Chanceler alemão adia conversa após Trump elogiar extrema direita

Telefonema estava marcado para lembrar os 25 anos do 11 de Setembro; governo de Berlim descartou conflito de agenda e não explicou a decisão

Friedrich Merz
Foto: Reprodução/Youtube
Friedrich Merz

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, adiou uma ligação marcada com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, horas depois de o republicano celebrar a vitória da extrema direita em uma eleição regional alemã. O governo de Berlim não informou oficialmente se os dois fatos estão relacionados.

A conversa ocorreria na quarta-feira (09) e trataria dos 25 anos dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Ainda não há nova data definida para o telefonema.

“Esta ligação foi adiada hoje pelo lado alemão”, informou o porta-voz do governo, Stefan Kornelius, durante uma coletiva de imprensa em Berlim. Questionado sobre a razão, ele descartou um conflito de agenda, mas evitou apontar outro motivo.

Jornalistas perguntaram diretamente se a decisão tinha relação com as declarações de Trump sobre a Alternativa para a Alemanha (AfD). Kornelius não respondeu, mas lembrou que Merz já criticou interferências e comentários estrangeiros sobre eleições no país.

O chanceler já havia cobrado dos Estados Unidos que não interferissem em campanhas eleitorais alemãs. Em julho, Merz afirmou que a Alemanha não interfere em eleições americanas e esperava o mesmo comportamento de Washington.

Trump celebrou avanço da extrema direita

Na terça-feira (08), Trump comemorou no Truth Social o desempenho da AfD na eleição da Saxônia-Anhalt. O presidente americano afirmou que o partido populista alemão havia tido uma “noite realmente grande” e encerrou a publicação com “MGGA”, numa adaptação de seu slogan político para “Make Germany Great Again”.

A  AfD recebeu cerca de 44% dos votos na Saxônia-Anhalt, mais que o dobro do desempenho da União Democrata Cristã (CDU), partido de Merz. A legenda de extrema direita, porém, ficou sem maioria absoluta no Parlamento estadual.

O resultado abriu a possibilidade de a extrema direita participar da formação de um governo estadual alemão pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Os principais partidos do país, até agora, mantêm a posição de não formar coalizão com a AfD.

Merz também elevou o tom contra a legenda no Parlamento alemão nesta quarta. Ele acusou a AfD de defender uma política de “remigração” que levaria à expulsão de milhões de pessoas e classificou a proposta como “limpeza étnica”. A AfD rejeitou a acusação e sustenta que suas propostas migratórias respeitam a legislação alemã.

Não há, até o momento, nova data anunciada para a conversa entre Merz e Trump.