Geórgia nega indulto a Troy Davis e resiste a súplicas internacionais

Acusado de matar policial está há 20 anos no corredor da morte e deverá ser executado, apesar do processo com problemas judiciais

iG São Paulo | 20/09/2011 22:04

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Foto: AP Ampliar

Foto tirada em agosto de 1991 mostra Troy Anthony Davis entrando na Corte em Savannah

O americano Troy Davis será executado nesta quarta-feira depois de 20 anos no corredor da morte, após um processo repleto de problemas judiciais deu origem a súplicas ao redor do mundo. "Confirmamos que o comitê de indultos da Geórgia negou clemência para Troy David", disse Wende Gozan Brown, porta-voz da anistia internacional em Atlanta, onde foi realizada a última audiência que poderia ter evitado a execução de Davis, marcada para às 19h locais (20h de Brasília) de amanhã.

O diretor do Centro de Informações sobre a Pena de Morte (DPIC) dos Estados Unidos, Richard Dieter, acrescentou que estima ser pouco provável que a execução de Troy David, prevista para a quarta-feira, possa ser evitada, salvo algum novo elemento no último minuto. A Suprema Corte dos Estados Unidos, que já examinou o caso, segundo ele, necessitaria de um "elemento novo e poderoso" para suspender a execução.

A diretora da campanha para abolição da pena de morte da Anistia Internacional dos EUA, Laura Moye, se disse chocada com a decisão. "Não podemos acreditar que o comitê tenha negado clemência diante de uma nuvem tão grande de dúvidas. Tememos que o Estado da Geórgia possa executar um inocente", acrescentou a ativista.

Outro porta-voz da organização, Jen Marlowe, disse que a família de Davis não estará disponível para falar porque suas três irmãs, seu irmão e seus sobrinhos estão a caminho da prisão para visitá-lo.

A execução de Troy Davis, um negro condenado à morte pelo assassinato de um policial branco, durante uma briga em 1989 em Savannah, ocorrerá em uma penitenciária na cidade de Jackson, localizada a 77 km a sudeste de Atlanta, onde ele receberá a injeção letal.

A decisão por maioria simples dos cinco membros do comitê de indultos da Geórgia se impôs a uma campanha internacional sem precedentes que levou o ex-presidente americano Jimmy Carter, o papa Bento 16, celebridades e inclusive a União Europeia a pedirem a comutação da pena capital pela de prisão perpétua.

A arma do crime nunca foi encontrada e não foi registrada digital alguma, nem traço de DNA no local do assassinato. Desde que foi sentenciado, em 1991, sete das nove testemunhas civis se retrataram de suas declarações, alegando coerção ou intimidação por parte da polícia na obtenção dos testemunhos.

Até mesmo um membro do júri presente ao julgamento disse nos últimos anos que não tinha certeza se teria tomando a decisão correta, quando se soube que as testemunhas haviam se contradito.

Mas a família da vítima, o policial Mark MacPhail, insiste na culpa de Davis. "Nós somos as verdadeiras vítimas aqui", declarou na segunda-feira a viúva de MacPhail, Joan, em frente à sede do comitê de indultos em Atlanta, onde ela e seus dois filhos assistirão à execução.

A filha do policial, Madison, de 24 anos, acrescentou, entre lágrimas: "Roubaram meu futuro. Coisas como o meu casamento. Em três anos terei três anos a mais do que o meu pai (quando ele morreu)".

Pouco depois do anúncio da decisão do comitê de indultos, várias organizações contrárias à pena de morte, que transformaram o caso de Davis em uma bandeira de sua luta contra esta punição, convocaram uma vigília em Atlanta para a noite desta terça-feira. "Nós somos Troy Davis" e "Justiça liberta Troy Davis" diziam alguns cartazes que dezenas de pessoas exibiam na segunda, quando o comitê de indultos da Geórgia, em Atlanta, ouviu pela última vez os advogados do condenado e os parentes da vítima.

Stephen Marsh, advogado de Davis, declarou à imprensa que acreditava ter "apresentado dúvidas substanciais neste caso". "Em vista do nível de dúvida que existe, consideramos que uma execução é simplesmente inapropriada", afirmou.

Em 2008, o mesmo comitê havia negado clemência a Davis, mas desta vez há três integrantes novos. A Geórgia é um dos três Estados do país onde o governador não tem autoridade para decidir pelo perdão ou comutar a pena de morte, procedimentos que são decididos pelo comitê de indultos. Desde 1976, este estado executou 51 pessoas e perdoou 7. A última vez foi em 2008, quando a pena de morte contra Samuel David Crowe foi comutada pela de prisão perpétua.
 

Com AFP

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