção da Avenida do Binário, que inclui o Túnel da Saúde, o Túnel do Binário e o Túnel da Via Expressa, previsto para ser entregue em 2015. Inicialmente orçadas em R$ 8 bilhões, as obras – como reza a cartilha dos empreendimentos públicos no Brasil – devem superar o custo.

Mas nem só de obras e polêmicas constrói-se a gestão de Eduardo Paes à frente do Rio. Se há uma unanimidade a citar é a exemplar versão carioca do programa Saúde da Família. Trata-se de um dos melhores casos do Brasil, com excelência internacional, que nos últimos três anos possibilitou medicina familiar e preventiva a mais de 3 milhões de moradores dos bairros e comunidades mais desfavorecidos – aqueles que até a existência do programa não possuía um decente apoio público de saúde.

Nos holofotes, mas com resultados

Paes gosta de holofotes. Ele encarna a reciclagem, com melhorias, da estratégia que ficou notabilizada pelo ex-prefeito Cesar Maia: fatos que chamem a atenção da população devem ser elevados à oitava potência. No caso de Maia, os gestos eram vistos como "factoides" – fatos ou informações irrelevantes com o poder de chamar a atenção da mídia. (A propósito, quem criou o neologismo não foi Cesar Maia, como muitos pensam. Foi cunhado em 1973 por Norman Mailer no seu livro "Marilyn: uma biografia", significando, segundo o jornalista, "fatos que inexistiam antes de aparecerem numa revista ou jornal, criações que são menos mentiras do que um produto destinado a manipular a emoção da Maioria Silenciosa"). Mas Eduardo Paes é mais sábio hoje do que foi Cesar Maia em seu tempo. Suas criações surgem como consequência de um governo que não para, conduzidas por um prefeito que levanta numa madrugada e trabalha até a madrugada seguinte. A comparação, porém, reside na eficácia na produção de polêmicas.

"Seria uma revolução ter o Rio limpo. E sem precisar fazer como em Cingapura, onde a pessoa que joga lixo na rua leva palmada em praça pública"


A última delas é o lixo. Entrou em vigor no Rio uma lei que multará o cidadão que sujar as ruas da cidade com valores que variam de R$ 157 a R$ 3 mil. Ao convidar o carioca a abraçar a medida, o prefeito fez uma de suas brincadeiras: "Seria uma revolução ter o Rio limpo. E sem precisar fazer como em Cingapura, onde a pessoa que joga lixo na rua leva palmada em praça pública", disse. No primeiro dia da nova lei, 110 pessoas foram multadas na região do Centro, para a qual foram destacados grupos formados por um policial militar, um guarda municipal e um agente da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) para vigiar os passantes e multá-los na hora, mediante a apresentação do CPF. Em caso de recusa, o cidadão era encaminhado à delegacia mais próxima.

O programa, batizado de Lixo Zero, dividiu opiniões. Houve quem criticasse o caráter repressivo da medida e sua eficácia ao longo do tempo, lembrando que a prefeitura deveria instalar mais cestas de lixo – que são poucas – e aprimorar o sistema de coleta, antes de multar. Os mais radicais condenam a própria Comlurb, ou a ineficiência dela, pela sujeira da rua. Quem defende o programa aponta um argumento certeiro: o cidadão muitas vezes age mesmo como um imundo e que, doendo em seu bolso, pensará duas vezes antes de jogar um papel ou uma guimba de cigarro nas calçadas da cidade.

Quase ao mesmo tempo em que passava a valer a Lei do Lixo, Paes deu uma entrevista ao jornal "O Globo", na qual afirmou que está disposto a arcar com os custos de produção – que não saem por menos de US$ 20 milhões – caso o cineasta Woody Allen decida fazer um filme passado no Rio. Protestaram imediatamente os professores do município, que pedem um reajuste salarial de 19%, enquanto a prefeitura oferece só 7,35%. O ator Paulo Betti escreveu ao jornal: "Se fosse o dono de uma fazenda ou estivesse falando de seus domínios medievais, talvez o alcaide não tivesse se revelado tão convictamente autoritário. Deve, no mínimo, temer acampamento e protesto na frente sua casa também". O certo é que as manifestações começadas em junho tiveram como alvo direto o governador do Estado, Sérgio Cabral, e não o prefeito. (Vendo o amigo levado às cordas pela população, Paes afirmou: "Cabral está sofrendo bullying político no mais elevado grau").

Da paz com o papa à briga na noite

O prefeito está acostumado aos embates. Às vezes com dimensões internacionais. Outros com amplitudes paroquiais, mas não discretos. No primeiro caso está enquadrada a realização da Jornada Mundial da Juventude, quando o papa Francisco ficou preso num engarrafamento no centro da cidade e ficou cercado pela multidão que queria vê-lo de perto e tocá-lo; quando o metrô parou de funcionar durante duas horas no dia da abertura; quando a gigantesca estrutura construída especialmente para o encontro dos jovens católicos, em Guaratiba, e o local se transformou num enorme lamaçal em consequência da chuva. Mas o esquema funcionou brilhantemente nos eventos realizados em Copacabana, a multidão protagonizou uma festa e o prefeito respirou aliviado.

No segundo caso – os embates de dimensões paroquiais – recorde-se o episódio da noite de 25 de maio de 2013: Paes se envolveu numa briga com o músico Botika. Ambos estavam num restaurante de comida japonesa no bairro do Horto. O prefeito foi xingado e deu um soco no músico. Em nota, Paes disse que críticas são bem vindas, mas que agressões pessoais em momentos privados não são aceitáveis. Não era um factoide.
Dados Pessoais
  • 43 anos
  • Político, prefeito da cidade do Rio de Janeiro
  • Formado em Direito pela PUC-Rio
  • Nasceu no Rio de Janeiro (RJ)
  • Casado, pai de dois filhos