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Abilio Diniz

Com perfil agressivo, Diniz foi a principal força no crescimento do Pão de Açúcar nas últimas décadas

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Bom de briga, Diniz encontrou aos 76 anos disposição para superar a perda de poder na Companhia Brasileira de Distribuição e encarar o desafio de ser o novo todo-poderoso na BRF

Um dos maiores empresários do Brasil, sócio da mega-empresa Companhia Brasileira de Distribuição, Abilio Diniz anda preocupado com futebol. Nada a ver com os destinos do Brasil na Copa do Mundo do ano que vem. Sua dor de cabeça – como a da maioria dos brasileiros, que costuma pôr a paixão pelo time do coração acima da seleção – é o São Paulo Futebol Clube, que anda em uma fase nada favorável. 

Torcedor roxo, Abilio Diniz sente saudade dos tempos em que o São Paulo vivia no alto da tabela de classificação dos campeonatos e faturava títulos importantes, como nas duas vezes em que ganhou a Copa Libertadores e o Mundial de Clubes – lá se vão dez anos. No blog que mantém exclusivamente para falar de futebol, ele escreveu recentemente: “É preciso mudar, mas não basta trocar apenas de técnico e ficar esperando que ele faça milagres. É preciso planejamento correto e determinação para implantá-lo. Porém, para isto é preciso competência. E é o que está faltando ao departamento de futebol do nosso querido tricolor”.

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Como não podia deixar de ser, a visão de Abilio a respeito do futebol – e descontando-se toda a paixão – tem como origem a mesma cartilha empresarial, organizacional, empreendedora que segue na vida como homem de negócios. Foi pensando e agindo dessa maneira que Abilio Diniz construiu o maior império de varejo nacional. Sua força econômica já foi bem maior, mas continua gigantesca.

Recomeço aos 76 anos

Ao contrário da falta do clube paulista, que parece não ter pressa para sair da má fase, Abilio Diniz transformou os dias difíceis como sócio do Pão de Açúcar em uma alavanca para virar a mesa e partir para outra. Assim, aos 76 anos, chegou em abril passado à presidência do Conselho de Administração da BRF e mostrou que começar uma nova fase na vida profissional não é apenas para garotões recém-saídos de MBAs.

Abilio Diniz, em uma fase nada fácil no Pão de Açúcar, aos poucos se desfez de uma parte das ações da empresa fundada por seu pai, o português Valentim dos Santos Diniz, e comprou os papéis da BRF. Assim, conseguiu relevância entre os acionistas de uma forma tão bem costurada que rapidamente passou a dar as cartas na empresa do setor de alimentos.

"É uma empresa de complexidade imensa, uma coisa maluca, mas estou feliz"


O descontentamento de Diniz com o Grupo Pão de Açúcar ganhou espaço no noticiário no ano passado. Foi quando, pela primeira vez em seis décadas, sua visão e estratégia começaram a ter menos relevância na companhia. Pelo acordo acionário fechado sete anos antes,  o brasileiro vendeu ações para o grupo francês Casino – liderado por Jean-Charles Naouri –, e deixou o controle total da empresa que começou a ser construída a partir de uma doceria aberta por "Seu Santos", pai de Abilio, nos anos 1940. 

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Com a nova configuração dos negócios, permaneceu na presidência do Conselho de Administração da Companhia Brasileira de Distribuição, empresa controladora dos negócios do grupo, desde os supermercados Pão de Açúcar até operações via internet do Ponto Frio. Antes, tinha cinco assentos no conselho, ocupados por ele, seus três filhos e sua mulher, Geize Marchesi Diniz; agora, restaram-lhe apenas três. 

Até que Diniz chegasse a essa posição no grupo, foram muitas trocas de alfinetadas públicas e recursos na Justiça contra o grupo Casino e Naori. Chegou-se a especular a respeito de uma possível saída do empresário da companhia, que levaria consigo a Via Varejo, unidade de eletrodomésticos e comércio online. Essa alternativa até agora segue em banho-maria.

A mais recente escaramuça entre Abilio Diniz e o Casino envolveu um clube de futebol, o Audax, que pode ser vendido ou até mesmo deixar de existir, em suas versões no Rio e em São Paulo, praças em que atua nas primeiras divisões dos respectivos campeonatos estaduais. O clube foi idealizado por Diniz, que não concorda com a intenção de negociá-lo.

Católico e atleta

A estrutura do império varejista sempre foi familiar, daí talvez as dificuldades com a perda de comando atual. Abilio dos Santos Diniz nasceu em São Paulo, em 28 de dezembro de 1936. Sua mãe, Floripes, o iniciou no catolicismo. Até hoje vai à missa semanalmente – de preferência na igreja de Santa Rita de Cássia (na Vila Madalena), da qual é devoto.

