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O ministro de Setores Estratégicos do Equador, Galo Borja, afirmou nesta terça-feira que seu governo espera o resultado de uma auditoria financeira para determinar se o Equador cumprirá, ou não, com o pagamento da dívida de US$ 243 milhões contraída no BNDES para a construção da usina hidrelétrica San Francisco. Está sendo realizada uma auditoria tanto da parte financeira como da parte técnica.

Uma vez que tenhamos (o resultado) dessa auditoria tomaremos uma decisão. Ainda não está nada definido", afirmou Borja em entrevista por telefone à BBC Brasil.

Na auditoria, cujo resultado deverá ser entregue dentro de 20 dias, serão avaliadas a "legalidade e legitimidade" do empréstimo.

"Só depois disso, o governo tomará as medidas adequadas", acrescentou Borja.

Pouco antes, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que a relação comercial entre Brasil e Equador poderia ficar comprometida se o governo andino não honrar com o pagamento da dívida.

"Então, vai acabar o comércio entre Brasil e Equador porque o empréstimo é lastreado no CCR (Convênio de Pagamentos e Créditos Recíprocos). Eu não entendo como deixar de pagar porque tem a garantia do CCR, que é uma garantia comercial", disse Amorim em entrevista na Índia, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre uma visita oficial.

Amorim afirmou ainda que se houve irregularidade na construção da usina hidrelétrica, ela não foi praticada pelo BNDES.

O ministro de Setores Estratégicos do Equador, Galo Borja, não quis comentar as declarações do chanceler brasileiro. "Não li essas declarações", afirmou.

Polêmica
A polêmica em torno do financiamento da obra da usina hidrelétrica teve início quando o presidente equatoriano, Rafael Correa, questionou o fato de o empréstimo ter sido direcionado diretamente à construtora Odebrecht, mas que "legalmente" aparece como dívida interna do Equador com o Brasil.

No auge da crise com a Odebrecht, expulsa do país, Correa disse que estava "pensando seriamente" em não pagar a dívida de "um projeto que não presta".

Quem deve a quem é motivo de dúvida também em Brasília. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, chegou a afirmar que a dívida era da construtora responsável pela obra e não do Equador.

"O presidente (Luiz Inácio Lula da Silva) já disse que o BNDES não tem relação com o Equador, ele [o banco] não emprestou o dinheiro para o Equador, mas para a empresa. Não vamos complicar mais a situação", afirmou a ministra.

Crise diplomática
Ratificando a decisão tomada no dia 23 de setembro, nesta segunda-feira o líder equatoriano firmou um novo decreto ordenando a expulsão, em 48 horas, de nove funcionários brasileiros das empresas Odebrecht e Furnas, acusadas de terem cometido irregularidades na construção da usina San Francisco.

Apenas dois diretores da empreiteira ainda estavam no país.

"O que aconteceu até agora é resultado do comportamento da empresa (Odebrecht) e das falhas apresentadas", afirmou o ministro equatoriano de Setores Estratégicos, Galo Borja.

Borja disse não acreditar que as relações diplomáticas entre Brasil e Equador sejam afetadas pelo caso Odebrecht.

"Não acredito que haja problemas com o governo brasileiro porque o que estamos querendo mostrar é que uma empresa brasileira, que tem prestígio internacional, teve um comportamento irregular em nosso país", afirmou.

"Não estamos atuando contra o Brasil, nem contra o governo e os irmãos brasileiros, queremos união", acrescentou.

Além das falhas na San Francisco, o governo equatoriano investiga irregularidades que teriam sido cometidas no adiantamento de recursos que foram repassados à Odebrecht para a construção da hidrelétrica Toachi-Pilató e que não teriam sido aplicados pela empreiteira.

A construtora nega ter cometido qualquer irregularidade na execução dos projetos.

A medida do governo equatoriano dá por encerrado quatro projetos da Odebrecht no país, cujo total equivale a US$ 650 milhões.

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