Tamanho do texto

Por Jonathan Saul DUBLIN (Reuters) - O relatório de uma entidade de supervisão deve dizer que o Conselho Militar do Exército Republicano Irlandês (IRA) não representa mais nenhum tipo de ameaça paramilitar na Irlanda do Norte, afirmaram na terça-feira meios de comunicação irlandeses.

O IRA foi o responsável por mais de metade dos 3.600 assassinatos sectários ocorridos na província de domínio britânico durante três décadas de conflito. O embate praticamente cessou com a assinatura do Acordo da Sexta-Feira Santa, em 1998.

Em 2005, o grupo guerrilheiro prometeu desarmar-se e defender seu plano de unificar a Irlanda recorrendo a meios pacíficos. Mas o fato de o IRA continuar a existir ainda preocupa os grupos unionistas favoráveis ao domínio britânico sobre a Irlanda do Norte.

Segundo meios de comunicação irlandeses, que não citaram a fonte de suas reportagens, a Comissão Independente de Monitoramento (IMC), em um relatório a ser publicado na quarta-feira, dirá que, apesar de o Conselho Militar do IRA ainda existir, a entidade não funcionava mais como comando militar e não mais representava uma ameaça.

O órgão oficial de supervisão já havia afirmado não acreditar que a guerrilha estivesse ainda envolvida com atividades ilegais.

A IMC afirmou também que o acordo selado no ano passado pelos grupos políticos rivais da Irlanda do Norte com vistas a compartilhar o poder em um governo regional havia aumentado o envolvimento do grupo no processo democrático.

Em agosto, a Grã-Bretanha e a República da Irlanda pediram que a IMC avaliasse a fundo a situação do IRA. As descobertas da entidade foram apresentadas aos dois governos na segunda-feira.

Um porta-voz do governo britânico descreveu o relatório da IMC como 'muito significativo'. Não foram divulgados maiores detalhes.

Apesar de o acerto do ano passado ter referendado o processo de paz de 1998, vinha aumentando a tensão entre o Partido Unionista Democrático (DUP, pró-britânico) e o Sinn Fein (nacionalista).

Houve temores de que o Sinn Fein, um aliado do IRA, deixasse o governo regional se não visse firmado um cronograma para a transferência, de Londres a Belfast, da sede dos poderes policial e judiciário da Irlanda do Norte.

O DUP, de outro lado, não tem pressa para ver implantada uma força policial controlada pelo governo regional. Grupos guerrilheiros dissidentes, dos quais participam nacionalistas, continuam realizando ataques esporádicos.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.