O pai Valentim, emigrante português que chegou ao Brasil em 1929, lhe apresentou o mundo dos negócios. Começou a praticar esportes com regularidade aos 11 anos, na época de estudante no Colégio Anglo-Latino. Sem deixar de lado as peladas de rua no bairro do Paraíso ou na Várzea do Glicério, perto de onde ficava a doceria do pai, aprendeu judô, boxe e capoeira. Fez também musculação e levantamento de peso na academia Atlas, no Centro de São Paulo.

Após terminar o segundo grau no Colégio Mackenzie, foi para a recém-criada Escola de Empresas, da Fundação Getulio Vargas, em 1956. Lá, teve seu interesse despertado pela pesquisa acadêmica na área de economia. Terminado o curso de administração, Abilio pensou em ingressar numa multinacional, ou aperfeiçoar os estudos fazendo uma pós-graduação nos Estados Unidos – chegou a fazer exames para a Universidade de Michigan. Já de malas prontas, mudou de ideia. O pai lhe propôs a abertura de um supermercado, então ainda uma novidade no Brasil dos armazéns, empórios e secos-e-molhados. O filho mais velho de “Seu” Santos encabeçou o projeto de implantação do primeiro Pão de Açúcar, inaugurado em abril de 1959, na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, bem perto de uma doceira que iniciou o império da família Diniz.

No ano seguinte, Abilio se casou com Auri. Da relação, nasceram quatro filhos: Ana Maria, João Paulo, Pedro Paulo e Adriana. Em 1968, a rede Pão de Açúcar já contava com 40 supermercados, e crescendo. Não abandonou o esporte: conquistou campeonatos de motonáutica e, no automobilismo, ganhou, em dupla com o irmão Alcides, as Mil Milhas de Interlagos.

A convite do ministro Mario Henrique Simonsen, Abilio Diniz integrou o Conselho Monetário Nacional, de 1979 e 1989. O fim da década de 1980 foi agitado para o empresário. Um racha familiar causado por problemas sucessórios no Pão de Açúcar deixou os irmãos em lados opostos, tensão só dissipada em janeiro de 1994, quando foi assinado o acordo que garantiu o controle da companhia para Abilio Diniz.

Tensão no cativeiro

Na manhã de 11 de dezembro de 1989 veio o sequestro, um dos mais discutidos da história do País. Os seqüestradores eram estrangeiros, militantes do Movimento de Esquerda Revolucionária, organização chilena. Houve apoio na operação de forças da guerrilha de El Salvador. O resgate pedido era de US$ 30 milhões. Investigações da polícia identificaram o cativeiro na Zona Sul da capital paulista. No dia 17, depois de 36 horas de campana – temia-se pela vida do empresário – Diniz foi libertado, na véspera da primeira eleição direta para presidente da República depois do regime militar, disputada entre Collor e Lula. A ação ganhou contornos políticos e o PT foi acusado de envolvimento no sequestro, mas nada ficou provado.

Em seguida, outro baque. A recessão na economia provocada pelo Plano Collor fez com que Diniz fosse obrigado a fechar um terço de suas lojas e a demitir milhares de funcionários, deixando-o à beira da falência, em 1990. Contornada a crise, o empresário lançou o grupo em novo período de expansão. Em 2000, Abilio conheceu a economista Geyze Marchesi, que ingressara no Pão de Açúcar como “trainee” em 1996. Quatro anos depois casaram-se. Em 2006, nasceu Rafaela, a primeira filha do casal; em novembro de 2009, veio Miguel.

Do plano pessoal para o plano dos negócios: em 2003, a empresa já com o capital aberto e parceira do grupo Casino, Diniz abriu mão da presidência executiva. Em 2009, o Pão de Açúcar fechou a compra da rede Ponto Frio, tornando-se líder no varejo brasileiro, com cerca de R$ 26 bilhões de faturamento naquele ano.

Apesar de ter assuntos de sobra para se preocupar – o Tricolor do Morumbi, a briga com Naori e a chegada à BRF –, Abilio Diniz encontra tempo para meter a colher na condução da política econômica. Recentemente, ele se reuniu com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que sofre duras críticas da imprensa – nacional e internacional – numa campanha que pode lhe custar a cabeça. Diniz hipotecou solidariedade a Mantega. Acha que a situação econômica está difícil, mas não tão complicada como se diz.

No ranking de 2013 da revista americana “Forbes”, Abilio Diniz figura com uma fortuna calculada em US$ 3,7 bilhões. É o 363º colocado entre os homens mais ricos do mundo. Longe da aposentadoria e agora com a missão de acelerar os negócios da BRF, o empresário mostra disposição para continuar a aumentar seu patrimônio.
Dados Pessoais
  • 76 anos
  • Empresário
  • Graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas
  • Nasceu em São Paulo (SP)
  • Casado, pai de seis filhos