“Flor do diabo” rara é descoberta na Tailândia

Nova planta tem aparência incomum, não faz fotossíntese, vive escondida no chão e só foi encontrada em uma área menor que campo de futebol

Thismia daemona, a 'flor do diabo'
Foto: Reprodução/Neeranuch Taosiri
Thismia daemona, a 'flor do diabo'

Uma flor quase preta, com pequenas estruturas que lembram chifres e manchas vermelhas e alaranjadas parecidas com olhos levou pesquisadores a identificar uma nova espécie de planta na Tailândia, batizada de " flor do diabo" (Thismia daemona).

Apesar da aparência incomum, o que mais chama a atenção é que, mesmo com flores, a planta passa quase toda a vida escondida entre as folhas e o chão da floresta .

Combinado com seu estilo de vida escondido, subterrâneo e misterioso no chão da floresta, nossa equipe concordou unanimemente que o nome Thismia daemona capturava perfeitamente sua essência enigmática e semelhante à de um demônio.
Sahut Chantanaorrapint, da Universidade Prince of Songkla.


A Thismia daemona faz parte do gênero Thismia, que reúne pequenas plantas conhecidas em alguns lugares como “ lanternas de fada ”. Essas plantas não possuem clorofila, por isso, a Thismia daemona não faz fotossíntese . A planta  depende de fungos que vivem no solo para obter os nutrientes que precisa para viver.

Surpresa para os pesquisadores

A "flor do diabo" foi encontrada por botânicos da Universidade Chulalongkorn e da Universidade Prince of Songkla durante estudos feitos no Parque Nacional Thong Pha Phum.

A espécie crescia em uma floresta de montanha que passa por períodos de seca, a quase 1.000 metros acima do nível do mar. Esse ambiente é diferente de onde a  maioria das espécies do gênero costuma ser encontrada.

Em geral, as Thismia vivem em florestas tropicais de baixa altitude, que ficam úmidas durante todo o ano.


Menos de 50 exemplares 

A Thismia daemona pertence a um grupo que, até então, foi visto apenas na Península da Malásia, em Bornéu e em Sumatra . A descoberta na Tailândia mostra que esse  grupo de plantas aparece mais ao norte do que se sabia.

Com a identificação da nova espécie, a Tailândia passou a ter 16 espécies do gênero Thismia registradas.

Até o momento, menos de 50 exemplares foram achados em uma área menor que um campo de futebol, em um local dentro do parque nacional que recebe muitos turistas.

Por causa da quantidade reduzida de plantas e da pequena região onde elas foram encontradas, os pesquisadores avaliaram provisoriamente a espécie como “ Criticamente em Perigo ”.

Para Chantanaorrapint, um dos autores do estudo, uma das formas de ajudar nessa conservação é incluir as comunidades que vivem próximas ao parque. A ideia é proteger a natureza ao mesmo tempo em que o turismo na região gera benefícios para a população local.

O próximo passo fundamental é adotar uma abordagem de conservação sustentável alinhada ao conceito de Homem e Biosfera da UNESCO, conciliando a conservação da biodiversidade com o envolvimento humano. Incentivar a população local a valorizar seu patrimônio natural não apenas protege o micro-habitat, mas também apoia o ecoturismo sustentável liderado pela comunidade.
Sahut Chantanaorrapint, da Universidade Prince of Songkla.