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Três dias após a passagem do furacão Ike, a cidade de Gonaives, centro da catástrofe humanitária que atinge milhares de haitianos, contava 101 mortos, enquanto prosseguiam os trabalhos de socorro.

As 101 mortes foram resultado da passagem sucessiva, em uma semana, dos furacões Hanna e Ike, segundo Vicky Delore-Ndjeuga, encarregada de informação da Missão de Estabilização da ONU no Haiti, a Minustah.

"As águas estão baixando e encontramos mais três corpos na cidade", declarou a porta-voz ao comunicar os "101 mortos".

"Se não encontrarmos uma solução para trazer ajuda humanitária em massa, corremos o risco de ver brigas e rebeliões, que provocarão mais mortes que o furacão", advertiu.

Desde a passagem dos furacões Fay, Gustav, Hanna e Ike sobre o Caribe, "cerca de 800 mil pessoas necessitam de ajuda humanitária urgente no Haiti", disse Elisabeth Byrs, porta-voz do Bureau de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), em Genebra.

Na manhã de terça-feira, em Gonaives, a população atacou um caminhão carregado de alimentos, após a escolta de soldados argentinos ser cercada por mulheres e crianças.

"A manobra foi mal preparada, o portão da escola onde deveria ser feita a distribuição era pequeno para o caminhão passar e as pessoas aproveitaram", explicou um agente humanitário, que pediu para não ser identificado. "As pessoas estão desesperadas, a situação é explosiva".

Na cidade, de 300 mil habitantes, há mais de 220 mil desabrigados e as pessoas estão amontoadas ao lado de animais e móveis a espera de que a água baixe.

A ONU estabeleceu uma ponte aérea entre Porto Príncipe e Gonaives, 150 km ao norte da capital, para levar ajuda aos 250 mil necessitados nesta região devastada.

A operação já realizou 46 vôos de helicópteros nos últimos dias para levar 64 toneladas de material a Gonaives, disse a porta-voz da Minustah, Sophie Boutaud de la Combe.

Vista de cima, a região tem mais da metade dos cultivos de milho e arroz sob a lama, o que deve agravar ainda mais a crise alimentar que atinge o Haiti.

A Unicef já anunciou ações voltadas para ajudar as crianças haitianas e o Fundo das Nações Unidas para a População (Fnuap) ficará encarregado do auxílio às mulheres e jovens.

jag-cre-afp/LR

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