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Zamboanga (Filipinas), 23 ago (EFE).- A rebelde Frente Moura de Libertação Islâmica (FMLI), acusada de matar crianças e idosos e de cometer outras atrocidades na violência que acontece no sul das Filipinas, afirmou hoje que não está sujeita às leis do país porque são uma força revolucionária.

"Não podemos submeter nossos membros às leis do Governo. Nós somos uma força revolucionária", disse o presidente da FMLI, Al Hajj Murad, em entrevista coletiva em Mindanao, a maior a ilha do sul do arquipélago filipino e em cujo solo o Exército e elementos do grupo insurgente lutam há três semanas.

Murad - que com esta declaração expressava sua recusa a entregar os dois chefes rebeldes que o Governo exige para retomar as conversas de paz, Abdurahman Macapaar, conhecido como "Comandante Bravo", e Umbra Kato - também voltou a rejeitar uma renegociação da minuta que tinham acordado com as autoridades o mês passado.

A oposição originada por esta minuta sobre os territórios que cobrirá a futura autonomia muçulmana e os atributos que terá é a causadora do recrudescimento da violência.

O FMLI insiste em que o acordo é válido, embora nunca tenham chegado a carimbar o memorando porque a Corte Suprema paralisou no dia 5 de agosto o ato da assinatura para estudar os recursos de ilegalidade que recebeu.

O Governo da presidente Gloria Macapagal Arroyo, por sua parte, agora diz agora que não vai assiná-lo e que é preciso renegociá-lo.

Enquanto isso, pelo menos 112 pessoas morreram, muitas delas civis, e outras 200.000 fugiram de seus lares nos combates e operações dos militares e dos insurgentes que acontecem nas províncias de Cotabato do Norte, Lanao do Norte e do Sul, Maguindanao, Shariff Kabunsuan e outras partes do sul de Filipinas.

O diretor para a região Ásia-Pacífico da Anistia Internacional, Sam Zarifi, disse ontem que "as unidades do FMLI que atacaram aldeias cometeram graves violações das leis internacionais" e pediu que os responsáveis fossem julgados.

O aparelho de propaganda do FMLI culpou também as tropas governamentais por crimes e denunciou que uma menina de nove anos morreu e que sua irmã menor, de oito anos, ficou gravemente ferida por causa das balas disparadas "indiscriminadamente" por soldados ontem à noite em Mindanao.

Fundado em 1984, o FMLI é a maior organização separatista das Filipinas com mais de 12.000 militantes. EFE rp/ma

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