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Pesquisa indicam que anúncio de 'troca de cargos' entre Putin e Medvedev fez apoio ao partido Rússia Unida diminuir

Dois meses após o primeiro-ministro Vladimir V. Putin ter anunciado sua intenção de retornar à presidência da Rússia, no domingo ele voltou ao mesmo palanque, de frente para o mesmo mar de bandeiras balançando, para aceitar a indicação por parte de seu partido.

Mas algo importante mudou durante este intervalo de tempo, deixando a impressão de que o primeiro anúncio de Putin, no dia 24 de setembro, será lembrado como a linha divisória entre dois períodos distintos na vida política da Rússia.

Putin aceita indicação do partido durante evento do Rússia Unida em Moscou (27/11)
NYT
Putin aceita indicação do partido durante evento do Rússia Unida em Moscou (27/11)

Ao invés de restaurar a confiança pública no sistema político, está claro que o anúncio de que Putin e o presidente Dmitri Medvedev iriam trocar de cargo irritou muitos russos. O índice de aprovação de Putin caiu para 61% este mês, um número alto em comparações internacionais, mas um dos menores que ele teve em uma década.

Por causa disso, o partido Rússia Unida teve que abaixar suas expectativas para as eleições parlamentares do próximo domingo, já que estão propensos a perder a maioria dos dois terços de votos que possuem desde 2007.

O anúncio, em outras palavras, parece ter causado uma inesperada reação negativa, um resultado chocante para um governo que se mostrou adepto a medir e manipular a opinião pública.

"Eles não podem ser responsabilizados por terem pisado na bola, levando em consideração seus resultados anteriores", disse Fiona Hill, pesquisadora do Instituto Brookings, que está estudando o papel da opinião pública na política russa.

"Mas algo mudou. O maior problema é que as pessoas começaram a se cansar deles. Se você analisar a trajetória de líderes como Tony Blair e Margaret Thatcher, você verá que seus índices de aprovação despencaram na segunda metade de seus mandatos. É como a crise dos sete anos na política."

Ao indicá-lo para um mandato que terminaria em 2018, os oradores concentraram seus discurso no papel que Putin desempenhou em organizar a desordem política e econômica da década de 1990, uma lembrança convincente, mas cada vez mais distante, especialmente para os jovens.

Os eleitores que andam reclamando do sistema atual, segundo Putin, estão esquecendo o quão piores eram as coisas antes de ele ter chegado ao poder em 1999.

Dirigentes do partido pareciam ter a esperança de que Putin iria alavancar o partido com sua popularidade ao aceitar a indicação, algo que ele nunca havia feito antes, sempre preferindo concorrer como um político independente. Seu anúncio em setembro, destinado a estabelecer as bases para uma temporada de campanha tranquila, não conseguiu nada do tipo.

A reação teve início em poucas horas, quando o ministro das Finanças Aleksei L.Kudrin disse a jornalistas que deixaria o governo ao invés de trabalhar para Medvedev, a quem Putin prometeu eleger como primeiro-ministro.

O índice de aprovação do partido Rússia Unida, já em declínio, começou a despencar rapidamente, possivelmente porque o nome de Putin, que ocupava um importante lugar na lista de nomes do partido, foi abruptamente substituído por Medvedev.

Por David M. Herszenhorn

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