Tamanho do texto

Londres, 8 jun (EFE).- Um dia depois de o Partido Trabalhista do Reino Unido ter sofrido nas eleições europeias a maior derrota de sua história, o primeiro-ministro do país, Gordon Brown, voltou a mostrar sua capacidade de sobrevivência política ao conseguir que os parlamentares trabalhistas continuassem sob sua liderança.

Brown se reuniu com os legisladores durante quase duas horas para analisar os catastróficos resultados no pleito europeu, nos quais os trabalhistas ficaram com 15,3% dos votos, o que os transformou na terceira força do Reino Unido, atrás dos conservadores e do antieuropeu Partido da Independência do Reino Unido (Ukip).

Embora esses resultados fossem esperados, eles expõem a ferida de um partido que precisará de um milagre para não perder o poder nas próximas eleições gerais e que se divide entre os que pensam que Brown é o problema e os que acham que o primeiro-ministro é a única solução possível.

Segundo os deputados presentes na reunião, Brown pediu união ao partido para enfrentar esta crise e se comprometeu a aprender com os erros cometidos em sua gestão.

O primeiro-ministro teve que encarar os pedidos de renúncia de vários de seus parlamentares, como os do ex-ministro do Interior Charles Clarke, embora tenham sido minoria e procedido de deputados já conhecidos por sua insatisfação com sua liderança.

Em linhas gerais, segundo declararam à "BBC" o líder dos trabalhistas no Parlamento do Reino Unido, Tony Lloyd, e o deputado e ministro da Defesa, Bob Ainsworth, "o apoio a Brown foi arrasador".

As regras do Partido Trabalhista estabelecem que é necessário que 20% de seus parlamentares - 71, no caso - apoiem a proposta de um candidato alternativo para que haja votação. Por isso, dificilmente haverá um "golpe de Estado" bem-sucedido atualmente.

Brown ganhou tempo em um dia que não ficou imune a sobressaltos, já que a ministra do Meio Ambiente, Jane Kennedy, anunciou sua renúncia, a última de uma longa série, por não se sentir confortável com a maneira de fazer política do atual Governo do Reino Unido.

Entretanto, em linhas gerais, foi um dia de apoio decisivo para o primeiro-ministro, como o expressado pelos líderes do Partido Trabalhista na Escócia, onde os eleitores também deram as costas à legenda nas eleições ao Parlamento Europeu.

Na Escócia, os trabalhistas ficaram na segunda posição com 20,8% dos votos, atrás do nacionalista SNP, que obteve 29,1%, em uma derrota que, segundo o secretário-geral do trabalhismo escocês, Jim Murphy, não põe em dúvida a liderança de Brown.

"Tenho a confiança de que Gordon demonstrará que é a pessoa adequada para o trabalho e eu estou convencido de que o é", disse Murphy.

O respaldo a Brown veio também indiretamente do novo ministro do Interior, Alan Johnson, considerado por muitos como o candidato com mais possibilidades de substituir o primeiro-ministro caso este venha a jogar a toalha.

Johnson não se referiu explicitamente à situação de Brown, mas disse que tirá-lo do poder "não é uma boa maneira de unir o partido".

"Podemos nos recuperar. Tenho certeza", disse Johnson, que convidou seus companheiros de partido a "escutar o que o povo está dizendo, e não só nossos militantes e ativistas".

A vice-líder do Partido Trabalhista, Harriet Harman, insistiu em que o Governo do Reino Unido seguirá trabalhando para superar a crise econômica e os problemas institucionais gerados pelo uso abusivo de verbas públicas por parlamentares, e colocou Brown como o líder necessário.

O Partido Conservador, por sua vez, se anima ao estar na posição mais promissora para voltar ao Governo desde 1997, quando o trabalhista Tony Blair foi eleito primeiro-ministro.

O líder opositor, David Cameron, descreveu a crise do trabalhismo como "uma lenta dança de morte política", na qual "(Brown) não pode remodelar seu Governo e na qual (os críticos) não parecem capazes de organizar uma manobra" que desbanque definitivamente o primeiro-ministro. EFE fpb/bba

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.