Moradores de Kolontar, na Hungria, vivem drama de contaminação e aguardam análise do conteúdo da lama que vazou
Pouco antes de correr para se refugiar no sótão da casa de sua família nesta segunda-feira na hora do almoço, Krisztian Holczer ligou para sua mãe em seu trabalho em uma escola da região.
"Você não vai acreditar no que está acontecendo", disse Krisztian.
Ela foi subindo até que cobriu a varanda de azulejos da frente e entrou pela porta da sala, tingindo de vermelho as imaculadas cortinas de renda branca. Krisztian, 34 anos, escapou com queimaduras em seus pés causadas pela lama tóxica.
nullPouco depois do meio-dia de segunda-feira, um canto do reservatório da lama cedeu, liberando a gosma para invadir paisagem em torno, transformando quatro prósperas e pitorescas aldeias em cidades tingidas de vermelho como em um filme de terror de ficção científica.
Mortes
A lama afogou pelo menos quatro pessoas e enviou mais de 100 ao hospital com queimaduras causadas por uma substância alcalina altamente cáustica. Dezesseis quilômetros quadrados estão cobertos de lama, centenas de moradores sofreram queimaduras leves e irritações pulmonares e muitos animais foram mortos.
Moradores da região ainda aguardam que funcionários da companhia liberem sua análise do conteúdo da lama tóxica. Um poluente perigoso no melhor caso, por causa de sua natureza corrosiva, a lama vermelha advinda do processo de produção de alumínio pode conter metais pesados e baixo nível de radioatividade, ingredientes que podem causar problemas de saúde como o câncer, e, a longo prazo, podem contaminar o meio ambiente.
A parede quebrada do reservatório foi reparada, mas a limpeza começou lentamente. A principal agência de investigação da Hungria busca saber mais sobre o vazamento. Um caso foi aberto para considerar possível negligência criminosa.
Jozsef Deak, um engenheiro da companhia, disse que "a empresa não foge de sua responsabilidade" e está aguardando os resultados do inquérito.
*Por Elisabeth Rosenthal

