
Cientistas descobriram uma nova espécie de pinguim que passou despercebida por pelo menos 100 anos . O animal é encontrado nas ilhas remotas de Kerguelen, no sul do Oceano Índico, e já era conhecido, mas foi mantido como parte de outra espécie: os pinguins gentoo.
Batizada de Pygoscelis kerguelensis, a nova espécie surgiu com uma referência capturada em 1897, conforme artigo de 23 de abril de 2026 publicado na Communications Biology, que divulgou a nova descoberta.
Os cientistas levantaram uma combinação de análises genéticas, características físicas e dados ecológicos e concluíram que há dados suficientes para classificar uma espécie independente, também nomeada como pinguim-gentoo-do-sudoeste.
A descoberta se debruçou sobre todas regiões em que estes pinguins estão distribuídos e sugere uma divisão em quatro espécies: o gentoo-do-norte (Pygoscelis papua), o gentoo-do-sul (P. ellsworthi), o gentoo-do-leste (P. taeniata) e o recém-descrito gentoo-do-sudoeste (P. kerguelensis).
Eles ficam em diferentes pontos do Oceano Austral, como as ilhas Falkland (Malvinas), na Antártida e em arquipélagos como Crozet, Marion e Macquarie. Foi justamente a distância entre esses pontos que influenciou nas diferenças evolutivas entre cada uma delas.
Por que se diz que estava “escondida”?
A primeira questão que manteve a nova espécie “escondida” foi a aparência dela. O pinguim-gentoo-do-sudoeste é extremamente parecido com os outros do grupo.
A semelhança física faz com que apenas profundas análises genéticas e evolutivas sejam capazes de apontar as diferenças ou sustentar uma nova classificação, o que não aparentava ter qualquer motivo anteriormente.
No caso do gentoo do sudoeste, o estudo comprovou que o animal tem porte intermediário comparado aos “primos”. Ele é menor que o gentoo do norte e maior que o do sul.
100 anos duas vezes
O achado quebra um marco de 100 anos duas vezes. O primeiro motivo é porque o exemplar usado como referência para os estudos era conhecido desde 1897, há mais de 100 anos atrás. O segundo, porque foi a primeira nova espécie de pinguim em 100 anos, segundo a Universidade da Califórnia.
O exemplar esteve todo este tempo no Museu Americano de História Natural, em Nova York, Estados Unidos. O novo estudo analisou 64 indivíduos de dez colônias reprodutivas, combinando dados genômicos com informações morfológicas, ecológicas e comportamentais.
Com isso, encontrou a nova espécie, o pinguim-gentoo-do-sudoeste, e propôs elevar outras três subespécies ao status independente.