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Aldemir Bendine

Nascido em Paraguaçu Paulista, Aldemir Bendine – ou Dida para os amigos – entrou no Banco do Brasil aos 15 anos

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Palmeirense, fã do grupo roqueiro Queen e com um talento raro para dissipar crises: assim é o presidente do Banco do Brasil

Quando Aldemir Bendine assumiu a presidência do Banco do Brasil, em abril de 2009, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva impôs-lhe desafios nada pequenos: expandir o crédito para auxiliar a retomada da economia, reduzir as taxas de juros e consolidar a posição da instituição como o maior banco do País. Ele tinha de se firmar como o quarto presidente do BB durante o governo Lula. E conseguiu. 

A destreza de Aldemir Bendine para dissipar nevoeiros foi exatamente um dos fatores que o levaram ao cargo. Nuvens carregadas pairavam sobre o banco quando Bendine assumiu a presidência. Seu antecessor, Antônio Francisco Lima Neto, havia sido esquartejado em praça pública pelo próprio presidente Lula, que, na ocasião, disparou pesadas críticas às taxas de juros praticadas pela instituição. Mais uma vez, o BB se via diante de seu grande dilema existencial: ser banco ou ser do Brasil? Harmonizar seus interesses comerciais com o figurino de agente econômico e indutor de políticas públicas sempre foi, é e será um dos maiores desafios do BB. Desafio este potencializado pelas circunstâncias daquele momento: de um lado, a opção do governo por um modelo econômico privilegiando o consumo: do outro, uma crise internacional que sugou a liquidez dos mercados. Que outro remédio senão doses e mais doses de dinheiro público?  

Bendine chegou à presidência do BB para aumentar o crédito ao consumo
 

Aldemir Bendine, portanto, chegou à presidência do Banco do Brasil com a missão de aumentar o crédito ao consumo, seguindo a política do governo, sem despir outro santo, leia-se os acionistas do BB, aos quais o que interessa mesmo é a última linha do balanço. Ou seja: precisava equilibrar duas pilhas de prato sobre a única vareta. Por ora, a julgar pelos indicadores, a louça continua intacta. Em sua gestão, a carteira de crédito do Banco do Brasil quase duplicou: saiu de R$ 300 bilhões em 2009 para R$ 520 bilhões ao fim de 2012. O salto reflete o crescimento da instituição em segmentos nevrálgicos, como o financiamento imobiliário, que nunca foi exatamente o forte da casa. No mesmo período, o total de ativos do BB subiu de R$ 700 bilhões para mais de R$ 1 trilhão. No ano passado, o banco registrou o maior lucro da sua história: R$ 12 bilhões. 

O próprio Bendine faz questão de esfriar a discussão sobre a dupla personalidade do Banco do Brasil. Até porque não se esforça em esconder o óbvio. Sem firulas ou metáforas, Bendine diz que o BB é, sim, um braço para a aplicação de políticas públicas. Mais até: com indisfarçável orgulho, não perde uma chance de dizer que resgatou o papel do banco como um agente de desenvolvimento econômico e social. Missão dada é missão cumprida, ainda mais em se tratando de alguém que jamais vestiu outra farda que não a do Banco do Brasil. 

Filho do interior paulista

Nascido em Paraguaçu Paulista, Aldemir Bendine – ou “Dida” para os amigos de longa data – entrou no Banco do Brasil aos 15 anos, como estagiário. É provável que nesta data tenha entoado pela primeira vez os versos de “We Are de Champions”, lançada pela banda inglesa um ano antes, em 1977, no lendário álbum “News of the World” – ou, quiçá, o hino do Palmeiras, time do coração. Em 1982, foi efetivado no BB como concursado. Cumpriu uma longa travessia dentro da instituição. Além da experiência no “chão de fábrica”, a agência bancária, foi assessor na Superintendência de São Paulo, gerente-executivo da diretoria de Varejo e secretário-executivo do Conselho Diretor. Em 2006 e 2009, cumpriu a última estação antes de desembarcar na presidência do banco, ao ocupar a vice-presidência de Varejo. Ao contrário de outros dirigentes de bancos públicos que fizeram carreira caminhando no limiar do sindicalismo, Bendine nunca se filiou a qualquer partido político, embora seu nome seja sempre associado ao PT. 

Em se tratando do presidente do Banco do Brasil, filiação partidária é apenas um detalhe. A inevitável politização do cargo que ocupa já empurrou Aldemir Bendine para o centro de episódios rumorosos. Além dos entreveros entre o BB e a Previ, ou talvez por causa deles, Bendine virou notícia em 2010, quando a mídia divulgou que o executivo havia comprado um apartamento no interior de São Paulo pagando cerca de R$ 150 mil em dinheiro vivo. O assunto foi para os arquivos da mídia, onde repousam denuncismos de todos os matizes. Mas pode-se dizer que talvez tenha interferido no comportamento de Bendine. Depois deste caso, e também do extenso noticiário sobre as arestas entre o banco e o fundo de pensão, é possível perceber algumas mudanças. O presidente do BB passou a ter uma exposição mais seletiva, reduzindo o número de aparições na imprensa. 

Antes do "B" de Brasil vem o "B" de Banco. E, no meio, há o "B" de Bendine
 

A gestão de Bendine abriga algumas das maiores negociações feitas pelo Banco do Brasil. Em 2009, a instituição comprou o controle da Nossa Caixa. No mesmo ano, adquiriu metade do capital do Banco Votorantim, operação cercada de polêmica por conta dos sucessivos prejuízos da casa bancária dos Ermírio de Moraes. Foi também em 2009 que o BB incorporou 51% do Banco da Patagônia, na Argentina. 

Se o mercado teima em discutir a bipolaridade do Banco do Brasil, Aldemir Bendine afirma e reafirma seu papel e a estratégia de negócios do BB: emprestar, emprestar e emprestar. O banco segue numa firme toada no mercado de crédito. Neste ano, atingiu a marca de 21% de todos os empréstimos e financiamentos concedidos no sistema bancário brasileiro, tudo isso sem sobressaltos em suas taxas de inadimplência. O banco trabalha com um índice de empréstimos não quitados de apenas 1,8%, quase a metade da média das instituições financeiras nacionais, 3,4%. E, quando questionado sobre a política de crédito do banco, Bendine evoca as normas de governança corporativa e lembra que a instituição fez um recente ajuste de suas taxas de juros, com a devida anuência do acionista controlador, o governo. Afinal, antes do "B" de Brasil vem o "B" de Banco. E, no meio deles, há também o "B" de um dos executivos mais poderosos do País.
Dados Pessoais
  • 49 anos
  • Presidente do Banco do Brasil
  • Graduado em Administração de Empresas, com MBA em Finanças pela PUC-Rio e Formação Geral de Altos Executivos pela USP Casado, pai de duas filhas
  • Nasceu em Paraguaçu Paulista (SP)