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Por Nidal al-Mughrabi GAZA (Reuters) - A estudante palestina do ensino médio Fida Hejji morreu de câncer em novembro, aos 18 anos, esperando autorização israelense para ser tratada em um hospital de Israel.

Ela havia recebido em três ocasiões promessas de que seria autorizada a entrar em Israel. Três dias depois da sua morte, a família recebeu um telefonema dizendo que o hospital marcara a data da sua internação.

Um ano depois da ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza, agências da ONU que atuam nesse território palestino e a Associação para as Agências de Desenvolvimento Internacional (AADI), que representa mais de 80 ONGs, salientaram na quarta-feira o impacto que o bloqueio israelense a Gaza tem sobre a saúde dos palestinos.

Ele voltaram a pedir que Israel relaxe as restrições no acesso à região, de modo a permitir o abastecimento suficiente de produtos essenciais e o acesso a serviços que não estão disponíveis em Gaza.

Max Gaylard, coordenador-humanitário residente para os territórios palestinos, disse que o bloqueio afeta o sistema local de saúde e coloca vidas em risco.

"Ele está causando uma contínua deterioração nos fatores sociais, econômicos e ambientais da saúde," afirmou. "Está dificultando o fornecimento de suprimentos médicos e o treinamento de profissionais da saúde, e impedindo que pacientes com problemas sérios de saúde recebam tratamento especializado a tempo."

Israel em geral permite o acesso de medicamentos a Gaza, mas nem sempre em quantidade suficiente. Há carência de certos equipamentos hospitalares, como raios-X e dispositivos eletrônicos.

Israel diz aprovar a maioria dos pedidos de pacientes de Gaza para cruzar a fronteira e receber tratamento, e afirmou haver um aumento de 25 por cento nessas autorizações desde 2008 - dados corroborados por conclusões da Organização Mundial da Saúde divulgadas pelo escritório de Gaylard.

"Não só estamos fazendo o máximo para permitir às pessoas de Gaza todo o tratamento médico possível, como também estamos fazendo isso em uma situação na qual o próprio governo deles está impondo um estado de guerra para tentar deliberadamente fazer mal aos israelenses, inclusive aqueles cuja missão é assistir o próprio povo de Gaza," disse Yigal Palmor, porta-voz da chancelaria de Israel.

"Não levar isso em conta é um grande desserviço à verdade e à causa de cuidar da saúde dos residentes de Gaza."

(Reportagem adicional de Douglas Hamilton)

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