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Cid Gomes

De temperamento forte e equilibrado, o governador do Ceará é considerado um político hábil e cuidadoso

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O político está em seu segundo mandato como governador. É, até agora, o ponto mais alto de uma carreira política que começou ainda na faculdade, quando presidiu o Centro Acadêmico do curso de engenharia da Universidade Federal do Ceará

Cid Gomes, atual governador do Ceará, pertence a algo mais que uma família. Em Sobral, os Ferreira Gomes são uma dinastia que almoça e janta política há várias gerações. Entre seus antepassados, no século 19, estão os dois primeiros prefeitos da cidade, cargo que Cid também ocupou, a partir de 1997, e antes dele seu pai, José Euclides Ferreira Gomes, entre 1977 e 1983. Por isso mesmo seus desafetos consideram os Gomes uma oligarquia poderosa que, durante a última ditadura, foi aliada de César Cals, governador do Ceará de 1971 a 1975. Cid, o irmão mais velho Ciro e o caçula Ivo reagem irritados à acusação. Mas a família se expande pelo reduto eleitoral e pelo estado nordestino. O pai é nome de ponte, avenida, hospital, escola e do prédio da prefeitura sobralense, o “palácio municipal”. A mãe, de rua e escola. E Ciro Gomes batizou uma vila olímpica na cidade. 

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A presença do clã em cargos públicos é ainda mais significativa. Cid, hoje com 50 anos, está em seu segundo mandato como governador. É, até agora, o ponto mais alto de uma carreira política que começou ainda na faculdade, quando presidiu o Centro Acadêmico do curso de engenharia da Universidade Federal do Ceará (UFC). Foi o mais jovem presidente da Assembleia Legislativa do Ceará na história. Depois de um hiato como consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento, em 2005, quando morou nos Estados Unidos, venceu as eleições para governador no primeiro turno. Ciro, por sua vez, foi deputado estadual e federal, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará e candidato à presidência da República. E Ivo já é deputado estadual pela segunda vez e o atual secretário de Educação de Fortaleza.  

Além da altura – um metro e oitenta e quatro – e os cabelos cada vez mais escassos, Cid também compartilha com os irmãos o temperamento forte que, em seu caso, é mais equilibrado, apesar de certa exaltação durante uma greve de professores, quando afirmou que “quem quer dar aula faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado”. 

Também não ajudou muito a contratação de Ivete Sangalo para animar a festinha de inauguração de um hospital por R$ 650 mil, dinheiro que muita gente preferia gasto na própria Saúde. A despeito dos tropeços, é considerado um político hábil e cuidadoso e que realizou diversas obras em Sobral durante sua administração, entre 1997 e 2004.  

“Esse momento requer muita reflexão. É próprio, é comum, papel da juventude de manifestar”


Foi na cidade do noroeste cearense que Cid mergulhou de vez na política. Acostumou-se à política nos debates do chamado Becco do Cotovelo, no Centro da cidade, onde se reúne a inteligentsia sobraleinsis. É lá que a população discute desde as últimas medidas macroeconômicas do governo federal até o comprimento da saia da moça mais próxima. De preferência, com um cafezinho ou uma cerveja nos bares do seu Benedito ou de Luiz Torquato. Cid Gomes reformou o local em 1999 e o cobriu com ombrelones para atenuar a canícula sertaneja. Agora as meninas dos olhos do governador são o metrô de superfície por VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e a criação de uma universidade na região, com o apoio da presidente Dilma Roussef, com quem troca sorrisos, confidências e promessas de grandes obras. 

