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Mapa quadriculado e de ruas numeradas faz parte de plano do século 19 que definiu crescimento da cidade para os dois séculos seguintes

Divulgação
Manhattan em 1811. Parte ao sul, marcada em preto, era urbana, todo o resto acima (região norte, não vista) eram fazendas divididas em lotes a ser vendidos
O familiar mapa de Nova York, quadriculado e com ruas organizadas por números em vez de nomes, não foi obra do destino. Em 1811, a prefeitura da cidade elaborou um plano diretor que definiu como seria o crescimento da cidade nos próximos dois séculos. Esse plano, chamado "The Gratest Grid” (a Grande Grade, em tradução livre), completa 200 anos e se encerra neste ano.

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Em celebração à data, o Museu de Nova York expõe até 15 de abril diversos mapas e gravuras da época da criação da Grande Grade.

O plano diretor transformou uma Manhattan rural, e dividida em uma dúzia de fazendas, na cidade mais moderna e avançada do mundo. Para facilitar a venda dos lotes da futura cidade, a prefeitura quadriculou todo o mapa da ilha, quase completamente desocupado, com ruas e avenidas, e depois as numerou. O plano traçou as linhas da cidade que acabou virando a mais fácil de se localizar no mundo.

No início, o que virou a esquina da rua 26 com a quarta avenida, por exemplo, era campo aberto, então a prefeitura colocou pilares de pedra com os números indicando que ruas seriam construídas ali.

Há 200 anos, a única área urbana de Nova York se encontrava ao extremo sul da ilha de Manhattan, entre o que é hoje Wall Street e Greenwich Village. O resto da ilha era tão rural, que apenas uma grande avenida a cortava de norte a sul, a Broadway. Em pouco mais de 60 anos, entre 1811 e 1875, Nova York se transformou em uma cidade.

Obviamente, a prefeitura teve de vencer a resistência dos donos das fazendas, poderosas famílias que ainda nomeiam praças e locais famosos da cidade, como por exemplo os Bleeker. Essas famílias receberam grandes quantias de dinheiro pelos terrenos e a possibilidade de comprá-los de volta a preço baixo.

“A Grade de 1811 foi uma grande demonstração de ambição e otimismo. A prefeitura teve a coragem de antecipar o crescimento de Nova York e projetar a cidade como eles a imaginaram”, explicou Susan Henshaw Jones, diretora do Museu de Nova York ao iG . “Mas o que mais surpreende em relação à Grade de 1811 é a sua longevidade e flexibilidade para se adaptar aos dois séculos seguintes, que incluíram grandes mudanças como o caminho traçado pela Broadway e o Central Park”, disse.

Para durar 200 anos, o plano diretor de Nova York foi obrigado a se adaptar. Inicialmente, a Grande Grade não previa nenhum grande parque, por exemplo, apenas lotes para construções de casas e edifícios. Nos anos 1850, porém, várias manifestações comunitárias demonstraram o desejo de haver um local público e aberto na cidade. Foi aí que nasceu o Central Park, no coração de Manhattan, ocupando 6% da área da ilha.

Os designers Frederick Law Olmsted e Calvert Vaux ganharam a competição para projetar o parque e decidiram recriar ali uma área que mostraria a vegetação original da Manhattan pré-Grade. Os designers projetaram lagos e reservas de água artificiais para criar a ideia de uma mini-Manhattan selvagem. O projeto é o mesmo ainda hoje e, principalmente na parte norte do parque, é uma pequena amostra de como era a cidade quando ainda era rural.

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