
Um adolescente da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, morreu na segunda-feira (31) após contrair uma infecção rara causada pela Naegleria fowleri, conhecida como “ameba comedora de cérebro”.
Identificado pela família como Moises Ponce Mendoza, o jovem estava internado em um hospital e entrou em coma após apresentar fortes dores de cabeça.
A morte de Mendoza aconteceu pouco mais de uma semana depois da morte de Lillian Smart, de oito anos, na Louisiana, também infectada pela Naegleria fowleri.
O Departamento de Saúde e Serviços Humanos da Carolina do Norte (NCDHHS) havia informado que acompanhava um caso de infecção por Naegleria fowleri em um adolescente da região central do estado. O órgão afirmou que o paciente estava em estado crítico e recebia atendimento médico.

A família de Mendoza contou que os primeiros sintomas foram fortes dores de cabeça. Segundo o relato da mãe, Monica Mendoza, o adolescente foi levado a um hospital em Burlington na noite de sexta-feira (28), mas retornou para casa após ser avaliado.
Na manhã seguinte, com a piora do quadro, ele foi levado ao UNC Hospital, onde os médicos identificaram a infecção pela Naegleria fowleri. Desde então, segundo a família, o jovem continuou em coma.
Em uma campanha de arrecadação publicada no GoFundMe, Monica escreveu que o filho era um “jovem cheio de vida” e pediu ajuda para custear despesas da internação, transporte, alimentação e outras necessidades da família.
Casos são raros
O epidemiologista estadual Zack Moore afirmou que casos como esse são muito raros, mas servem como alerta para a presença da ameba na Carolina do Norte e em outras regiões do país.
Nossos corações estão com a família, os amigos e as pessoas queridas desse adolescente enquanto enfrentam este momento difícil. Embora essas infecções sejam muito raras, este é um lembrete importante de que essa ameba está presente em nosso estado e em todos os EUA. Zack Moore, epidemiologista do NCDHHS.

Segundo o NCDHHS, a origem da infecção ainda está sendo investigada.
De acordo com os dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), 180 casos de meningoencefalite amebiana primária foram registrados nos Estados Unidos entre 1937 e 2025.
O órgão NCDHHS afirma que normalmente menos de dez pessoas desenvolvem a doença por ano nos Estados Unidos.
Ameba vive em águas doces
A ameba Naegleria fowleri vive naturalmente em ambientes de água doce e quente e não é encontrada em água salgada nem em piscinas que recebem manutenção e cloração adequadas.

A ameba se desenvolve melhor em temperaturas elevadas, podendo crescer em águas de até 46 °C. Os casos tendem a ocorrer durante períodos prolongados de calor, quando a temperatura da água aumenta e os níveis de rios e lagos diminuem.
A infecção acontece quando a água contaminada entra pelo nariz e chega ao cérebro. Isso pode acontecer durante atividades como mergulho, saltos na água, esqui aquático ou outras práticas que façam a água entrar com força pelas narinas.
Engolir a água contaminada não causa a doença, e a infecção não é transmitida de uma pessoa para outra.
Sintomas aparecem rapidamente
A infecção causada pela Naegleria fowleri é chamada de meningoencefalite amebiana primária, ou PAM. Os primeiros sintomas podem incluir dor de cabeça intensa, febre, náuseas e vômitos.
Com a evolução da doença, podem aparecer rigidez no pescoço, convulsões e coma. Segundo o NCDHHS, depois que os sintomas começam, a doença costuma avançar rapidamente e geralmente provoca a morte em cerca de cinco dias.