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O Brasil está em 103º e o relatório diz ter detectado no país uma das maiores "deteriorações" na América do Sul em relação ao ano anterior. O país caiu 12 posições na comparação com o ranking de 2014, que também tinha 162 países

Os conflitos em todo o mundo durante o ano de 2014 custaram um total de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 44,5 trilhões), o equivalente a 13,4% do PIB global, segundo um relatório do Instituto para Economia e Paz (IEP).

A quantia é o equivalente às economias do Brasil, Canadá, França, Alemanha, Espanha e Grã-Bretanha juntas, afirma o relatório anual da organização australiana.

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E há uma distância cada vez maior entre os índices de violência e morte dos países mais pacíficos e os dos países que mais sofrem com conflitos armados.

A edição de 2015 do relatório aponta a Islândia como o país mais pacífico do mundo; em último, no ranking de 162 países, está a Síria.

O ranking é feito após uma pontuação feita com base em 23 indicadores quantitativos e qualitativos, adquiridos de fontes "altamente respeitáveis", segundo o IEP.

Entre os principais quesitos analisados estão segurança social, taxas de homicídio, probabilidade de protestos violentos, conflitos em andamento, militarização, mortes por conflitos internos e instabilidade política.

O Brasil está em 103º e o relatório diz ter detectado no país uma das maiores "deteriorações" na América do Sul em relação ao ano anterior. O país caiu 12 posições na comparação com o ranking de 2014, que também tinha 162 países.

Segundo os autores do documento, a pontuação do Brasil piorou muito nos quesitos "instabilidade política" e "alta probabilidade de protestos violentos". "O Brasil foi afetado pela estagnação econômica e inflação galopante, que geraram insatisfação social", diz o relatório. "Houve também protestos generalizados refletindo o descontentamento com os escândalos de corrupção afetando o governo."

Na América do Sul, o país tido como o mais pacífico é o Chile. O Brasil está em antepenúltimo na região, à frente apenas de Venezuela e Colômbia.

No ranking geral, o Brasil está atrás do Haiti, por exemplo, que está em 98º lugar. Os Estados Unidos ocupam o 94º lugar do ranking.

180 mil mortos
De acordo com o relatório do instituto, as guerras mataram mais de 180 mil pessoas em 2014, em comparação com as 49 mil pessoas mortas em 2010.

Algumas análises apresentadas no relatório se referem a dados de 2013: mortes causadas por terrorismo aumentaram em 61% neste ano, custando quase 18 mil vidas, a maioria em apenas cinco países: Iraque, Afeganistão, Paquistão, Nigéria e Síria.

Segundo o IEP, as regiões mais violentas do mundo são o Oriente Médio e o norte da África, ultrapassando o sul da Ásia (onde ficam, entre outros países, Paquistão e Afeganistão), que foi a região considerada mais violenta em 2013.

De acordo com o diretor-executivo do IEP, Steve Killelea, a descoberta mais surpreendente foi a "desigualdade da paz" no mundo.

Segundo Killelea, alguns países na Europa ocidental alcançaram "níveis históricos de paz", apresentando os níveis mais baixos de taxas de homicídios e dinheiro gasto em segurança.

Por outro lado, países como Iraque, Síria, Sudão do Sul e República Centro-Africana apresentaram um nível bem maior de violência no ano passado.

"Ocorreram grandes aumentos nos custos (relativos a conflitos) devido à mortes (causadas por) conflitos internos, pessoas que abandonaram suas casas e ficaram dentro de seus países, apoio a refugiados, missões de paz da ONU e perdas no PIB devido a conflitos", segundo o relatório.

O documento também destaca que o custo para manter cerca de 50 milhões de refugiados e pessoas deslocadas internamente - o maior número desde a Segunda Guerra Mundial - aumentou 267% desde 2008, chegando a um total de US$ 128 bilhões (cerca de R$ 398 bilhões).

O relatório também descobriu que se a violência global diminuísse em 10%, injetaria na economia global US$ 1,43 trilhão adicionais (cerca de R$ 4,45 trilhões), mais de seis vezes a quantia necessária para acabar com as dívidas da Grécia e três vezes mais do que o total dos rendimentos de cerca de 1,1 bilhão de pessoas da população mais pobre do mundo.

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