Tamanho do texto

Saída de Garry Conille, terceiro designado pelo presidente que assumiu em maio, ocorre em meio a desavenças com o chefe de Estado

O primeiro-ministro do Haiti, Garry Conille, renunciou nesta sexta-feira ao cargo por meio de uma carta enviada ao presidente do país, Michel Martelly.

A renúncia de Conille ocorre cerca de quatro meses e meio após a confirmação de sua posse pelo Parlamento haitiano e após várias semanas de rumores sobre desavenças entre ele e Martelly.

Fotografia de 18 de outubro de 2011 mostra Conille em cerimônia de posse em Porto Príncipe
EFE
Fotografia de 18 de outubro de 2011 mostra Conille em cerimônia de posse em Porto Príncipe
Segundo informou à agência EFE uma fonte do governo, Conille estava interpretando "uma partitura diferente" à do presidente Martelly e do resto do governo e neste caso só há duas opções possíveis, o acordo ou a ruptura.

Conille é medico, ex-colaborador do enviado especial das Nações Unidas para o Haiti, Bill Clinton, e funcionário internacional de vasta experiência. Ele foi o terceiro primeiro-ministro designado por Martelly, que assumiu a presidência em maio de 2011. Os dois primeiros, porém, foram descartados durante os trâmites parlamentares.

Conille convocou na quinta-feira uma reunião governamental na qual só compareceram seis de 10 secretários de Estado, e nenhum dos 18 ministros do país. A falta de quórum fez com que o encontro acabasse sendo cancelado.

Os problemas entre o presidente e o premiê vieram à tona na semana passada, quando o Senado convocou os ministros a comparecerem diante da comissão que investiga a nacionalidade dos membros do governo e do presidente.

Segundo a Constituição haitiana, o presidente e o chefe de governo não podem ter dupla nacionalidade. A presidência informou que o Conselho de Ministros não compareceu à chamada do Senado pois o assunto deveria ser tratado nos tribunais.

Conille, no entanto, pediu em comunicado que seus ministros comparecessem à convocação e ele próprio se apresentou com seus documentos de viagem. As tensões aumentaram com a decisão de Conille de abrir uma investigação sobre contratos públicos assinados pelo governo anterior.

Alerta

Nas festividades de Carnaval no país, os dois não foram vistos juntos e Martelly liderou as celebrações. A tensa situação resultou em um alerta da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), que nesta quinta-feira alertou para a degradação política do país e fez um pedido para que as partes envolvidas chegassem a um acordo.

O chefe civil da Minustah, o diplomata chileno Mariano Fernández, disse que a situação "afeta o bom funcionamento das instituições assim como o processo democrático" da nação caribenha e impede a "criação das condições necessárias para o crescimento econômico".

*Com EFE

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.