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A pressão em Israel pela libertação do soldado israelense Gilad Shalit, capturado por militantes palestinos da Faixa de Gaza há dois anos, cresceu depois que o governo de Israel concluiu a troca de prisioneiros com o Hezbollah, na semana passada. Nesta terça-feira, dezenas de colegas de Shalit - soldados que começaram a servir o Exército junto com ele - fizeram uma passeata em Tel Aviv para pressionar o governo a cumprir sua obrigação moral de trazer Gilad de volta para casa.

Os soldados, que no mesmo dia terminaram o serviço militar, marcharam em direção ao Ministério da Defesa.

Eles disseram que o governo tem a "obrigação moral" de fazer todos os esforços para trazer Shalit de volta para casa, pois é responsável por sua situação.

Um soldado, Yuri Tcherniakov, disse ao canal público da TV israelense que o grupo pretende "agir de todas as formas possíveis para elevar a consciência do público em relação a questão de Gilad e pressionar o governo a libertá-lo".

Comício
Os militares também participaram de um comício na Praça Rabin, em Tel Aviv, em que pediram que o governo pague o preço necessário para libertar Gilad Shalit.

"Em vez de ir à praia ou comprar imediatamente uma passagem e viajar para o exterior, como a maioria dos soldados recém-liberados do Exército fazem, os colegas de Gilad estão aqui nos apoiando e lhes agradeço do fundo do meu coração", disse Noam Shalit, pai de Gilad, em um discurso no evento.

A familia de Shalit e seus colegas iniciaram uma campanha pública para exercer pressão sobre o governo.

A prima de Shalit, Yfat Shalit, disse à rádio pública de Israel que "todos sabem que o preço pela libertação de Gilad será alto e doloroso".

"Sabemos que o preço será doloroso, mas quem pensa que Gilad será libertado sem que Israel pague um preço alto, se engana. Não haverá outro jeito, o governo terá que pagar o preço", disse.

Sigilo
O ministro da Defesa, Ehud Barak, exigiu que seja mantido sigilo acerca da situação das negociações pela libertação do soldado.

De acordo com a imprensa local, o Hamas exige a libertação de centenas de prisioneiros palestinos em troca do soldado, inclusive do lider do Fatah, Marwan Barguti, acusado de assassinato de israelenses e condenado à prisão perpétua.

O Hamas também exige a libertação de todas as mulheres e de todos os menores de idade palestinos detidos nas prisões israelenses.

O governo de Israel mantém a posição de "não libertar prisioneiros com as mãos manchadas de sangue".

Porém, de acordo com pesquisas de opinião, houve um aumento do apoio da opinião pública à libertação de prisioneiros palestinos que estiveram envolvidos na morte de israelenses em troca do soldado.

Segundo uma pesquisa divulgada por um dos maiores sites de noticias do país, o Ynet, 70% dos israelenses concordam com a libertação de prisioneiros "com as mãos manchadas de sangue de israelenses", para soltar Gilad.

O soldado foi capturado em um posto de fronteira de Kerem Shalom (sul de Israel), perto da Faixa de Gaza, em 25 de junho de 2006.

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