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Tóquio, 12 mai (EFE).- O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, fechou hoje com o chefe do Governo japonês, Taro Aso, um importante acordo no âmbito nuclear civil e em outras áreas energéticas, enquanto se comprometeram a avançar na disputa territorial pelas ilhas Curilas.

Putin liderou uma delegação que conseguiu um importante acordo bilateral de cooperação no desenvolvimento da energia nuclear com fins civis, com base no qual a Rússia oferecerá urânio e o Japão, tecnologia.

A Rússia, principal produtor de urânio enriquecido do mundo, facilitará o acesso do Japão a esta matéria-prima, enquanto fabricantes de maquinaria especializada, como a Toshiba ou a Hitachi, compartilharão conhecimentos tecnológicos e em usinas nucleares, informou a agência local "Kyodo".

O desenvolvimento do acordo bilateral está condicionado à ratificação dos Parlamentos de ambos os países, algo que a Dieta (Parlamento japonês) já fez com Estados Unidos, China e a Comunidade Europeia da Energia Atômica (Euratom).

Putin defendeu o fortalecimento das relações energéticas e comerciais com o Japão em reunião entre empresários de ambos os países, na qual pediu investimento japonês para o desenvolvimento do oleoduto que transporta petróleo da Sibéria à costa do Pacífico.

Além disso, Putin disse que as relações econômicas com o Japão alcançaram um novo nível, e lembrou que o valor das trocas comerciais entre os dois países duplicou nos últimos três anos, para quase US$ 30 bilhões.

No âmbito energético, a Rússia espera aumentar sua cota no mercado de gás e de combustível nuclear japonês até 8% e 25%, respectivamente.

O primeiro-ministro russo disse que as disputas territoriais entre os dois países serão resolvidas através da melhora das relações comerciais e que as exigências do Japão sobre a soberania das quatro ilhas mais ao sul do arquipélago das Curilas serão negociadas pouco a pouco.

Em entrevista coletiva conjunta, Putin transmitiu a Aso sua forte disposição para que a disputa seja resolvida, e os dois líderes decidiram dialogar sobre o tema em julho na cúpula do Grupo dos Oito (G8, os países mais desenvolvidos e a Rússia) na Itália, e explorar "todas as opções possíveis".

A comitiva russa, que inclui ministros, governadores regionais e empresários, voltará a Moscou amanhã, após três dias no Japão. EFE jmr/an

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