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A vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais americanas foi destaque na imprensa internacional nesta quarta-feira, com o editorial do El País afirmando que é um convite a sonhar. Para o jornal, é difícil exagerar a importância de que os Estados Unidos tenham eleito seu primeiro presidente negro.

Tem tanto de surpreendente como de revolucionário, palavra que não parece excessiva se pensarmos que até meio século atrás, no país das oportunidades, os negros tinham que ceder seus assentos a passageiros brancos nos ônibus em alguns Estados, e em outros, o exército protegia seu acesso a institutos".

Na França, o Le Monde destaca o discurso de vitória de Obama, em que ele disse que "a mudança chegou".

No site do Figaro, praticamente toda a primeira página é dedicada à vitória de Obama e às eleições americanas. Em uma das análises, o jornal afirma: "A Europa deseja esquecer os anos Bush".

O Liberation, em análise, afirma que o mais duro para Obama será "não decepcionar". Segundo o jornal, após a vitória, começa o trabalho duro.

Na Itália, o Corriere della Sera traz artigo com o título "O sonho e a vida", onde afirma que a crise econômica trouxe "fome de certeza, é preciso um projeto, um percurso" para os Estados Unidos.

Na Grã-Bretanha, o Independent destaca em artigo assinado o grande desafio a frente de Obama, afirmando que ele recebe "uma herança devastadora".

"O 44º presidente americano assume o poder com uma economia que quase certamente entrou em recessão, e lidar com isso vai, certamente, dominar a primeira parte de seu mandato."
Para o Guardian, a vitória de Obama "traz uma nova alvorada de liderança". Comentando o discurso frente a milhares de pessoas em Chicago, após anunciado o resultado, o jornal afirma que "ele não fez um discurso animado de vitória. Em vez disso, ele usou a ocasião para fazer seu primeiro discurso na presidência".

Em editorial, o Guardian afirma: "Eles fizeram. Eles realmente fizeram. Caricaturado com freqüência pelos outros, o povo americano ontem se colocou no olho da história e fez uma escolha enfática por mudanças para ele e para o mundo".

O Financial Times afirma, no entanto, que será uma curta lua-de-mel para o presidente eleito.

O FT fala da capacidade dos Estados Unidos de se reinventar e surpreender o mundo, mas afirma que, apesar da importância histórica deste momento, "a política não perdoa tão facilmente".

"Diante de uma montanha de problemas domésticos e globais, que teriam testado as habilidades de liderança dos maiores presidentes americanos, Obama terá que agir rapidamente para justificar a confiança que os eleitores do país depositaram nele."
O FT ainda comenta que Obama assume a Presidência em meio a altas expectativas - maiores do que o normal - e à crise econômica, que deverá dificultar suas habilidades de governar. Para o jornal, o maior feito de Obama pode ter sido se eleger.

O Times aponta quatro razões que explicariam a vitória de Obama: o povo americano está se tornando, literalmente, um povo diferente; o mundo está mudando, e com ele o lugar dos Estados Unidos no mundo; a política americana está sendo capturada pela crescente classe média e a agenda convencional republicana parou de funcionar.

Na Argentina, o La Nacion descreve a vitória como "a força de um renascer".

"Este é o fim de um ciclo e o começo de outro nos Estados Unidos. Um ciclo multiracial: Barack Obama ganhou graças ao apoio das mulheres, hispânicos e negros. Mas também brigou voto a voto pelo apoio da maioria branca, de quem conseguiu um respaldo ainda maior do que o obtido por John Kerry (o candidato democrata) em 2004. É, em suma, o verdadeiro início do século 21 para a política norte-americana."
O Página 12 destaca que esta foi a primeira eleição "com o uso intensivo da internet, tanto para arrecadar votos, como para comunicar, e a primeira a atrair uma geração de jovens que havia se alijado das urnas há muito tempo".

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