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Jovem equatoriano está hospitalizado no México e precisa de "proteção absoluta"

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O governo do Equador anunciou na quinta-feira que adotou medidas para proteger os familiares do equatoriano que sobreviveu ao massacre de 72 imigrantes descoberto esta semana no Estado de Tamaulipas, no México. Os familiares do sobrevivente - identificado apenas como Freddy, pelas autoridades - moram em Ger, uma vila rural no sul do Equador.

Equatoriano Luis Fredy Lala Pomavilla descansa em hospital em Matamoros, no leste do México. Ele é testemunha de massacre de 72 imigrantes perto da fronteira dos EUA
AP
Equatoriano Luis Fredy Lala Pomavilla descansa em hospital em Matamoros, no leste do México. Ele é testemunha de massacre de 72 imigrantes perto da fronteira dos EUA
Eles disseram à BBC que receberam ameaças de morte do traficante de pessoas que tentou levar Freddy aos Estados Unidos, via México. Policiais foram enviados à comunidade e o Ministério de Imigração (Senami, na sigla em espanhol) entrou em contato com os pais de Freddy, que estão nos Estados Unidos.

A ministra Lorena Escudero disse que Freddy, que está hospitalizado no México, "precisa de proteção absoluta", pois "se trata de uma pessoa que denunciou o crime organizado". "É uma vítima que tem de ser protegida em sua saúde física e mental, e de possíveis retaliações dos criminosos", disse ela.

Emprego nos EUA

A ministra afirmou também que o governo do Equador vai investigar o tráfico de pessoas no país. Em Ger, o ambiente é de angústia e temor. O México não revelou oficialmente o nome do equatoriano, mas na comunidade, todos sabem de quem se trata. A esposa de um primo de Freddy, María Ignacia, disse à BBC que o equatoriano trabalhava como agricultor em Ger e deixou o Equador em julho para tentar visitar seus pais nos Estados Unidos.

O pai de Freddy havia se mudado para os Estados Unidos há quatro anos. A mãe mudou-se dois anos depois. O casal deixou os oito filhos em Ger. Freddy queria juntar-se aos pais nos Estados Unidos e arranjar um emprego lá, para enviar dinheiro a sua esposa, Angelita, de 17 anos. Ela está grávida de quatro meses. O primeiro filho do casal morreu com seis meses de idade. O equatoriano pagou US$ 11 mil ao "coyotero" - como são chamados os traficantes de pessoas no Equador - para ser levado aos Estados Unidos.

Na semana passada, Freddy telefonou para sua esposa da Guatemala para dizer que tudo estava bem e que ele havia conhecido outros equatorianos do sul do país. Uma das tias de Freddy em Ger disse à BBC que "a pobreza fez meu sobrinho seguir os seus pais, que também não têm empregos nos Estados Unidos".

"O pai de Freddy me ligou [na quinta-feira] chorando, e dizendo que não pode fazer nada para ajudar", disse ela. Os familiares de Freddy lamentam não ter recursos econômicos para ir ao hospital no México e pedem ajuda ao governo do Equador. "Não sabemos quando ele vai se recuperar. Só sabemos que ele está em estado grave", disse.

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