Com um Produto Interno Bruto que cresce sistematicamente mais que o PIB nacional, o Ceará sonha em deixar de ser um estado pobre, onde a população vive historicamente com metade da renda média brasileira. No ano passado, cresceu quatro vezes mais, chegando aos 3,65 %, enquanto o pibinho ficou abaixo de 1%. No ranking geral, continua a ser a 11a economia do país, mas já é o quarto maior investidor. Por isso, a atenção do governador em obras de infra-estrutura. O Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável, mais conhecido como São José III, prevê a instalação de sistemas de abastecimento em 30 municípios do bem mais caro que pode existir no interior do Ceará: a água. O investimento total é de US$ 300 milhões, obtidos com o Banco Mundial e, além da distribuição de água, promove a criação de bois, cabras, ovelhas, abelhas e peixes, hortas e plantações de mandioca e de cajueiros. 

A construção da Refinaria Premium II, que será erguida no Complexo Industrial e Portuário de Pecém, promete ser a joia mais brilhante da aliança entre Dilma e seu aliado. Com tecnologia sul-coreana, a nova refinaria deve processar em suas três linhas de produção 300 mil barris diários de petróleo. Serão mais de 11 bilhões de dólares injetados na economia cearense, o que pode ajudar a retirar da pobreza uma legião de miseráveis que ainda ultrapassa um milhão de pessoas naquele estado e que recebem menos de R$ 70 reais por mês. De quebra, os coreanos ainda montam uma siderúrgica de garbo no mesmo porto. “Não teremos um processo industrial sólido sem uma indústria de base”, avalia o governador.  

Ele sabe que sem industrialização não há como chegar ao desenvolvimento. “Nos anos 50, um presidente decidiu implantar uma companhia siderúrgica em Volta Redonda, que está localizada entre Rio de Janeiro e São Paulo. Isso foi fundamental para atrair empresas para aquela região. A partir de hoje o Ceará será avaliado em antes e depois da implantação da Companhia Siderúrugica de Pecém”, discursava há mais de três anos, quando a planta começava a sair do papel. 

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Daí que, se depender de Cid Gomes, o PSB do qual faz parte não deve lançar candidato próprio nas eleições presidenciais de 2014. Com seis governadores no bolso do paletó, entre eles, Eduardo Campos, de Pernambuco, o partido teria força suficiente para lançar um nome à presidência, certamente o próprio Campos. Mas, para Cid Gomes, o relacionamento entre PT e PSB não se desgastou por conta das disputas eleitorais pelas prefeituras e o partido ainda deve se manter ligado ao governo federal. 

Suas ações deixam claro que já está em campanha. Aparece em jogos de futebol e conversa com torcedores, enquanto diz que é bugrino assumido do Guarany de Sobral, rubro-negro que habita a série D do campeonato brasileiro. Mais ainda. visita turistas nos hotéis de luxo de Fortaleza e distribui convites para o réveillon da praia de Iracema. Organiza maratonas de shows pelas praias do estado. E, durante a onda de manifestações que varreu o Brasil em junho de 2013, conversou com representantes de movimentos populares. Nada muito complicado para esse homem que sabe deixar seus interlocutores à vontade com seu jeito mais descontraído. Às vezes deixa a barba meio crescida, o que lhe dá um ar quase desleixado. E costuma apertar firme a mão das pessoas, às vezes até pelo pulso. Sua mulher Maria Célia e os filhos Rodrigo e Matheus ajudam na imagem de bom sujeito, bom pai e bom marido. 

Mas o visual despojado não esconde o político workaholic que passa o dia de olho na tela do Mac e, quando fora do gabinete, no iPhone. Usa o tweeter, o facebook e ainda o claudicante orkut, enquanto busca implantar o projeto Cinturão Digital, com a instalação de uma infra-estrutura própria de fibras ópticas, para prover acesso por banda larga nas principais cidades do interior. Tanto esforço e contemporaneidade também têm seu preço. Outro dia, uma queda na pressão sanguínea fez o governador repensar seus valores. Saúde não é digital.
Dados Pessoais
  • 50 anos
  • Político, governador do Ceará
  • Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Ceará
  • Nasceu em Sobral (CE)
  • Casado, pai de dois filhos