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Forças de Kiev acusam Rússia de bloquear comunicação de celular. Hackers ucranianos dizem ter 'vandalizado' site russo

Especialistas na área de segurança alertaram para a verdadeira batalha que Ucrânia e Rússia estão travando no campo da internet e da comunicação móvel.

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Homem carrega buquê de flores enquanto passa em frente de tropas de choque posicionadas na entrada de administração regional de Donetsk, Ucrânia
AP
Homem carrega buquê de flores enquanto passa em frente de tropas de choque posicionadas na entrada de administração regional de Donetsk, Ucrânia

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Forças de segurança da Ucrânia acusaram o Exército da Rússia de ter bloqueado comunicações de telefone celular do país. Hackers ucranianos, por sua vez, disseram ter "vandalizado" o site de uma emissora internacional de TV russa.

Na terça-feira, autoridades ucranianas disseram que celulares de deputados do Parlamento ucraniano haviam sofrido "ataques" na Crimeia.

"Na entrada da (empresa de telecomunicações) Ukrtelecom, na Crimeia, de forma ilegal e em violação de todos contratos comerciais, foi instalado um equipamento que bloqueia o meu telefone, bem como o telefone de outros políticos, independentemente de sua filiação política", disse Valentyn Nalivaichenko, um dos chefes do setor de segurança da Ucrânia.

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A companhia ucraniana Ukrtelecom disse que suas instalações tinham sido invadidas por homens armados e que cabos de fibra ótica foram adulterados, prejudicando os serviços oferecidos a alguns usuários.

Autoridades da Rússia não comentaram se o país estaria ou não por trás dos incidentes. Mas especialistas internacionais acreditam que a Rússia estaria usando sua capacidade de impor ciberataques com parcimônia.

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Marty Martin, ex-funcionário sênior da CIA, a agência de espionagem americana, diz esperar ataques cibernéticos mais extremos apenas se houver uma escalada acentuada no conflito entre os dois países.

De acordo com Martin, um ataque que interrompesse as redes de comunicação da Ucrânia poderiam ameaçar os próprios interesses russos porque, ''se você fizer isso, você perde seu fluxo de inteligência. O melhor a fazer é monitorar''.

Estônia e Geórgia

Em 2008, durante uma escalada de tensão entre Rússia e Geórgia, hackers promoveram ataques distribuídos de negação de serviço (também conhecidos como DDoS Attack, a abreviação em inglês para Distributed Denial of Service) para sobrecarregar sites e servidores da Geórgia nas semanas que antecederam a invasão militar russa.

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Na época, o governo da Geórgia afirmou que a Rússia estava por trás dos ataques DDoS, mas o Kremlin negou a acusação, alegando que os ataques poderiam ter sido realizados por qualquer pessoa, dentro ou fora da Rússia.

Em 2007, houve ataques parecidos contra os serviços de internet na Estônia, causando distúrbios no seu sistema financeiro. Esses ataques coincidiram com divergências entre Estônia e Rússia sobre a realocação de um memorial soviético de guerra.

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Ao passo que uma ação militar é visível e sujeita ao escrutínio da comunidade internacional, ciberataques são considerados mais difíceis de rastrear e de atribuir a uma única fonte. Para especialistas, a Rússia e a Ucrânia poderiam se aproveitar dos chamados hackers "patrióticos" para promover ataques do tipo.

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"Se os russos forem capazes de fazer com que seus hackers patrióticos efetivamente participem da guerra em prol deles, isso poderia ser muito eficaz'', comenta Paul Rosenzweig, um ex-funcionário do setor de segurança nacional e fundador da empresa Red Branch Consulting, especializada no setor, que aponta também para vantagens da Ucrânia no campo das batalhas cibernéticas.

"Muitas vezes confundimos grupos ucranianos por grupos russos já que eles contam com endereços de IP (Internet Protocol) semelhantes e coisas assim. Mas os ucranianos, por serem um pouco mais ocidentalizados, contam com especialistas em outros países. É um grupo muito eficaz com bases fora. Uma diáspora, por assim dizer. Mas ainda não sabemos se eles estarão motivados a lutar ou não'', diz o especialista.

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O grupo de hackers ucraniano Cyber-Berkut postou uma lista de 40 sites que eles vandalizaram desde o início do conflito. Entre eles está a página da emissora estatal russa Russia Today, que, por um breve período teve a palavra "russos" alterada para "nazistas".

Mas Rosenzweig frisa que "não se deve superestimar a importância de ciberataques", dizendo que seria como comparar a ação de tanques com a de balas.

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